Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-02-2006

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (62)

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HOTEL DE SONHO

Sei que existe um projecto real, e que há um conjunto de entidades e individualidades, de grande respeito e prestígio, envolvidas na sua concretização. Eu tive apenas um sonho. Mas, como os contornos do mesmo coincidem, em pleno, com a hipotética realidade que eu gostava de ver concretizada, resolvi passá-lo para o papel, usando o discurso directo. Espero, muito sinceramente, que ninguém fique melindrado com o evento.
Em boa verdade, já o tinha idealizado quando, há oito anos, sugeri que em Cabeceiras de Basto deveria existir uma unidade hoteleira de média dimensão, e categoria um pouco acima da média. Quarenta a cinquenta quartos, distribuídos por duplos e singles, isto quanto à dimensão, e três estrelas, no que respeita à categoria, era o que eu propunha. Realizei mesmo, por minha iniciativa, um pequeno estudo de mercado, e abordei um conjunto de potenciais investidores.
Finalmente, vê-se obra. Parabéns aos arquitectos que elaboraram o projecto, e às entidades que se encarregaram da sua execução. Eu, apesar de não o ter expresso no meu escrito, confidenciei a alguém que o empreendimento deveria ser construído num sítio central da vila, e que o edifício deveria ter a forma e o aspecto aproximado do que actualmente tem o edifício do Hotel Tivoli do Porto, que se situa na zona do Foco, e é o local escolhido pelo Futebol Clube do Porto, para as suas concentrações, sempre que joga na invicta.
Começando pelos espaços exteriores: a escadaria, constituída por quatro lanços de cinco ou seis escadas, e outros tantos patamares de alguns metros de extensão, cada um, tem início nas margens do ribeiro, no entroncamento da Praça da República com a estrada da Raposeira, toda construída em granito, ladeada de grandes e belas floreiras, e algumas árvores exóticas, que dão continuidade ao bosque de carvalhos, austrálias e alguns pinheiros, que se estende até às proximidades do entroncamento das Acácias.
Do cimo da escadaria já se disfruta de uma vista bem agradável sobre o jardim da Praça da República e a imponência do mosteiro e das torres da igreja de S. Miguel. Esta serve de acesso pedestre. Para acesso automóvel de ligeiros, tem o arruamento antigo, que vai desde as Acácias. Para todo o tipo de veículos, inclusive autocarros, mesmo de dois pisos, há o novo arruamento, uma via larga, tipo avenida, que parte do fim da recta de Conselheiros.
No que respeita à construção, houve quem defendesse a hipótese de ser recuperado o velho edifício onde funcionou o antigo hospital da Misericórdia e, mais recentemente, o posto da GNR. Sempre fui de opinião que não seria a melhor solução. O sítio sim, esse era, como continua a ser, bom, agora a velha carcaça do antigo hospital, não tinha qualquer valor arquitectónico que justificasse a sua integração no conjunto, e ficaria sempre um arremedo de qualquer coisa que não era nem velho nem novo.
A solução encontrada foi, em minha opinião, a melhor. Trata-se de um moderno edifício, de aspecto e cores sóbrias, perfeitamente enquadrado na paisagem. A construção parece ser da melhor. Os espaços estão a preceito. Tem dois pisos abaixo do rés-do-chão, destinados a parqueamento, com cerca de cem lugares. No rés-do-chão tem a recepção e o lobby, muito bem concebidos, em termos de espaço e enquadramento, um amplo salão, com divisórias amovíveis, que pode funcionar como restaurante e sala de reuniões simultaneamente, ou só restaurante, ou só sala de reuniões, é um espaço polivalente. Tem ainda três pequenas divisões para reuniões de carácter mais limitado e reservado.
Acima do rés-do-chão são três pisos, em forma de pirâmide cortada. No primeiro piso tem vinte quartos duplos. No segundo dezasseis, também duplos. No terceiro tem oito singles e uma suite, a chamada suite presidencial. Não há dúvida que a concepção, no que respeita à distribuição dos quartos pelos três pisos, está perfeita, os singles estão todos no último, juntamente com a suite presidencial. Na verdade, o presidente viaja sempre acompanhado por um razoável número de assessores e, por norma, todos ficam em quartos individuais, daí a localização de todo este tipo de divisões no mesmo piso, e no último, é mais sossegado, mais distante das movimentações e dos ruídos.
Dos dois andares superiores, desfruta-se de uma bela panorâmica, sobre toda a bacia da região de Basto. Vê-se o monte da Senhora da Graça, os aero geradores da serra do Alvão e o prumo do Nariz do Mundo, que fica nas proximidades de Moscoso.
Foi inaugurado há dois meses. O presidente da República, embora convidado, declinou o convite, talvez por estar na fase terminal do seu segundo mandato. Foi pena porque ficou por inaugurar a suite presidencial. Veio, em sua substituição, o secretário de estado da tutela, que por sinal estava acompanhado de uma mulher muito bonita e muito bem vestida. Pensa-se que não seria a sua mulher, talvez a secretária. Não houve quem se desse ao trabalho de indagar sobre a relação entre ambos, se seria familiar, ou de trabalho. O certo é que ninguém utilizou a suite presidencial. Aguarda-se que venha a ser utilizada, em primeira mão, pelo novo Presidente da República.
À data em que escrevo este texto, já se passaram dois meses sobre a inauguração do hotel. As informações disponíveis apontam para um índice de ocupação entre os vinte e os cinquenta por cento, nos dias que decorrem de segunda a sexta, e sempre esgotada aos fins de semana. Excepcional! Foi exactamente o que eu previra quando realizei o meu pequeno e simples pré-estudo de mercado.

Aviso (caution): em particular para todos aqueles que me lêm além fronteiras. Não confundam hotel de sonho com sonho de hotel!

Por: José Costa Oliveira

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