Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-01-2007

SECÇÃO: Opinião

SADDAM HUSSEIN

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Todo o mundo sabia que Saddam Hussein ia ser condenado à morte. Pelo menos eu sabia, uma vez que o tribunal que o condenou e os carrascos que o enforcaram eram os fantoches de Bush, que se congratulou e festejou efusivamente a façanha.
Que pena não ser o Saddam Hussein a festejar a morte de Bush. Mal por mal, mais valia Bush desaparecer do planeta. Está provado que se trata de um homem cruel e arrasta atrás de si outros fantoches, como Blair, Durão Barroso e Paulo Portas, os quatro responsáveis por tudo o que de mal tem acontecido no Iraque.
Sem a cimeira das Lages, talvez Bush não tivesse atacado o país da Babilónia, não por ser bom, que o não é, mas porque não tinha o apoio de mais ninguém, pelo menos directamente. Assim sendo, Blair e o actual presidente da Comissão Europeia são os principais cúmplices por uma guerra que não se lhe vê o fim.
Durão Barroso, talvez por lhe pesar na consciência, condenou a execução, mas isso não passa de uma hipocrisia. Sabia muito bem que os bombardeamentos iam levar à morte cruel de homens, mulheres e crianças inocentes, tudo a pretexto de grosseiras mentiras, como ficou provado. O Iraque não tinha armas de destruição maciça e nem se envolveu em acções terroristas, era um país com uma vida estável. E hoje?
O mais curioso é que Bush nunca se meteu em guerra nem sequer em diplomacia com algumas repúblicas da América Central e do Sul, já nem falamos de Cuba, não lhe disse nada a guerra de Salvador, não lhe disse nada a ditadura de Pinochet, um ditador sanguíneo que mandou matar milhares de chilenos, e outras ditaduras. Virou-se para o Iraque, terra de petróleo!
Bush deveria ser julgado como criminoso de guerra, mas o tribunal de Haia só serve para julgar pequenos políticos ou políticos de países pequenos.
Morreu Saddam Hussein, que, embora sendo um ditador, tinha dado ao seu povo paz, pão e respeito. E Bush só lhe deu sangue e lágrimas. Que cobardia atacar um povo que nem sequer fazia parte do seu continente e do de Durão Barroso também não, este político está no poleiro que os amigos lhe arranjaram. Quando sair de Bruxelas, será um político pequeno, porque os portugueses nunca mais lhe perdoam o erro que cometeu. Incentivar à guerra é um crime!
Entretanto, as tropas americanas já haviam matado os dois filhos do ex-Presidente, porque o projecto de Bush era liquidar a família Saddam Hussein, fazer o mesmo que os comunistas fizeram a Nicolau II e sua família, em 1917.
Depois do degradante enforcamento, o governo iraquiano decidiu agora adiar por alguns dias um novo espectáculo, o enforcamento do meio irmão de Saddam, Barzan Al- Tikriti, e de Awad Al- Bandar, ex-Presidente do tribunal revolucionário, também eles acusados de tortura e assassínio.
Por ironia do destino, no mesmo dia do enforcamento de Saddam, foi divulgado um relatório do FBI sobre prática sistemática de tortura em Guantánamo. Esses tratamentos têm sido às ordens de Bush, Cheney e Rumsfeld e sujeitam centenas de pessoas, raptadas em vários países do mundo e levadas clandestinamente para aquela base americana.
E se além de curiosidade, houver um pouco de senso moral, pergunta-se porque motivo não são também Bush, Cheney e Rumsfeld julgados? Como acima disse, para a cobardia americana não há justiça.
Derivado aos protestos em todo o mundo pela morte de Saddam, vamos ver se o seu meio irmão terá mais sorte, mas não creio.
Os maus ficam para fazer a História, que um dia será contada por qualquer lorpa!

Por: Francisco Pereira (Benfica)

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