Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-05-2006

SECÇÃO: Região

Com oito mil visitas registadas
Museu das Terras de Basto faz dois anos

O Museu das Terras de Basto comemorou no dia 24 de Maio, dois anos de existência e de intensa actividade.

O Museu está instalado na antiga Estação da CP, em Arco de Baúlhe
O Museu está instalado na antiga Estação da CP, em Arco de Baúlhe
Aproveitando as instalações da antiga Estação da CP do Arco de Baúlhe, que foi durante 49 anos o terminus da Linha do Tâmega, gare e mercadorias, logradouros exteriores e salões do comboio histórico, a Câmara Cabeceirense, no quadro de uma estratégia de recuperação do património construído, lançou a feliz iniciativa de transformar aquelas instalações, em constante degradação devido ao abandono a que foram votadas pela CP após o encerramento da via férrea em 1984, no Museu de Terras de Basto.
Este equipamento cultural, que representou um investimento de cerca de 200 mil euros (40 mil contos), está localizado num espaço bucólico de grande beleza rural, na vila do Arco de Baúlhe e tem patentes ao público peças e artigos artesanais regionais e uma gama valiosa de materiais e apetrechos ferroviários usados nos anos 40 e 50, não faltando as locomotivas a carvão e as carruagens que fizeram as delícias de muitos milhares de utentes nas deslocações para os grandes centros urbanos, delas se destacando o salão real outrora usado pelo rei D. Carlos e que, há poucos anos serviu, igualmente para acolher o então Presidente da República Mário Soares numa viagem que fez a estas terras nortenhas.


O Museu das Terras de Basto tem como ponto de partida um caminho e uma viagem, assumindo uma temática em torno da qual se desenvolve um projecto original.
Os espaços físicos estão interligados culturalmente, compreendendo uma área ajardinada de aproximadamente 600 m2 nos quais podem ser observadas duas valiosas colecções: etnografia local e os instrumentos de trabalho da vida de uma estação ferroviária.
O ciclo do linho está patente na secção da cultura e etnografia local
O ciclo do linho está patente na secção da cultura e etnografia local
Este museu aborda o conhecimento como sua missão e através de testemunhos, objectos, emoções e sentimentos tenta partilhá-lo com todos/todas os que ali se deslocam para fazer uma viagem.
A entrada do Museu é a própria entrada da estação onde o visitante pode “picar o bilhete” e escolher a exposição a visitar, pois ali terá acesso a toda a informação dos serviços.
Neste primeiro espaço existe lugar para encontrar uma área de “perdidos e achados”, dessedentar-se da viagem ou esperar pelo amigo/a confortavelmente instalado.
Uma vez tirado o bilhete, o visitante poderá apreciar as exposições: “Vamos à aldeia” para descobrir o que ia num comboio de mercadorias e depois aceitar o convite e, lá “Vamos andar de Comboio”, com locomotivas alimentadas a carvão.
Depois de apreciar os lindos jardins, que distinguiram durante anos esta estação como uma das mais floridas da zona norte, o visitante pode “Viajar. Viajar”, numa viagem pelas ideias, pelos sentidos, pela poesia e autores, predominantemente portugueses, mas sobretudo desafiando para uma constante interrogação ao que nos cerca.
O Museu das Terras de Basto possui rampas de acesso particularmente para os espaços da locomotiva, automotora e carruagens onde não faltam as legendas em braille e as gravações que confirmam esta preocupação de promover a integração de todas as pessoas seja qual for a sua condição física o social.
Trata-se, por isso, de um equipamento importante para potenciar o desenvolvimento sócio-turístico e cultural da Região de Basto e, particularmente do Município de Cabeceiras de Basto.
As locomotivas constituem algum do Património Ferroviário do Museu
As locomotivas constituem algum do Património Ferroviário do Museu



Integrado na Rede Nacional dos Museus, o Museu das Terras de Basto, apesar da sua curta existência conta já com a distinção de Melhor Museu Português 2004/2005, atribuído pela Associação Portuguesa de Museus, com o objectivo de premiar e incentivar a imaginação e a criatividade dos Museólogos Portugueses.
Por outro lado, este equipamento cultural Cabeceirense foi o escolhido para representar Portugal e apresentar, em 2004, uma candidatura à sua inclusão na Rede Europeia de Museus.
A dinâmica que lhe está associada, com a promoção de acções tão diversificadas quão interessantes tais como visitas guiadas, acções de formação, actividades regulares com as escolas, realização de exposições diversas, comemoração de datas relevantes, promoção de encontros inter-geracionais, oficina criativa, entre outras, contribui certamente para a crescente procura que o Museu das Terras de Basto teve nestes dois anos.
Aberto de Terça a Domingo, entre as 9horas e as 17h30m, este equipamento registou a passagem de 8033 visitantes, que ali se deslocaram para conhecer o rico património cultural, etnográfico e social que tem patente ao público, envolto por uma atmosfera de partidas e chegadas, de gente que se cruza, de gente que viaja no tempo, reflecte sobre o futuro e fica com a consciência de que ali está um pedaço da história de um povo, de uma terra.

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