Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-09-2006

SECÇÃO: Opinião

SÍMBOLOS DA NAÇÃO

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Queridos leitores, hoje vou aproveitar o espaço que me é concedido pelos digníssimos responsáveis do Ecos de Basto para fazer um reparo, no qual também me incluo, sobre a nossa Bandeira.
É lamentável verificar que depois de terminar o Mundial 2006, há já bastante tempo, ainda se encontrem bandeiras espalhadas por tudo quanto é canto.
É certo que Portugal foi bem representado pela nossa selecção, que foi a equipa que mais dignificou o seu país o que justificou o nosso exagero pela bandeira.
Também é sabido que a Selecção Portuguesa teve e tem um grande timoneiro ao comando que se chama Felipe Scolari ou como é chamado carinhosamente “Felipão”.
De salientar que foi graças a ele com o seu apelo à “Alma Lusitana” que fez com que muita gente ganhasse dinheiro, como as fábricas dos tecidos, os feirantes, as lojas desportivas, as confecções ao transformarem os panos em bandeiras, cachecóis, lenços, saias, vestidos e até, imagine-se, cuecas e sutiãs com o emblema da bandeira.
Tudo isto que se passou este ano no Mundial 2006 já tinha acontecido no Euro 2004. Foi uma empolgação tal como nunca se viu. Penso até que este fenómeno passou-se só cá em Portugal. Os países estrangeiros concorrentes ao mundial nunca viram tamanha euforia.
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Digo-vos sinceramente, este acontecimento mexeu com todos os portugueses de Norte a Sul do país e com os que se encontram nos países estrangeiros.
Parece impossível mas é verdade! O futebol, ou melhor dizendo, a Selecção deve ser a única coisa que consegue unir os portugueses. Unem-se clubes diferentes, unem-se os políticos de todos os partidos. O momento do Mundial 2006 serviu como uma anestesia para esquecer os problemas que afligem os portugueses no momento; a crise, o desemprego, as maternidades e as escolas a fechar. Ainda bem que houve estes dias de pausa nos lamentos dos portugueses.
Mas hoje ao escrever este artigo de opinião não foi propriamente para estar a elogiar uma selecção que já está mais que elogiada, da qual já se falou tudo o que se tinha de falar. Quero sim, falar de um assunto que me tem inquietado.
Apesar de já tudo ter terminado em Julho, verifica-se que por todo lado ainda não foram recolhidas as bandeiras. Algumas já vieram do Euro 2004. Bandeiras postas nos locais mais inacreditáveis que se possam imaginar, tais como num tronco alto que segura a “corte do porco”, enfiadas em canas de bambu duma eira, nas antenas dos rádios dos carros, nos canastros do milho, no cimo das oliveiras mais altas e, pasme-se, nas chaminés das churrasqueiras do quintal a defumar como chouriças.
Posso até compreender que na hora do acontecimento a nossa “Alma Lusitana”, tanta vez ecoada pelo nosso Grande Poeta Luís Vaz de Camões, vibra e fica de tal maneira apaixonada que não olhamos ao que é politica e eticamente correcto e ninguém quer ficar atrás de ninguém. Se o meu vizinho põe uma bandeira na varanda eu tenho que por nas janelas todas de casa. E, se possível, com bandeiras maiores.
Hoje já com os ânimos arrefecidos cheguei a uma conclusão, um único homem que nem português é, por sinal é “muito” religioso, tem a sua “Santa do Caravaggio” e diga-se em abono da verdade é muito simpático, é muito directo e tem um certo charme, tentou levar os portugueses a fazer o que ele quis: vestir Portugal de verde e vermelho durante o Mundial. E conseguiu! Sozinho!!
Hoje, pensando friamente e rebobinando todas as etapas televisivas, verificamos quantas situações ridículas cometemos em nome de Portugal. Se me permitis meus amigos gostaria de pedir a todos os que lêem este jornal que recolhessem as bandeiras ou o que resta delas estejam onde elas estiverem. Até dizia mais. Quando houver outro mundial e houver outro apelo à colocação da bandeira pelo senhor Scolari ou outro seleccionador qualquer haja contenção e respeito.
Na minha humilde opinião a Bandeira serve para hastear na Assembleia da República, na Presidência da República, nas Câmaras Municipais, usadas em escolas nos feriados nacionais, quando os membros do Governo fazem Visitas de Estado, quando são hasteadas a meia haste em luto nacional ou pela morte de alguém que dedicou a sua vida a causas humanitárias. Por isso digo que me custa muito vê-la tão banalizada. As pessoas não fazem por mal... Julgam que ao ter a bandeira colocada são consideradas mais patriotas…
Eu também amo o meu País e tenho orgulho nele. Também tive a minha bandeira na varanda mas já a guardei. Não quero de maneira nenhuma melindrar ninguém. Não foi essa a minha intenção ao escrever estas linhas. Sei que vós me ireis compreender.
Até à próxima.

Por: Fernanda Carneiro

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