Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-05-2006

SECÇÃO: Opinião

O Roteiro da Imigração em Portugal

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O nosso país é, sem qualquer dúvida, um dos casos mais interessantes na história mundial da migração. Inicialmente, era um país de emigração, estando agora a revelar-se como um pólo atractivo para comunidades de imigrantes que, de um modo ou de outro, se identificam com o nosso país e que, por razões várias, aqui se vão concentrando.
Podemos identificar várias fases da imigração em Portugal: a primeira caracteriza-se após 1443, é a data do primeiro carregamento, começou o fenómeno da escravatura africana em Portugal. No século XVI, Portugal tinha mais escravos que qualquer outro país da Europa e eles representavam cerca de 10% da população de Lisboa; a segunda refere-se aos anos 60, a população estrangeira residente em Portugal manteve-se praticamente estável. Esta fase é caracterizada pela política económica do Estado Novo. No entanto, com a aceleração da industrialização e internacionalização da economia portuguesa, aumentou ligeiramente a imigração. É de referir o desenvolvimento do turismo, sobretudo no Algarve, onde se inicia a fixação de um crescente número de ingleses e alemães.
A terceira fase identifica-se com o processo de descolonização que teve lugar após a revolução de 1974 e conduziu a um boom nas chegadas de africanos provenientes das antigas colónias, surgindo uma pressão súbita e desorganizada da transferência do controlo administrativo das colónias.
A quarta fase identifica-se com os anos 80. O número de estrangeiros continuou a aumentar, mas de origens diferentes, tais como: asiáticos (indianos, paquistaneses e chineses) e de sul-americanos (principalmente brasileiros). Com a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (1985-86), começou a tornar-se mais visível o número de cidadãos comunitários que escolheram Portugal como país de residência. Numa quinta fase, a década de 90 não trouxe grandes alterações ao panorama da imigração em Portugal, em que esta ultrapassou a emigração que ainda persistia.
Numa sexta fase, ano 2000, em que se verificou uma profunda alteração, tanto quantitativa como qualitativa, no panorama da imigração em Portugal. Estas modificações tornaram-se muito evidentes com o balanço do número de legalizações efectuadas no processo extraordinário que decorreu entre 2001 e 2002, por um lado, por via do qual a população de estrangeiros legalmente residentes em Portugal sofreu um aumento de cerca de 100%. Por outro, manifestou-se uma gigantesca entrada de imigrantes provenientes da Europa Central e de Leste, com especial predomínio para os naturais da Ucrânia, Rússia e Moldávia. Esta mudança de origens dos imigrantes deve-se talvez atribuir a um maior conhecimento e atracção pelo espaço social e economicamente privilegiado da União Europeia

Por: Sílvia Machado

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