Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-03-2007

SECÇÃO: Opinião

CAVEZ EM VERSO

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(Continuação)

Em Palheiros vai à janela
E olha para Trás-os-Montes
Em Agunchos vês a capela
Na auto-estrada as altas pontes.

No pequeno lugar da Trofa
Temos o relógio manata
Hoje o dono não o troca
Por um relógio de prata.

Da Malga até à Igreja
Em pequeno a dar à sola
Minha avó, que Deus proteja
Só pedia o céu por esmola.

Lá no fundo, Vila Franca,
Segundo reza o reportório
Já teve capela santa
Onde esteve São Gregório.

Faleceu a Dores da Venda
E o Centro ficou mais só
A morte não tem emenda
Leva-nos a todos sem dó.

Agora há em Cavez
A Farmácia Azevedo Carvalho
Para servir bem o freguês
E poupar-lhe algum trabalho.
No fundo vale da Reboriça
Levantaram a povoação
Tem capela, não tem missa
Nem pregador para o sermão.

Povo de entre serras
Vai à missa sem capuz
Reboriça, fundas terras
Santa Luzia nos dê a luz.

Lembram-se de Santa Luzia
Uma vez em cada ano
Mas em toda a freguesia
Ninguém lembra São Caetano.

Que dizer de Rabiçais
Entre o rio e o monte
Serão uma dúzia ou poucos mais
São Caetano que os conte.

O Rancho de S. João Baptista
Às festas é chamado
Com o seu acordeonista
Para tocar mais um fado.

Esturrado, feio nome,
Mas gente séria e honrada
Outrora terra de fome
Mas hoje bem governada.
Dessa gente há a lembrar
O Manuel sapateiro
Foi um mouro a trabalhar
Para ter sempre dinheiro.

Muito alegre e contente
Era assim o Manuel Serrão
Para servir toda a gente
Sempre a bater no tacão.

Nenhum filho foi sapateiro
Seguiram outro destino
Para ganhar mais dinheiro
Num trabalho mais fino.

Foram os filhos do sapateiro
Criados em certa era
Todos têm muito dinheiro
Quem sai aos seus não degenera.

Um é autarca brilhante
O outro é professor
O Alfredo é emigrante
Ganhou-o com mais suor.

Também o Centro Comunitário
É o melhor do concelho
Ninguém diz o contrário
É para todos um espelho.

Obra do Engenheiro Barreto
Que é o homem do progresso
Trabalha que nem um preto
Cada vez com mais sucesso.

Os Camponeses de Arosa
O Rancho assim se chama
Nisso é gente vaidosa
Do nada chegou à fama.

Tamonde é a janela
Onde o Rancho tem a Sede
No Santo a velha capela
Que já foi de São Mamede.

Parece coisa de teimoso
Ou então de má memória
Trocar São Mamede por São Frutuoso
Deturpar assim a História.

Santa Maria Madalena
Que em Moimenta se venera
Na sua vida terrena
Poucos sabem quem ela era.

Seria amante de Cristo
A História assim faz crer
A Igreja não gosta disto
Mas não tem que lhe fazer.

Há na Ponte cinco pontes
E uma paisagem bonita
A caminho de Trás-os-Montes
Para trás o Minho fica.

O belo cenário da Ponte
É um lugar de recreio
Da Capela até à fonte
Com o Tâmega pelo meio.

São Bartolomeu da Ponte
A Ponte que é janela
Para ver quem vai à fonte
E quem entra na Capela.
(Continua)

Por: Francisco Pereira (Benfica)

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