Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-04-2007

SECÇÃO: Região

Fórum Novas Fronteiras – Braga debate
FACES DO PODER

«O dever do príncipe é ter em conta o bem-estar do seu povo, mesmo que com o sacrifício da sua própria vida, se necessário.», Erasmus
O Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Engº Joaquim Barreto, participou no dia 12 de Abril, no II Fórum Novas Fronteiras - Braga, sob o tema “Faces do poder”, que teve lugar no Palácio Vila Flor, em Guimarães.

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Uma iniciativa que contou com a presença de figuras públicas como Dr. Artur Santos Silva, que fez uma abordagem sobre o poder económico e o Padre Feitor Pinto, que falou sobre o poder religioso, num debate muito interessante moderado pelo jornalista Dr. Carlos Magno, que atraiu àquele espaço cultural vimaranense numeroso público.
As faces do poder são um conjunto de debates sobre os vários poderes existentes nas sociedades contemporâneas, abordando os diversos aspectos que a eles estão subjacentes, debates estes que têm vindo a ser promovidos no Distrito de Braga.
O tema em causa é de grande relevância na actualidade. Desde logo porque com a globalização crescente dos mercados internacionais, o poder económico conquistou uma preponderância nas sociedades modernas que importa questionar. Por outro lado, a religiosidade e os seus poderes associados são uma matéria que fascina o Homem através dos tempos. São dois mundos que têm uma importância na nossa vivência enquanto cidadãos de um mundo complexo.
Na sua intervenção o padre Feitor Pinto, começou por referir que o Poder é como um perfume, quem o usa não o sente. Para ele o poder religioso é mal utilizado, ainda que considere que as religiões têm poderes e exercem influências. Feitor Pinto disse ainda que a Igreja não quer nem precisa do poder, a Igreja deve servir.
Por sua vez, Artur Santos Silva, fez uma abordagem na perspectiva mais económica. Para ele a influência é mais do que exercer o poder. Referiu ainda que a concentração do poder económico é excessiva, havendo relações de poder económico com o poder político e com os média.
O autarca Cabeceirense, também Presidente da Federação do Partido Socialista de Braga, referiu que a realização deste tipo de debates é muito importante pois são espaços abertos de reflexão livre. A excelente qualidade dos oradores criou uma expectativa muito positiva sobre as ideias, as formas de pensar e de agir.
Para o autarca Cabeceirense, são duas as perspectivas de encarar o poder, para uns o poder é um meio, um mero instrumento para atingir determinados fins, para outros é um fim em si mesmo, que importa conquistar e reforçar, considerando que todos os meios são bons para o conquistar.
Joaquim Barreto considera ainda que a visão de Maquiavel, expressa há cinco séculos é aquela que está na moda e que mais adeptos tem na actualidade. De facto, para muitos o poder é um fim em si mesmo. O poder, seja ele político, económico, social, religioso e mediático parece que dá todos os direitos a quem o detém para fazer o que quiser. Não há limites éticos, nem morais que o regulem. Não há valores que se lhe sobreponham. Maquiavel explica bem esta situação quando descreve que todos os fins são legítimos desde que o príncipe mantenha o poder, ou seja os fins justificam os meios.
Contudo este socialista, defende a primeira perspectiva, o papel de um político é de prestar serviço à população que o elegeu. Defende no entanto, que é preciso que cada vez mais encarar o poder político como um serviço, uma missão, um meio para promover o desenvolvimento sustentado, para criar melhores condições de vida e para assegurar o bem-estar comum. O exercício do poder, encarado como um serviço ou uma missão, está balizado, para além das leis, pela ética, pelos valores da nossa civilização como a solidariedade, a fraternidade e a igualdade de oportunidades. O exercício do poder só tem sentido, referiu, se for entendido como uma luta permanente pelo bem-estar comum, pelo desenvolvimento da nossa sociedade, cujo centro é o ser humano e obviamente privilegiando aqueles que mais precisam.
É este o sentido mais interessante e mais profundo, que Joaquim Barreto encontra nas funções que desempenha como Presidente da Câmara.
Ao promover estas iniciativas o Partido Socialista cumpre assim o seu papel de interlocutor com a sociedade permitindo a participação de diversas individualidades, suscitando o debate activo sobre matérias actuais.

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