Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-03-2006

SECÇÃO: A nossa gente

ANA MARIA MOUTA FERNANDES
As flores são a sua paixão

Natural de Asnela, freguesia de Riodouro, Ana Maria Mouta Fernandes, tal como aconteceu a muitos cabeceirenses, emigrou quando tinha 21 anos. Ao tempo, as perspectivas de futuro na nossa região eram poucas e o Canadá foi a terra escolhida para ganhar o pão. Com dois filhos menores, é hoje uma empresária de sucesso em Cabeceiras de Basto, depois da opção de regressar ao fim de oito anos, por causa da educação dos seus filhos.
Fomos ao encontro desta nossa conterrânea, proprietária do horto-florista “Rosa Branca”, que amavelmente nos concedeu a entrevista que aqui transcrevemos, porque esta é “a nossa gente”, e é com esta gente que se compõe a nossa comunidade.
E.B. – Porquê o regresso a Portugal e a Cabeceiras de Basto?

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A.F. – Casei quando tinha 21 anos e emigrámos logo para o Canadá. Quando a minha filha estava em idade de entrar para a escola, colocou-se-nos um dilema. Conhecíamos lá muitos portugueses que queriam regressar a Portugal mas cujos filhos já estavam na escola o que tornava muito difícil esse regresso. Nós tínhamos que fazer a opção: lá para sempre, ou então o regresso. Decidimo-nos pelo regresso, com os nossos filhos, porque mais tarde, com eles, seria muito difícil ou praticamente impossível.
E.B. – Já tinham casa em Cabeceiras de Basto?
A.F. – Sim, já tínhamos a nossa casa o que de certa forma facilitou um pouco, mas faltava o emprego. Em todo o caso, pensámos que se as coisas não nos corressem bem poderíamos sempre voltar ao Canadá.
E.B. – Pelos vistos não foi necessário.
A.F. – Felizmente não foi preciso. Começámos logo a procurar trabalho. O meu marido conseguiu rapidamente. Para mim não foi tão fácil. A primeira oportunidade que me surgiu foi frequentar um curso de formação profissional de empresários agrícolas. Como os meus pais tinham terrenos, pensámos que esse podia ser o caminho. O importante era começar e encontrar alguma forma de rendimento. Mas logo surgiu a oportunidade de frequentar um outro curso de gestão empresarial que visava a criação do próprio emprego. Não perdi tempo, inscrevi-me mesmo antes de terminar o primeiro.
E.B. – Achou que era mais oportuno?
A.F. – Sim. Foi aliás muito útil. Aquela formação permitiu-me candidatar-me aos apoios que o Centro de Emprego dava para a criação do próprio emprego.
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E.B. – E recebeu esse apoio? Foi um processo difícil?
A.F. – Não foi difícil. Tratei de toda a documentação e o Centro de Emprego de Basto concedeu-me apoio. Instalei-me no Mercado Municipal e por lá estive cerca de dois anos. Depois surgiu a possibilidade de me instalar aqui no Quinchoso onde estou, até hoje!
E.B. – Porquê flores?
A.F. – No princípio só trabalhava com plantas mas depressa percebi que as flores poderiam ser um bom negócio.
E.B. – Como surgiu o nome Rosa Branca?
A. F. – Quando preparei a candidatura ao próprio emprego tinha que escolher um nome para o estabelecimento. Como gosto de rosas e do branco escolhi este nome.
E.B. – E sentia-se preparada para o comércio de flores?
A.F. – Uma amiga minha tinha tirado um curso de florista no Porto e através dela fui lá inscrever-me. Uma formação importantíssima que fiz por minha conta. Foram três meses muito duros porque tinha o negócio, os filhos pequenos e a deslocação para o Porto, à noite, três vezes por semana. Ganhei conhecimentos e competências que me ajudaram muito. Hoje continuo a fazer formação sempre que posso, vou estudando e também com a ajuda do meu marido, nas horas que lhe sobram da sua actividade profissional, já fazemos jardins.
E.B. – Tem empregados?
A.F. – Tenho uma funcionária em “part-time” e aos fins-de-semana consigo alguns colaboradores quando é necessário fazer jardins. Brevemente é provável que a funcionária tenha que ficar a tempo inteiro.
E.B. – Qual é o universo dos seus clientes?
A.F. – A maioria dos meus clientes são, naturalmente, de Cabeceiras de Basto, mas tenho também clientes de Ribeira de Pena, de Celorico de Basto e de Mondim de Basto.
E.B. – Como chega até eles? Faz publicidade?
A.F. – Já fiz publicidade noutras ocasiões, agora são os meus clientes que vão fazendo a publicidade de que preciso. Se ficam satisfeitos, e eu faço por isso, outros virão através daqueles.
E.B. – Há novos projectos para o futuro?
A.F. – Continuar a dedicar-me à loja, aos jardins, mas estamos a pensar produzir flores. Temos terrenos em Asnela e a nossa aposta passa a breve prazo pela produção. Primeiro para as nossas necessidades na loja, depois... logo se vê, poderemos ir mais além.
E.B. – Hoje Cabeceiras de Basto não se compara ao tempo em que teve que emigrar, concorda?
A.F. – Está muito diferente. O desenvolvimento de hoje nada tem a ver com o de há vinte anos. Cabeceiras está a crescer. Há, hoje, muito mais oportunidades. Acredito muito na nossa terra. Por isso fiquei cá. Estou convencida que o futuro ainda será melhor. Tenho muita esperança. O conjunto de equipamentos e serviços que temos ao dispor da população são garantia de melhor qualidade de vida para os cabeceirenses. Aquilo que de certa forma me preocupa mais é a saúde. Quem vem de fora como eu nota bastante diferença. Mas acredito que, mesmo a esse nível, o futuro será melhor.
E.B. – Nas últimas eleições autárquicas integrou uma lista à Assembleia Municipal. Considera importante a participação na vida pública?
A.F. – Acho que sim. Não tenho grande tempo para dedicar à política, mas gostei de participar e voltarei a fazê-lo se for preciso. Estive em reuniões diversas, participei na campanha, foi uma boa experiência.

Por: Luis Filipe Silva

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