Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-07-2006

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (67)

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A UM CARVALHO

Da vasta obra de Miguel Torga, faz parte um pequeno texto, é um poema, que o autor dedica a uma árvore. O título do texto é: “A UM NEGRILHO”. O escritor rende homenagem àquela árvore que, por alguma razão, despertou nele especial interesse, há uma relação de intimidade entre ambos. O poeta fala com o negrilho, também chamado ulmeiro, como se falasse com outro poeta, o negrilho é um poeta, as suas folhas são um poema, a sua sombra é o universo.
Ao ler o texto de Miguel Torga entusiasmei-me, e não resisti à tentação de dedicar algumas linhas a uma árvore, que admiro, há já bastante tempo. Refiro-me a um dos carvalhos que integra o arvoredo do Campo do Seco. Julgo-o digno de respeito, fica no quarteirão poente do recinto, e é, actualmente, e sem qualquer dúvida, a mais frondosa de todas as árvores da Praça Barjona de Freitas.
Dei-me ao trabalho de calcular a sua envergadura. Medi-lhe a copa socorrendo-me da projecção da sombra. Tem vinte e sete metros de diâmetro, o que corresponde a um perímetro de oitenta e cinco metros. Indaguei sobre o nome da espécie, disseram-me que se trata de um “Carvalho dos Lameiros”, tem a folha muito verde, miúda e rebicada.
Quanto à idade, adianto que deverá ter pouco mais de quarenta anos, foi plantado na década de sessenta, após as obras de terraplanagem do recinto.
Para aqueles que, muito provavelmente, não se lembram, informo que nos anos cinquenta, do século passado, o Campo do Seco era um recinto, com altos e baixos, um barracão na zona central e oliveiras dos lados nascente e sul, onde hoje estão a Escola EB 2 e 3 e o Quartel dos Bombeiros. Na parte central era a feira das coisas miúdas, do lado onde está a escola, era a feira dos porcos, e do lado onde está o quartel dos bombeiros, que formava uma meia encosta, era a feira do gado, gado significava vacas, bezerros e bois. Só pelo S. Miguel é que havia a feira dos burros e dos cavalos, que se realizava no sítio da feira dos porcos.
Voltando aos carvalhos, tenho-me interessado pela espécie, e já distingo um bom conjunto de nomes: carvalho do norte, carvalho americano, carvalho roble, carvalho pétreo, carvalho cerquinho, carvalho negral, carvalho alvarinho e, o mais recente, o do nosso ilustre carvalho do Campo do Sêco, o carvalho dos lameiros.
Aproveito estas linhas para lembrar, aos serviços competentes, que não deveriam colocar quaisquer contentores do lixo, ou papeleiras, junto das árvores, seja no Campo do Sêco, ou em qualquer outro espaço público.
A razão é muito simples, penso que ninguém ignora que, de vez em quando, aparece um qualquer idiota, que chega fogo aos contentores do lixo e às papeleiras. Estes ardendo, junto das árvores, muito naturalmente que acabam por queimá-las. Reparem no que aconteceu, há uns meses, a uma das ameixoeiras que ladeiam o parque de estacionamento, que fica em frente das casas dos magistrados.
Muito brevemente acontecerá com uma das bétulas situada à entrada da Escola EB 2 e 3. Há ali uma papeleira, que embora sendo metálica, está mesmo junto da árvore. Já estive, vai e não vai, para abordar o porteiro da escola, e entusiasmá-lo no sentido de ele pedir aos serviços, que removessem a papeleira das proximidades da bétula. Porém, faltou-me a coragem. Acontece-me destas coisas…


Por: José Costa Oliveira

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