Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-12-2006

SECÇÃO: Associações Vivas

Banda Cabeceirense
Uma associação viva e dinâmica

Fundada em 1820, a Banda Cabeceirense foi escolhida, nesta quadra natalícia, como a Associação do mês.
É uma das colectividades mais antigas do concelho, contribuindo há muito para a divulgação musical na nossa terra. Contudo, já passou por momentos áureos mas, também, momentos difíceis que levou a que durante um curto espaço de tempo estivesse sem actividade, mas que, com o apoio da Câmara Municipal e de um grupo de músicos e ilustres Cabeceirenses, este período foi rapidamente ultrapassado.
Há mais de 180 anos que a nossa Banda participa nas maiores romarias do norte do país, festivais de bandas filarmónicas, concertos em teatros, desfiles e recepções às mais altas individualidades do país.
O prestígio desta quase bicentenária Banda Musical deve-se à sua qualidade, empenhamento dos órgãos e postura exemplar adoptados em todas as suas actuações, atraindo uma grande afluência de público nos seus concertos.
Em 1999, na sequência da adesão de muitos jovens à Escola de Música, nasce a Banda Juvenil Cabeceirense, composta por mais de 40 jovens executantes, que apesar da sua tenra idade, têm brilhado em encontros de Bandas Juvenis e em concertos nas escolas do concelho.
O Ecos de Basto foi falar com o músico mais jovem que integra esta Banda, Pedro Maio, com o mais velho, Álvaro Mendes, bem como com o seu Maestro, António Nunes e o actual Presidente da Banda Cabeceirense, Dr. Maia Ramos, testemunhos de idades diferentes, mas todos com o sentimento comum do gosto pela música e pela Banda a quem dedicam centenas de horas, de ensaios e actuações, levantando o nome de Cabeceiras de Basto, ao som dos clarinetes, dos saxofones, das percussões, das flautas ou do xilofones, numa harmonia musical que faz desta banda uma das melhores do Norte de Portugal.

José Pedro Soares Maio
“Apaixonado pelo Fliscorne”

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José Pedro Soares Maio, com 11 anos não resistiu ao gosto pela música estreando os seus dotes em Abril passado numa festa em Barcelos. Considera-se um amante do seu instrumento, o Fliscorne, que ensaia uma a duas vezes por semana. A música é encarada como uma óptima terapia, confessa ao Ecos de Basto naquele ar tímido com que a tenra idade o caracteriza, que um dia talvez siga a carreira de músico, mas a idade ainda não permite prever o futuro. Certo é mesmo, o grande gosto que tem em colaborar nesta Banda filarmónica minhota, cada vez mais jovem, e na qual quer dar asas ao seu dote musical.

Álvaro António de Oliveira Mendes
Um exímio tocador de trompete
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Há 63 anos atrás, Álvaro António de Oliveira Mendes, actualmente com 75 anos, residente na Freita, na freguesia dxe Refojos, aceitou o amável convite do então maestro da Banda, António José Mendes, para ingressar na mesma, tocando Trompete, instrumento que nunca mais largou. Com apenas 13 anos, Álvaro exercia a profissão de alfaiate, oficio que mantém nos dias de hoje e resolveu desenvolver a admiração pelas notas musicais. Por ele, passaram muitos maestros e músicos. Os locais de ensaios, também variaram. Desde a Ponte de Pé, ao barracão no Campo do Seco, à Casa do Barão e Palmeira (Praça da República), actual Casa Municipal da Cultura, às instalações onde hoje está sedeada a Junta de Freguesia de Refojos e, mais recentemente a Casa da Cadeia, localizada no Lugar das Pereiras em Refojos, que uma vez recuperada, foi transformada pela Câmara Municipal, de Casa da Música, onde actualmente está sedeada a Banda Cabeceirense.
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Numa conversa agradável, recorda as idas a pé para as festas, para lugares que hoje ninguém se atreve a fazê-lo, só por promessa.
Foi no Domingo de Páscoa, no Arco de Baúlhe, que Álvaro Mendes tocou pela primeira vez numa festa. Era 6h da manhã, nunca mais se esquece, uma vez que antigamente cabia à Banda abrir as portas a estas festas e acordar o povo ao toque da Aleluia…
Confessa que hoje tudo é diferente, sente-se orgulhosos pelas magníficas instalações de que a Banda passou a usufruir com a renovação do edifício da antiga cadeia, dando assim, origem à Casa da Música. Mas apesar disso, recorda com carinho e vaidade aqueles encontros matinais, quando ainda o sol não tinha acordado. No meio do Campo do Seco, ao som da sua trompete tocava para chamar o resto dos colegas para partirem para mais uma festa.
Actualmente, por motivos de saúde, encontra-se afastado da Banda, mas reforça que será por pouco tempo, pois não vê a hora de voltar a reunir no ensaio com os colegas e dar música como só ele sabe com tantos anos de experiência.

António Armindo Silva Nunes
Despesas da Banda condicionam número de actuações
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António Armindo Silva Nunes, de 67 anos, residente no Porto, é Maestro da nossa Banda desde 2004, a convite do Maestro Gonçalo Costa Abreu e do Presidente da Banda, Dr. Maia Ramos, altura em que aceitou dirigir a Banda Cabeceirense.
Muitas foram as Bandas que passaram pelas mãos deste notável Maestro, que há muitos anos ensina e dirige músicos de vários lugares do país. Natural de Viseu, o maestro desde os 10 anos de idade, que se entregou à música, frequentando as várias Bandas do Exército por que passou.
Armindo Nunes relata com entusiasmo o seu historial musical, sendo notável o seu puro gosto por esta arte. Orgulha-se por dirigir esta Banda composta por cerca de 50 elementos, maioritariamente jovens, que incentiva a vinda semanalmente à nossa terra para ensaiar esta filarmónica e os seus jovens aprendizes. Uma vez em terras de Basto, aproveita para degustar a gastronomia local e a paisagem desta vila minhota que aprecia e já considera como a sua terra.
Numa simpática conversa, o Maestro demonstra alguma tristeza pela despesa que esta Banda acarreta, facto que dificulta a deslocação a muitas festas, uma vez que não dispõe de meios financeiros que consigam suportar sozinha todos os custos, e por isso, se encontra dependente de apoios externos.

Dr. Maia Ramos
Vinte anos à frente da Banda Cabeceirense:
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Há cerca de 20 anos que o Dr. Maia Ramos exerce o cargo de Presidente da Banda Cabeceirense com o mesmo entusiasmo e disponibilidade para tudo o que se relacione com esta Associação tão prestigiada. Ao longo da conversa, foi visível o orgulho que este cidadão sente pela Banda ao relatar o seu historial.
Segundo o Presidente, o balanço geral é “muito positivo”. Graças ao grande empenhamento dos músicos e dos órgãos sociais desta filarmónica e sobretudo, à Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, que através quer dos subsídios pecuniários, quer de outros apoios de cariz logístico, em muito tem contribuído para manter de pé a nossa Banda e fazer com que cresça, em quantidade de músicos e em qualidade, uma vez que é reconhecida como uma das melhores Bandas Filarmónicas do Norte do país. De referir ainda o apoio prestado pela da Junta de Freguesia de Refojos e de outras entidades do concelho e “amigos” desta Banda.
A Banda Cabeceirense possui, actualmente, uma das melhores sedes do Norte do país, atravessando também, uma das melhores fases, cujos concertos apresentados, fazem arrepiar qualquer espectador. O Presidente da Associação, confessou ao nosso jornal, que uma das suas ambições “é manter a qualidade técnica e musical que a Banda apresenta neste momento”, por forma a que, ao actuarmos perante outras Bandas sintamos a “nossa vaidade, o nosso orgulho, o nosso bairrismo” ao “brilhar e ao divulgar e promover Cabeceiras de Basto em várias terras de Portugal.

Por: Sílvia Machado

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