Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-12-2006

SECÇÃO: Opinião

EU Carolina, Manuel, Joana, Joaquim, Cristina, etc.…

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As políticas governamentais têm direccionando as suas atenções para a elevação das habilitações literárias dos portugueses, criando vários mecanismos para promover a escolaridade, hábitos de leitura, certificando e qualificando os portugueses de forma rápida e instantânea. Isto deve-se ao compromisso assumido em que num fechar e abrir de olhos a nossa população, que há gerações atrás, bem poucas reforço, não tinham maioritariamente o ensino obrigatório (que corresponde ao ano em que nasceu), mas com tantas mudanças, exigências e incentivos jamais pensados, hoje encontramo-nos numa era de mudança, onde veremos daqui a pouco a nossa população com o diploma do 12º ano na mão, ultrapassando assim o objectivo inicial (o ensino obrigatório).
Nesta corrida intelectual, é fundamental ler, porque os hábitos de leitura são fundamentais, senão vejamos: ao ler muito uma pessoa actualiza-se sobre várias temáticas, o caso de leitura científica, ao ler romances ou histórias policiais, a leitura leva o nosso pensamento ao imaginário, suscita emoções, ansiedade de ver o final, e ainda observamos a escrita, a forma de construção de frases, o vocabulário rico e novo, diminuindo a tendência de dar erros ortográficos, de dificuldade de construção de frases, entre outros.
Todavia, há uma tendência actual de se escreverem livros sem qualquer cultura, sem o menor interesse, na minha perspectiva, livros esses que até levantam polémica, suscitam a grande curiosidade da Comunicação Social, uma vez que se trata de pessoas consideradas conhecidas a nível nacional, não porque ajudou no desenvolvimento no país em qualquer das suas vertentes, nem porque se destacou por razão óbvia e merecida de aplausos, mas porque um dia namorou com alguém conhecido, considerado como vedeta porque é o Presidente de um grande clube de futebol nacional, ou um notável médico, o que é mais irritante ainda! Alguém que, segundo as notícias constantes sobre este livro, a tal Carolina, que até então eu não conhecia, nem foi ela que escreveu o seu próprio livro, seja porque não tinha capacidade para tal, seja por preguiça, pedindo a uma professora de Língua Portuguesa para o fazer!!!!! Cabendo apenas a esta de relatar os acontecimentos considerados como muito interessantes motivando assim os leitores, suscitando interesse pela sua vida privada e pelas acusações nele descritas.
Contudo, este não é o único caso, muitas outras pessoas resolveram descrever a sua vida através de um livro, contando aos leitores a sua infância, o seu relacionamento com este ou com aquele, o seu percurso profissional até então desconhecido, utilizando assim a sua imagem mediática para render um pouco mais a sua história de vida.
Porventura, o que acho mais aliciante destes livros, que não ousaria em ler o Prólogo dele sequer, que fará comprar ou muito menos oferecer a alguém de quem estimo, é que estes têm sucesso, ao mais não seja na hora em que se tornam mediáticos, vendem, suscitando a dúvida: mas quem quer saber da vida desta ou daquele para se dar ao trabalho de ler??!! Pois geralmente estes livros estão recheados de tudo, excepto de cultura, instrução, de aventuras consideradas imaginárias que nos cativam incessantemente.
A resposta óbvia é que olhando para outros livros que tanto ensinam, de uma cultura fabulosa mas que pouco vendem porque não são mediáticos, e para um livro mandado escrever por uma namorada ou namorado de uma figura pública que tanto vende, só me resta questionar: como elevaremos a cultura deste povo que tem pouca prática de leitura mas quando resolve ler, compra o livro “non grato”?? Talvez seja apenas a curiosidade pela vida alheia que os faça ler este tipo de livros…e não o principal e que o país tanto precisa!

Por: Sílvia Machado

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