Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-11-2005

SECÇÃO: A nossa gente

José Miguel Almeida B. Martins Barroso
Um fisioterapeuta na alta competição desportiva

Embora residente em Fafe, José Miguel A.B. Martins Barroso, é um cabeceirense incondicional, não só porque tem em Cabeceiras de Basto toda a sua família materna e paterna, mas, também, porque é aqui que passa a maior parte dos seus momentos de lazer e tem os seus melhores amigos.
Conta 26 anos, é solteiro e ocupa um lugar destacado no Departamento Médico do Vitória de Guimarães onde é fisioterapeuta da equipa sénior deste clube, que disputa, como se sabe, a Primeira Liga de Futebol Profissional de Portugal.

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Há dois anos e meio recebeu o convite para entrar nas lides da alta roda do futebol profissional num serviço destinado a tratar da saúde de atletas da alta competição, função que considera gratificante e técnica e cientificamente realizadora.
Gosta da sua profissão porque sente que, a partir dela, é mais fácil estar ao lado dos que sofrem, ajudar e ser solidário com as pessoas que procuram os seus cuidados.

Profissão com componente solidária

“É verdade! Esta profissão dá-me um gozo muito especial por saber que estou a ajudar as pessoas a aliviar e a tratar os seus sofrimentos físicos. A actividade exige um forte sentido de humanismo e de solidariedade com o qual me identifico e me dá prazer. Foi por isso que eu não quis seguir a carreira de Gestão dos Recursos Florestais, de que tirei o curso no Instituto Superior de Bragança. Depressa me apercebi que o que me interessava era um curso mais relacionado com os problemas mais imediatos das pessoas. Foi o que fiz ao matricular-me no Instituto Piaget, em Macedo de Cavaleiros onde tirei o bacharelato de Fisioterapia, estando, presentemente, a fazer a licenciatura no ISAV, na Póvoa de Lanhoso”.
Reparte o seu trabalho pelo Vitória de Guimarães e ainda no Hospital da Misericórdia de Riba D’Ave, instituição na qual exerce também tarefas ligadas à sua especialidade.
“Durante as manhãs estou no Departamento Clínico do Vitória de Guimarães e nas tardes trabalho no Hospital de Riba D’Ave onde ajudo a tratar as mais diversas patologias de que são portadores os pacientes, principalmente do foro neurológico e muscular, como é o caso dos AVC’S, lombalgias, roturas, próteses e doenças crónicas.”

A difícil missão de recuperar atletas

Num clube de futebol de alta competição o papel de fisioterapeuta é, certamente, mais exigente e a sua acção sofre, muitas vezes, grandes pressões, por forma a exigir-se o possível e o impossível para recuperar um atleta lesionado em tempo record.
“Isso é próprio das contingências da profissão, do futebol e da própria realidade dos clubes que possuem atletas no desporto de alta competição.
Se um determinado atleta sofre uma lesão e a importância e valor no xadrez da equipa são considerados decisivos para a obtenção de resultados positivos, é natural que as expectativas de uma recuperação rápida criem um ambiente de alguma tensão e angústia. Só que ninguém faz milagres e, por isso, o trabalho do médico, dos enfermeiros e dos fisioterapeutas faz o seu percurso normal em função de cada caso concreto e do diagnóstico feito.”
Concretamente a função de um fisioterapeuta, é exercida e direccionada sempre na recuperação da melhor condição física dos atletas, neste caso de jogadores de futebol profissionais, com exigências muito específicas.

As lesões musculares mais frequentes

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“ É exactamente assim. Todos os jogadores recebem massagens de recuperação diárias, fazem trabalho de campo e, se necessário, são aplicados métodos de recuperação no ginásio. No tratamento de lesões utilizamos ainda fármacos adequados e equipamentos de alta tecnologia, como sejam a electroterapia, os ultras sons, as ondas curtas, as micro-ondas, o laser e a hidroterapia. Isto sem falar no uso das técnicas manuais que são muito importantes nesta função.”
E sobre as lesões mais vulgares nos atletas sublinha.
“Para cada lesão é definido um tratamento específico. As mais frequentes são as distensões e roturas musculares, as contusões e entorses. As roturas ocorrem nas fibras musculares, as distensões são alongamentos exagerados dos músculos, as contusões surgem de pancadas fortes nos tecidos de que advêm hematomas dolorosos e os entorses decorrem de estiramentos dos ligamentos das articulações dos tornozelos ou dos joelhos. Uma das lesões mais graves e de tratamento prolongado que afecta os atletas é a chamada pubalgia que atinge os músculos da púbis, ou seja as cadeias musculares interiores daquela zona do abdómen.”
Pelas suas mãos já passaram dezenas de atletas que jogam ou jogaram no clube alvi-negro da cidade berço.
“Sim. Desde há duas épocas que estou no Vitória já tratei, ou simplesmente massajei todos os atletas que ali estiveram e estão actualmente. Dos que saíram destaco o Nuno Assis, o Silva, o César Peixoto, o Marco Ferreira e o Romeu. Dos que continuam, o Cléber, o Rogério Matias, o Benachour ou o Dragoner, entre outros. Posso dizer também que tenho uma boa relação de amizade com todos eles incluindo os estrangeiros.”

O Vitória de Guimarães é um grande clube

Afirmando que vai prosseguir com empenho a profissão que o apaixona e, se possível, sempre ligado ao desporto e, neste caso, ao Vitória de Guimarães, José Miguel Barroso não descura, porém, a hipótese de um dia conseguir a “ transferência” para um clube dos “grandes”.
“Não penso nisso para já. Ainda estou no início de uma carreira e sei bem das dificuldades que há a vencer para ter sucesso na actividade de fisioterapeuta desportivo. Sinto-me bem no Vitória de Guimarães, que é um grande clube e é aqui que gosto de estar. Tratam-me bem, o ambiente de trabalho e de companheirismo e relacionamento com os colegas e responsáveis é excelente, pelo que só em condições excepcionais é que sairia deste clube.”
Sendo um jovem plenamente integrado social e profissionalmente, a sua opinião sobre o futuro é francamente optimista.
“Sou daqueles que acreditam num futuro melhor e nas capacidades humanas para transformar o presente. É, aliás, nos jovens que reside o maior capital de investimento na criação de um mundo novo. Eu que sou jovem e conheço muitos outros jovens tenho grande confiança no seu contributo e na vitalidade que darão à construção do futuro. Eu julgo que a juventude actual está bem e recomenda-se. Podemos, pois, confiar nos jovens e nas suas potencialidades. Temos é que acreditar mais e dar-lhes todas as oportunidades possíveis.”

A juventude está bem e recomenda-se

Relativamente à forma como vê o progresso de Cabeceiras de Basto diz-nos.
“Está, sem dúvida, no caminho certo. A situação é bem diferente da de anos atrás! Os comentários que ouço quando me apresento como cabeceirense são muito elogiosos e extremamente favoráveis ao trabalho que tem sido levado a cabo no concelho.
Se o desenvolvimento continuar ao ritmo actual, Cabeceiras de Basto criará condições para se transformar numa terra próspera e com qualidade de vida. Os equipamentos colectivos, as iniciativas sócio-económicas e culturais, a criação de infraestruturas e as políticas seguidas pela Autarquia de recuperação e preservação do património e da juventude constituem, igualmente, uma mais-valia que tem dado ao concelho um impulso extraordinário. “
Compenetrado nas afirmações que ia fazendo ao longo da conversa e demonstrando uma personalidade de quem sabe o que quer e o terreno que pisa, o entrevistado de hoje deixou-nos uma mensagem clara de querer, de responsabilidade e de confiança no futuro que, acreditamos, não seja uma excepção, mas antes uma regra reconfortante.

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