Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-07-2006

SECÇÃO: A nossa gente

António Oliveira Magalhães
Presidente da Junta de Freguesia da Faia

Lutador e confiante, António Oliveira Magalhães batalha, desde muito jovem, por um futuro melhor. Com 44 anos de idade e com um percurso de vida marcado pela emigração, António Magalhães é hoje o Presidente da Junta de Freguesia da Faia. Casado, com duas filhas e empresário de profissão, este cabeceirense partilha connosco a sua experiência de vida.
E.B. Com apenas 14 anos de idade saiu da Faia e foi viver para o Porto. Que razões motivaram a sua saída da terra que o viu nascer, ainda tão jovem?

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A.M. Saí daqui em busca de melhores condições de vida. Precisava de um emprego, não queria estudar e, como tal, fui para o Porto, onde trabalhei no comércio. Ainda, pelas mesmas razões que me levaram a sair da minha terra, saí também do meu país aos 20 anos, e emigrei para a Suiça. Estive lá dezassete anos a trabalhar na área da construção civil.
E.B. Em 1997 decide regressar a Portugal. Porquê?
A.M. Regressei porque eu e a minha esposa achámos que estava na altura certa. A nossa filha mais velha já tinha 14 anos e gostaríamos que ela organizasse a vida dela cá em Portugal. Na altura pretendíamos regressar e ir viver para o Porto, onde tínhamos casa, mas, por vontade da minha filha mais velha acabamos por vir para Cabeceiras de Basto. Ela vinha cá passar férias todos os anos e gostava imenso disto, foi sempre muito agarrada à Faia.
Foi então que vim viver para o Arco de Baúlhe, e, em sociedade com o meu cunhado, abri uma empresa de construção civil, a REVIFAIA.
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E.B. Após tantos anos longe da sua terra, que mudanças sentiu ao regressar?
A.M. Na altura não senti grandes diferenças, até porque eu não conhecia bem o concelho uma vez que saí daqui muito novo. As principais mudanças comecei a sentir quando já cá vivia, e aquela que considero mais importante foi a criação de acessos às aldeias da serra, que, em tempos permaneciam isoladas. O concelho cresceu por todos os lados, evoluiu, e é aliás aí que radica o grande valor do nosso Presidente da Câmara, o Eng. Joaquim Barreto, porque não quer só o jardim dele, também olha pelo jardim dos outros e fez crescer o concelho. Apostou no combate ao isolamento e isso foi de facto, muito bom.
E.B. Empresário de profissão, decide, neste último mandato candidatar-se a Presidente de Junta. Que razões originaram essa sua decisão?
A.M. Sinceramente, apesar de fazer parte da Assembleia de Freguesia, nunca tinha pensado em candidatar-me a este cargo, mas, a certa altura o Sr. Magalhães [ex-Presidente da Junta de Freguesia da Faia] achou que o trabalho desenvolvido por ele não podia parar e que eu seria a pessoa indicada para dar continuidade a esse mesmo trabalho. O Sr. Magalhães foi insistindo e, devido à amizade que nos une, aceitei o cargo. E correu tudo bem.
E.B. E enquanto autarca da freguesia o que pretende desenvolver, quais são os seus objectivos primordiais?
A.M. O que nós, Junta de Freguesia, pretendemos essencialmente, é apostar na área social. Queremos que o Espaço de Convívio e Lazer cresça e queremos também desenvolver algo que acolha as crianças da freguesia nas horas em que os pais estão a trabalhar, uma espécie de Ocupação de Tempos Livres. A nossa linha de acção consiste ainda em dar continuidade ao trabalho realizado anteriormente, beneficiando o arranjo e a limpeza dos acessos da freguesia.
E.B. Afirmou que pretendem fazer crescer o Espaço de Convívio e Lazer. Porquê?
A.M. Porque consideramos que o aspecto social é muito importante. É fundamental que as pessoas, neste caso, os menos jovens, estejam ocupadas, que ainda se sintam úteis e que convivam. Se estiverem sempre em casa, sem convívio e sem actividade entram facilmente num estado de depressão e perdem a vontade de viver. Temos o caso de pessoas que frequentam diariamente o Espaço de Convívio e Lazer e nota-se perfeitamente que se sentem muito melhor, mais felizes, com mais qualidade de vida.
E.B. E que actividades é que o Espaço de Convívio e Lazer da Faia oferece aos utentes?
A.M. Oferece basicamente o que todos os outros espaços, como este, existentes no concelho oferecem. Ou seja, com o apoio da Câmara são prestados cuidados de saúde, animação musical, a prática de ginástica, entre outras actividades.
E.B. Se lhe fosse possível neste momento realizar um sonho, o que gostaria mesmo de ver implementado neste Espaço de Convívio?
A.M. Aqui é praticamente impossível desenvolver aquilo que gostaríamos. Nós temos ideias e isso é fundamental, mas há objectivos que são muito difíceis de alcançar. Gostaríamos de criar um Centro de Dia, numa casa separada da freguesia. Um espaço com as devidas condições para termos lá os nossos idosos. Um espaço digno onde os velhinhos sejam recebidos durante o dia, onde tenham os cuidados necessário e onde se sintam bem. Acompanhados e Acarinhados. Pretendemos desenvolver um pouco, mas em ponto grande, o que já se faz aqui no Espaço de Convívio e Lazer. Sabemos que é muito difícil concretizar este objectivo, por enquanto é um sonho, mas nada é impossível.
E.B. Já falamos dos menos jovens, e no que diz respeito aos mais jovens, o que tencionam desenvolver?
A.M. Como já referi tencionamos criar um espaço em que estes possam ficar durante o tempo em que os pais não estão em casa, antes ou depois da escola. Um espaço onde estejam ocupados e em segurança. Ainda para os jovens, arrancam já na próxima semana, e vai decorrer durante três meses, com a colaboração do Ginásio Atlético Cabeceirense, aulas de hip-hop. A Junta de Freguesia cede as instalações, mas o encargo financeiro é da responsabilidade da Associação “Os Amigos da Faia”, recentemente criada.
E.B. Já que falamos em associação, como é que está a freguesia da Faia em termos de movimento associativo?
A.M. O associativismo aqui na Faia está muito bom, aliás, nunca tão bom como agora. Temos três associações, que abrangem áreas diferentes e que se encontram em pleno funcionamento dinamizado actividades que levam à ocupação salutar dos tempos livres dos habitantes da freguesia.
E.B. Descartando agora o papel de autarca da freguesia, e falando enquanto habitante de Cabeceiras de Basto, o que gostaria que fosse desenvolvido cá no concelho?
A.M. Eu acho que temos, necessariamente, que explorar o turismo. O concelho de Cabeceiras de Basto possui inúmeras potencialidades turísticas que deveriam ser aproveitadas. Temos a Veiga que é um local excepcional para o turismo de montanha, temos turismo rural, mas penso que não está a ser devidamente explorado. É essencial que se coloque toda a informação existente na Internet e, de preferência em três línguas, inglês, francês e alemão. Enquanto vivi na Suiça apercebi-me que grande parte da população Suiça e alemã faz turismo rural. Apreciam locais onde possam estar em contacto com os animais, alimentá-los, tratar de cavalos, e nós aqui temos condições excelentes para apostar nesse sector. Acho que esta aposta é imprescindível para o desenvolvimento do concelho.
Considero ainda que seria essencial que se construísse uma piscina ao ar-livre. Já temos duas cobertas e faz-nos falta uma ao ar – livre. Temos rios que ainda estão muito limpos e cuja água poderia ser aproveitada para a manutenção da piscina.

Em jeito de conclusão o nosso entrevistado afirmou que Cabeceiras de Basto é um concelho com grandes potencialidades e que “estamos no caminho do progresso, mas isso não depende apenas dos autarcas, também a população tem um papel importantíssimo, deve dar ideias e sugerir caminhos a seguir. Só assim poderemos ir muito longe”.

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