Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-09-2006

SECÇÃO: Associações Vivas

Associação Cultural de Riodouro “A Montanha”

Cabeceiras de Basto é um concelho rico em história, em tradições, usos e costumes. É uma terra possuidora de um vasto património cultural e natural que é necessário recuperar, valorizar e preservar. Neste sentido, foi criada uma associação privada e sem fins lucrativos denominada “A Montanha” que, aos longo dos anos, tem vindo a desenvolver inúmeras actividades do interesse da população.

Intercâmbio na Hungria
Intercâmbio na Hungria

Criada em 1985, na freguesia de Riodouro, A Montanha afirma-se como sendo uma associação que trabalha em prol da defesa, estudo e divulgação do património cultural e natural do concelho de Cabeceiras de Basto, bem como da sua conservação e recuperação. Constituída por uma equipa jovem, esta associação “tem como objectivos combater a dispersão que é inevitável numa freguesia que a nível geográfico ocupa uma grande dimensão, e na qual é muito difícil realizar actividades que abranjam todo o espaço físico”, afirma Leonor Moura, presidente da associação. “O objectivo é dinamizar actividades que aos poucos aproximem as várias aldeias e proporcionem aos habitantes a ideia de que a freguesia não parou no tempo, mas que as suas gentes, mais novos e mais idosas ainda tem muito para dar”, defende.
Parceira importante para o desenvolvimento do concelho, A Montanha promove inúmeras actividades, não só para os habitantes da freguesia em que está sediada, Riodouro, mas para a população cabeceirense em geral. É de destacar a realização dos intercâmbios internacionais, os campos de férias, a escola da música, as recolhas etnográficas, bem como os rallypapers e a feira de velharias, actividades dinâmicas que envolvem a população e que a enriquecem um pouco mais.

Intercâmbios internacionais

Os intercâmbios internacionais realizam-se desde o ano de 2000 tendo como intervenientes quatro países europeus, nomeadamente, Portugal, Espanha, França e Hungria, e nos quais participam dez jovens de cada país e respectivo monitor, tendo Portugal aberto as suas portas aos jovens europeus no ano de 2004.
Este ano iniciou-se outro intercâmbio paralelo, realizado na Escócia, com seis jovens e monitor, em que participaram Portugal, Holanda, Escócia, Estónia e República Checa.
Destaca-se que para o ano estão já a preparar-se dois novos intercâmbios, a realizar em Espanha e na República Checa.
Intercâmbio na Escócia
Intercâmbio na Escócia
Refira-se que esta iniciativa, que é apoiada pelo Instituto Português da Juventude – IPJ, tem tido uma adesão muito positiva pelos jovens proporcionando-lhes experiências enriquecedoras, bem como a partilha de culturas e conhecimentos. “Por exemplo este ano os jovens que foram à Hungria como o tema foi os direitos humanos visitaram um campo de refugiados, uma prisão e o Parlamento Húngaro, além de visitarem a bela capital”, refere Leonor. “Os da Escócia, também visitaram o Parlamento escocês, alguns dos famosos castelos da Escócia e fizeram trabalho comunitário!”, acrescenta.

Campos de férias

Com o objectivo de proporcionar a todas as crianças, que são afectadas pelo efeito da desertificação das aldeias, momentos de convívio, confraternização e aprendizagem, A Montanha organiza, anualmente, no período de férias escolares, um campo de férias, denominado “Férias em Movimento”.
Contando com o apoio do IPJ, esta associação oferece, deste modo, a dezenas de miúdos da freguesia, um período recheado de actividades e brincadeiras. “Este ano, entre outras iniciativas, as crianças passaram um dia e uma noite na Casa da Veiga onde realizaram actividades temáticas na montanha, de forma a alertar para a protecção do ambiente e perigos que da montanha derivam”, afirma a presidente da associação.

Escola de Música

Atenta às várias actividades temáticas, A Montanha promove ainda aulas de música para crianças e jovens, que se realizam gratuitamente aos sábados nas instalações da Escola do Ensino Básico de Leiradas, onde os alunos aprendem não só a tocar vários instrumentos como, também, aprendem a ler pautas musicais e interpretar as mesmas.
Aulas de Música
Aulas de Música
No âmbito destas aulas são realizadas várias acções, nomeadamente a criação dos próprios instrumentos musicais, dando azo à criatividade das crianças.

Recolhas Etnográficas

Valorizando as raízes e a cultura da gente de Cabeceiras de Basto, A Montanha apoiou um trabalho realizado por um grupo denominado Grupo 4x4 que, durante um ano, procedeu a uma recolha etnográfica na freguesia de Riodouro. Para tal realizaram-se entrevistas a pessoas mais idosas, recolheram-se testemunhos de tradições e costumes, nomeadamente a nível linguístico e de medicina popular, cantigas e acontecimentos históricos.
Conjuntamente com um acervo documental, a associação possui neste momento um conjunto de fotografias dessa recolha, tendo sido já realizada uma exposição no IPJ de Braga, e, mais recentemente, uma exposição na sede da junta de freguesia de Riodouro, intitulada “As raízes da Modernidade”, dando assim a conhecer “a nossa cultura, o saber do nosso povo, a história que nos distingue dos outros e aquela que tanto nos orgulha”, defende Leonor Moura.

Rallypapers

Também os Rallypapers são desenvolvidos por esta associação. “Foram já vários os Rallypapers realizados, que percorrem animadamente os trilhos da freguesia e não só, e que contam sempre com a participação de muitos jovens”, afirma a jovem presidente. “Estas actividades realçam o espírito de equipa e de cooperação, juntando dezenas de jovens num dia dedicado ao lazer”, acrescenta.

Férias em Movimento
Férias em Movimento


Apesar da sua denominação invulgar, não se pode ignorar a importância da mesma. Qual é o jovem que vai à Festa da Associativismo e não visita a feirinha de velharias e coisas usadas? Hoje é um ritual que começa a marcar as camadas mais jovens, que num ambiente descomprometido e agradável vende e compra artefactos e objectos antigos que os vendedores possuem.

Após a apresentação das inúmeras actividades desenvolvida pela Montanha, O Ecos de Basto, em jeito de conclusão, questionou Leonor Moura, presidente da associação.

Ecos de Basto:. Considera a associação a que preside uma associação viva?
Tuta e Meia
Tuta e Meia
Leonor Moura: Sim, eu e toda a equipa que consitui esta associação, consideramos que a A Montanha é, de facto, uma associação viva e que pouco a pouco vai crescendo. Dados os referidos motivos da dispersão populacional e mesmo a crescente desertificação, é muito difícil realizar actividades e mesmo voluntários que apostem em dinamizar a freguesia, mas pouco e pouco, e com algumas actividades que vamos realizando as pessoas vão-se apercebendo que vale a pena apostar e ajudar esta associação, e assim vamos crescendo.

E. B.: Quais os projectos futuros que os cabeceirenses podem esperar da Montanha?
L.M.: Vamos tentar apostar no desenvolvimento das actividades que já temos e diversificar outros, mas pensando sempre não só no lado recreativo, mas sobretudo na reunião do espólio cultural da freguesia e apostar em mais actividades a nível ambiental, já que é provavelmente a maior riqueza que a freguesia de Riodouro e o concelho de Cabeceiras de Basto possuem.

E-mail : amontanha@sapo.pt

Por Silvia Machado e Carla Oliveira

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