Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-07-2006

SECÇÃO: Recordar é viver

Foi há 37 anos que deixou o Colégio de S. Miguel

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OS 50 ANOS DE SACERDÓCIO DO PADRE APOLINÁRIO

Foi com surpresa que há dias recebi um telefonema da Celeste Correia. Digo surpresa porque não é costume ela telefonar-me embora seja assinante do Ecos de Basto já há bastantes anos.
O Padre Apolinário em plena celebração
O Padre Apolinário em plena celebração
Depois dos cumprimentos da praxe, ela dispara:
-”Olha estou-te a ligar pelo seguinte: lembras-te do nosso director, o Padre Apolinário?”
Sim, lembro, respondi eu. Como o podia esquecer se fiquei com uma recordação de quatro reguadas que me deu (pela asneira que fiz juntamente com mais três colegas, foram até bem merecidas), em todo o tempo que andei no Colégio, pensei eu para com os meus botões. Ao menos eu só “apanhei” quatro mas para alguns e algumas já era o “habitué”.
Oferta da letra do hino do Colégio de S. Miguel
Oferta da letra do hino do Colégio de S. Miguel
E continuou ela.
-”Sabes? Lembras-te da Maria Alves? Aquela pequenina de Gondiães?
- Não. Não estou a ver. Mas depois de algumas explicações da Celeste veio-me à ideia esse nome e lembrei-me de uma baixinha que eu via por lá. Não era do meu tempo, porque quando cheguei ao Colégio de S. Miguel elas já lá andavam há alguns anos.
Pelos vistos a Maria Alves juntamente com alguns seus ex-colegas, nomeadamente o Baltazar Alves Mendes conhecido carinhosamente pelo Baltazar da Caixa Geral e a sua esposa Emília Teixeira, estavam a fazer contactos com antigos alunos do Colégio para participarem na comemoração dos cinquenta anos de sacerdócio do Padre Domingos Apolinário.
Os irmãos Baltazar e Zeca Mendes em pleno ensaio
Os irmãos Baltazar e Zeca Mendes em pleno ensaio
Confesso que a minha reacção foi de autêntica surpresa e até um tanto ou quanto de pé atrás. Eu era muito jovem na altura mas fiquei sempre com a imagem do nosso director de um homem muito severo, um tanto intolerante e altivo e que possuía um certo ar irónico.
Hoje, já avó de quatro netos embora ainda me considere jovem, já compreendo um pouco a atitude do Padre Apolinário. Ele era muito jovem na altura e quer queiramos quer não era preciso uma mão forte para ter mão na “criançada” e nos adolescentes. E hoje digo que alguns possuíam uma rebeldia tal…
No meu entender o Padre Apolinário só pecava por controlar os alunos fora das portas do Colégio. Era humilhante ver os rapazes e raparigas “matulões” e “casadoiros” a levarem grandes reguadas, por se encontrarem a “conversar” às escondidas, como tinha de ser.
Os cabeceirenses ensaiando alegremente
Os cabeceirenses ensaiando alegremente
Mas o que lá vai lá vai…Ele só foi meu professor em aulas de música e jogava o ténis de mesa (ping-pong) connosco. Ainda hoje “sei jogar” graças ao Colégio. A Albina até já ganhou muitos troféus de ténis de mesa a nível regional e nacional.
Mas falemos do encontro com o senhor “Director”, Padre Apolinário em Valença, do frente-a-frente e dos abraços dos ex-alunos. Ao escrever vou esquecer os Dr.s e os Engº.s e os prof.s e nomear um a um pelo seu nome próprio.
Foi com emoção que cumprimentei o Padre Apolinário. Foi como regressar a anos longínquos da minha meninice. Instintivamente tratei-o por “senhor director”. Nos olhos dele brilhou uma ponta de emoção quando viu chegar os de Cabeceiras como o Amílcar Salreta (estudante prodígio do meu tempo), o Álvaro Gonçalves da Cachada, o João Moutinho, a Albina Teixeira e o marido José, a Maria Alves Magalhães, o Baltazar Alves Mendes, a Emília Teixeira, a Celeste Correia, a Manuela Carneiro, a Carminho de Alvite, a Filomena Teixeira Oliveira de Alvite, o Jaime Nogueira de Sousa, o Alberto Bastos de Chacim e sua mulher Isabel (sobrinha do falecido Padre Joaquim de Painzela), o Sanches da Seara, a Alice Fernandes, filha do senhor Gervásio Fernandes, o Zeca Mendes, a Teresa Josefa, a Filipa Lobo, irmã do saudoso professor de português Padre Lobo, o Juca Pires, a Hermínia Leitão, mais conhecida por “Nininha”, filha do falecido senhor Arlindo das Finanças e eu, naturalmente. Estiveram ainda presentes o ex-professor de educação física Mário Gonçalves Pereira e sua esposa.
Fernanda Carneiro em conversa com o Padre Apolinário
Fernanda Carneiro em conversa com o Padre Apolinário
Foi emocionante ver durante o ofertório o Baltazar a caminhar para o Altar-Mor transportando um quadro com a letra e a música do hino que nós cantávamos no Colégio. Depois foi engraçado o ensaio da música durante o almoço sob a sua batuta. Ele e o irmão Zeca levaram para Valença os clarinetes para acompanhar o Hino cantado por todos para o “director”, deixando transparecer toda a veia musical herdada de seu pai, o Maestro António Mendes. E foi com alguma surpresa que vimos o Padre Apolinário “saltar” para o palco e acompanhar-nos com o acordeão.
Foi lindo! Apesar de algumas mágoas que possam existir, e acredito que sim, lembremo-nos que o sistema permitia e incentivava a que os professores tomassem certas atitudes prepotentes. Não era só no Colégio era também nas escolas. Muitas vezes apanhava-se “porrada” só porque não se tinha o material para as aulas. A vida dos nossos pais era difícil e já faltava dinheiro em casa para a alimentação quanto mais para material escolar. Hoje há dinheiro a rodos nas mãos dos jovens mas a “educação” é aquilo que se vê.
Para não me alongar mais nos considerandos devo dizer que foi um dia bem passado em Valença. Foi um imenso prazer rever os estudantes do Colégio de S. Miguel, mesmo aqueles que são mais velhos do que eu.
Emília Teixeira, Fernanda Carneiro e Albina Teixeira
Emília Teixeira, Fernanda Carneiro e Albina Teixeira
Deixo aqui uma mensagem a todos aqueles que não souberam ou não puderam assistir pelas mais diversas razões:
-” «Juventude» do meu tempo a vida é muito curta e já vivemos mais do que vamos viver. Esquecei as coisas más e vamos fazer os possíveis para nos encontrarmos pelo menos uma vez cada ano, aproveitando os encontros para nos lembrarmos também dos que já partiram deste mundo tão jovens ainda como por exemplo a Alice Barroso, o Camilo Duro do Arco de Baúlhe, o Baltazar de Chacim, o Litos da Cachada, ou a Manela Vasconcelos, entre outros. Eu, aqui através do Jornal Ecos de Basto prometo prestar toda a colaboração possível”.
Aproveito para agradecer á Celeste Correia, à Emília do Baltazar e à Maria Alves Magalhães por todo o empenho que puseram nesta iniciativa.
Manuela Carneiro e a Filipa Lobo
Manuela Carneiro e a Filipa Lobo
Sinceramente gostei de voltar a ver o “nosso director” Padre Domingos Apolinário. Sei de fonte segura que ele permitiu a alguns antigos alunos estudarem de graça ou com uma espécie de bolsa para não deixarem o Colégio. Ele não gostava que os alunos inteligentes fossem obrigados a abandonar o Liceu.
Desejo ao senhor Padre Domingos Apolinário muitas felicidades e renovo os parabéns pelos cinquenta anos de sacerdócio esperando voltar a vê-lo em Cabeceiras de Basto para festejarmos mais um encontro entre todos. Conto com isso.
Um abraço a todos.
Celeste Correia e a Hermínia Pinto (Nininha)
Celeste Correia e a Hermínia Pinto (Nininha)


Alberto Bastos de Chacim
Alberto Bastos de Chacim





Por: Fernanda Carneiro

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