Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-11-2005

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (59)

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BANDOS, BANDIDOS E OUTROS

Trata-se de um conjunto de vocábulos, abundantemente utilizados por alguns dos candidatos, e divulgados com especial ênfase, por uma significativa parte dos órgãos de comunicação social, durante a última campanha eleitoral para as autarquias locais.
Ao dr Francisco Louçã cabe a autoria do adjectivo “bandidos”. Houve também quem os apelidasse de bando dos quatro. Foram usados ainda outros termos, que parecem de menor importância. De qualquer modo, toda esta nomenclatura visou quatro figuras, do nosso xadrez político, de âmbito local. Eram elas o dr Isaltino de Morais, candidato à câmara de Oeiras, o major Valentim Loureiro, candidato à câmara de Gondomar, a dra Fátima Felgueiras, candidata à câmara de Felgueiras e o sr Avelino Ferreira Torres, candidato à câmara de Amarante.
Todos eles se apresentavam com um factor de descrédito comum, que era o de terem problemas pendentes com a justiça. Uns mais evidentes que outros. Os casos de Isaltino de Morais e de Fátima Felgueiras pareciam mais flagrantes, porém, pode muito bem tratar-se apenas de uma simples impressão. Por outro lado, nenhum deles foi ainda condenado, pelo que podem muito bem ser todos inocentes dos crimes de que são acusados. Quanto a isto ficarei por aqui.
O dr Francisco Louçã chamava-lhes bandidos, apenas pelo facto de concorrerem à revelia dos partidos a que antes tinham pertencido, ou ainda pertenciam, mas não eram pessoas gratas no seio dos mesmos, e outro ainda porque ia disputar um concelho diferente, muito embora fosse o seu concelho de naturalidade.
Antes de prosseguir, cumpre-me deixar aqui uma pequena achega quanto aos termos que reproduzi no início deste texto. Tanto a palavra bandos, como a palavra bandidos, penso que toda a gente sabe perfeitamente o que significam, se bem que, no que concerne a bandidos, há bandidos maus e bandidos bons, veja-se o exemplo do Zé do Telhado, ainda muito recentemente seriado na RTP. Porém, quando se fala em bando dos quatro, ou camarilha dos quatro, são termos que encerram uma fortíssima carga ideológica.
O bando dos quatro foi um grupo de quatro políticos chineses, que marcaram a vida da República Popular da China, na década que decorreu entre 1966 e 1976, e coincidiu com os últimos dez anos de vida do presidente Mão Tse Tung. Foi o período da chamada revolução cultural chinesa, e as individualidades que formaram o grupo foram: Jiang Quing, esposa do presidente Mao, Zhang Chunquiao, Wang Hongwen e Yao Wenyuan.
Imediatamente a seguir à morte do presidente Mao Tse Tung, em nove de Setembro de 1976, todos os membros do grupo foram detidos, sob a acusação de terem promovido os excessos da revolução cultural, e de ambicionarem tomar o poder. Os dois primeiros foram condenados à morte, tendo posteriormente a pena sido reduzida a prisão perpétua. Os dois últimos foram condenados a vinte anos de prisão.
Voltando de novo à parte que me parece mais importante evidenciar neste escrito, que é meditar um pouco sobre a atitude do povo em circunstâncias especiais, e o que significam os partidos, e o que é que os eleitores retiram dos actos judiciais… Parece-me, muito sinceramente, que algo não bate muito certo. A verdade é que os resultados foram espectaculares.
Todos os candidatos rebeldes, excepto um, e a contas com a justiça, que repito, podem estar todos inocentes, ganharam as respectivas câmaras com folgadas margens, sobretudo em confronto com as votações dos partidos de que se auto-determinaram.
A excepção foi o caso do senhor Ferreira Torres que, em Amarante, não conseguiu o objectivo que se propôs. Convenhamos que, muito embora seja a terra da sua naturalidade, neste momento apresentava-se como um forasteiro e com elevado índice de arrogância, pretendendo instaurar em Amarante a política que prosseguira no Marco de Canaveses, e que, a avaliar pelas notícias da comunicação social e pelos processos que traz pendentes atrás de si, não abonam grande coisa em seu favor.
Retive a frase proferida, na altura da proclamação da vitória, pelo presidente reeleito dr Armindo Abreu “O sr Ferreira Torres não ganhou porque o PS não deixou”. Muito francamente, penso que o dr Armindo Abreu, ao pronunciar esta frase, foi aquilo que usa chamar-se de politicamente correcto. Eu penso que a frase a proferir deveria ter sido outra: “O sr Ferreira Torres não ganhou porque quem acredita no trabalho feito pelo dr Armindo Abreu não deixou”. Eu estou convencido disso. O povo de Amarante votou no dr Armindo Abreu, pela mesma razão que os de Felgueiras, Gondomar e Oeiras, votaram nos candidatos que, naqueles municípios, acabaram por vencer.
A questão fundamental é que, em boa verdade, e no que respeita ao poder local, primeiro estão as pessoas.

Por: José Costa Oliveira

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