Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-10-2006

SECÇÃO: Opinião

5 de Outubro de 1910 Celebração da viragem...

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É habitual contar os dias de trabalho que o novo ano exigirá, reparando e contando os feriados que calham em dias úteis, não só para verificarmos os dias livres que teremos bem como programar aqueles fins-de-semana prolongados que tão bem faz à auto-estima e ego de uma pessoa. Todavia, torna-se indiferente o significado de cada feriado, o que celebramos? Porquê? O que hoje representa para nós?
Ao contrário do que se possa pensar, não vou usufruir deste espaço para dar uma lição de história, porque nem tal me compete, mas sim reflectir sobre a importância que este feriado, 5 de Outubro, representa para o país em que vivemos, e não se ele foi pertinente ao calhar numa 5ª feira.
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É vulgar enunciar que vivemos perante uma República, que todos sabem ou deviam saber o Hino Nacional na ponta da língua, composto por Alfredo Keil, como antes era exigido na primária, que a nossa Bandeira tem como cores predominantes o verde, que simboliza a esperança, o vermelho, o sangue dos heróis, em que a esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os 7 castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as 5 quinas significam os reis mouros vencidos por este rei e, ainda, os cinco pontos em cada uma: as cinco chagas de Cristo.
Para os mais distraídos, lembro que foi na manhã de 5 de Outubro de 1910 que surgiu a revolução contra a Monarquia, que desde a morte do Rei D. Carlos I (assassinado em 1908) a Monarquia apresentava uma instabilidade crescente em que paralelamente a força republicana conquistava a popularidade.
O objectivo desta revolta debruçou-se em derrubar a Monarquia, dado que através da via legal, era impossível os Republicanos chegarem ao poder, vivendo Portugal em regime monárquico. Assim, através de forças militares, a República foi proclamada pelo José Relvas, em nome do Directório do Partido Republicano Português, nos Paços do Concelho de Lisboa e anunciada ao país por telégrafo.
O Governo Provisório Republicano foi liderado pelo famoso escritor Teófilo Braga, da qual se traçou em consolidar o regime, garantir a ordem pública e obter o reconhecimento das potências internacionais. Elaborou-se uma constituição mais democrática, na altura, através da Assembleia Nacional Constituinte de 1911, aboliram quaisquer vestígios que lembrassem a Monarquia, e foi nesta época que se consagrou o tão recorrido direito à greve, entre muitas outras políticas.
Uma coisa é certa, este novo regime trouxe uma melhoria significativa para o país, quer na Educação quer nos Direitos Sociais, mas faltava ainda controlar a instabilidade social e política que pairava na década. A notar: entre 1911 e 1926, houve 20 revoluções e golpes de Estado, 8 Presidentes e 44 Governos.
Adepta da Democracia, não posso olhar para este feriado como um mero dia de descanso mas sim orgulhar-me por intelectuais e militares corajosos terem posto fim ao sistema Monárquico no meu país, originando esperança de um país mais justo e desenvolvido, pelos menos era essa a intenção.

Por: Sílvia Machado

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