Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-09-2006

SECÇÃO: Opinião

AS VANTAGENS E AS INCONVENIÊNCIAS DO TELEMÓVEL

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Sou uma pessoa cristã, fui baptizada e fiz só a Primeira Comunhão. Não sou daquelas pessoas a que se possa chamar "beata", mas tento cumprir com os mandamentos da Lei de Deus, o que para mim considero ser pouco. Tudo isto só para dizer que quando vou à missa aos domingos ou aos sábados é porque me apetece, vou com fé, aproveito para falar mentalmente com Cristo, pedir a Deus perdão pelo mundo e por mim e, em especial, dedicar a missa aos meus entes queridos. Por esse motivo acho que eu e todos os que frequentam a Igreja têm direito de estar a orar em silêncio ou a cantar com o coro, sem interferências estranhas.
Quando digo “interferências estranhas” quero dizer barulhos inoportunos como os feitos pelas crianças a brincarem e a chorarem. Naturalmente que as crianças se saturam de estarem uma hora fechadas, com pouca iluminação, acompanhadas por rezas e por pessoas muito mais velhas que lhes tapam a visão e lhes diminuem os horizontes.
Também já tive filhos pequenos mas evitava de os levar ou então não ia, porque estar na Igreja a tentar entretê-los e eles a perguntarem “ ó pai, ó mãe, quando é que vamos embora, falta muito para acabar?” É muito desagradável aos pais e a quem está por perto porque não têm outro remédio senão fazer um esforço para conseguir ouvir o que o Senhor Padre diz.
Mas o mais grave não são as crianças, mas sim os “maravilhosos” toques dos telemóveis que inoportunamente dão música durante toda a Santa Missa. Eles tocam ao fundo da Igreja, ao meio, ao cimo, dos lados, alternadamente. Só quem ouve… Todos a tocar com as mais diversas sinfonias…alto e bom som!!
Ao ouvir a orquestra, interrogo-me: será que as pessoas levam o telemóvel ligado para a Igreja à espera de receber uma chamada durante os 45 a 50 minutos da missa? Será que as pessoas estão viciadas neles que não podem dispensá-los? Pelos vistos não. Eles fartam-se de tocar e ninguém atende…até porque ninguém quer dar a perceber que é o seu “telélé” e portanto fazem de conta que não é nada com eles.
A mim já me aconteceu de uma vez me esquecer de desligar o telemóvel num funeral na nossa Igreja. Acreditem que passei uma grande vergonha ao sentir os olhos das pessoas em mim, até porque o momento era de grande tristeza. Serviu-me de exemplo.
Não sou viciada no telemóvel. Acompanha-me sempre mais para atendimento devido à minha vida profissional do que para fazer chamadas. Compreendo a sua importância e o quanto pode ser útil em momentos de aflição como por exemplo numa avaria de carro em local isolado. É muito importante que as pessoas estejam sempre contactáveis. Compreendo que ter um telemóvel e mantê-lo é sinal de progresso e aparentemente confere um certo estatuto. E ainda bem!
Mas deixem-me voltar à questão do telemóvel na Igreja. Não custa nada desligá-lo ou pô-lo sem som e fazer um esforço para aguentar mais ou menos uma hora com ele desligado.
Se todos fizermos assim vai permitir que nos concentremos a ouvir o sacerdote que está a transmitir a “Palavra de Deus” através da Bíblia.
Não pensem que estou aqui a dar uma de santinha que não pode ouvir ruídos quando está na Missa. Não, não é esse o meu propósito mas sim alertar para haver um bocadinho de mais respeito pelos outros e pela “Casa de Deus”.

Por: Fernanda Carneiro

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