Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-05-2014

SECÇÃO: Informação

Armindo Nunes

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‘Ser Maestro da Banda Cabeceirense é um orgulho’

Maestro há mais de 46 anos, Armindo Nunes, aposentado do Exército, dirige a Banda Cabeceirense há cerca de uma década. Com 75 anos de idade, o seu percurso de vida é marcado pela dedicação à música, tendo em tempos frequentado o Conservatório e concluído o curso de regente e flauta.
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Natural de Tarouquela, Cinfães, Armindo Nunes, ingressou na Banda Militar do Porto aos 17 anos. Fez o percurso Militar. Mais tarde tomou conta da Banda de Tarouquela à qual esteve ligado durante 12 anos. Passado esse tempo, surgiu a oportunidade de dirigir Banda da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) onde permaneceu também 12 anos. De lá, passou para a Banda de Vilela, que dirigiu igualmente 12 anos.
Em 2004 foi convidado para regente da Banda Cabeceirense, convite este que aceitou e onde permanece até hoje, ensinado várias gerações. A sua dedicação, os ‘bons músicos’ que dirige e os apoios da população e das instituições locais, ajudaram-no a transformar a quase bicentenária Banda Cabeceirense numa das melhores filarmónicas da região e do país.
Sábado, 10 horas da manhã. A Casa da Música de Cabeceiras de Basto, localizada no edifício da antiga cadeia das Pereiras, em Refojos, abre as portas para mais um dia de aulas coordenadas pelo senhor Armindo Nunes que semanalmente ensina dezenas de crianças e jovens que frequentam a Banda Cabeceirense.
São cerca de 20 as crianças presentes na sala. Ainda meias sonolentas começam a solfejar as suas lições. O maestro, atento a cada uma delas, corrige-as quando acha necessário. As aulas são teóricas, a maior parte das crianças e jovens ainda não passaram para as aulas instrumentais. Têm um vasto percurso a percorrer. A escolinha da Banda Cabeceirense tem-se revelado ao longo dos anos como um verdadeiro ‘viveiro’ de músicos, que uma vez iniciados nesta filarmónica têm, muitos deles, abraçado a carreira musical distinguindo-se aquém a além-fronteiras.
Armindo Nunes sente-se feliz por coordenar a Banda Cabeceirense. “Quando cheguei à Banda, o contrato inicial era apenas de um ano, mas gostei tanto das pessoas e do ambiente que estou aqui há 10 anos”, referiu.
Ao longo da conversa, o Maestro confessou: “quando me convidaram fiquei com um pouco de receio porque vinha substituir um senhor que era professor e advogado, mas até hoje tudo correu bem”. E acrescentou “seja em que sítio for, eu vivo as coisas como se fosse a minha terra”.
Segundo o Maestro, a música é a segunda arte mais difícil do mundo, motivo pelo qual merece um certo respeito “e é esse o respeito que eu lhe dou” disse emocionado, acrescentando que, a Banda Cabeceirense estando situada onde está, faz muito, em relação a outras que estão melhor localizadas a nível nacional. As escolinhas têm tido mais adesão, nos últimos dois/três anos. Os jovens têm procurado mais a Banda, talvez pelos concertos que são dados e pela fama que tem vindo a alcançar.
A juventude aprende melhor, é mais fácil trabalhar com crianças do que com adultos. As crianças captam mais rápido, “Sendo amadores temos de nos respeitar como pessoas e é isso que eu tento preservar aqui na Banda”.
Nestes 10 anos que estou aqui o concerto que eu mais gostei foi tocar na Casa da Música do Porto, em 2011, porque ninguém estava à espera que conseguíssemos tal feito. Quando me convidaram eu fiquei muito entusiasmado. Eu e o grupo. Outro dos concertos que destaco foi quando tocamos em Lisboa, no 5 de Outubro do ano passado, em representação do distrito de Braga.

“Ser Maestro da Banda Cabeceirense é um orgulho”.

"Nunca escondo o nome da Banda onde trabalho. Nunca escondi o nome de nenhuma banda em que trabalhei e “ser Maestro da Banda Cabeceirense é um orgulho”.
As instalações da Banda são muito boas. Não é qualquer Banda que tem um espaço como a Casa da Música para desenvolver a sua atividade como a Cabeceirense.
Armindo Nunes deixou uma mensagem aos jovens que pretendem entrar para a Banda “aos que querem entrar que sejam bem-vindos”. Aos que estão, desejo “muitas felicidades para a continuação da sua vida na música”.
No final da conversa com o Ecos de Basto, Armindo Nunes não quis deixar de agradecer ao Eng.º Joaquim Barreto, anterior Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, por todo o apoio que lhe deu. “Nunca me faltou com nada, mostrou-se sempre disposto a ajudar. Tenho muita consideração por ele”, concluiu Armindo Nunes.


Lara Marques - 6 anos

Eu gosto muito de andar na Banda. Gosto muito do senhor Nunes. Ainda não sei bem que instrumento quero tocar, há tantos… Já aprendi que música é a arte de exprimir sentimentos e expressões por meio de sons. Quero continuar aqui.

João Costa - 9 anos

Quero tocar trompete. Ainda não toco porque só ando na Banda há seis meses.
Gosto muito de andar aqui. Acho que o senhor Nunes ensina muito bem.

Ângela Santos - 15 anos

Ando a aprender há quatro anos, mas participo nas festas há três. Toco trompete porque sempre foi um instrumento que me fascinou.
Estas aulas são muito boas, para quem gosta mesmo de música aprendemos várias coisas.
O senhor Nunes ensina-nos muito. Gosto muito de andar na Banda Cabeceirense.

Rui Maio - 18 anos

Entrei para a banda há seis anos. Toco saxofone. Entrei porque o meu irmão sempre gostou muito de música e estava constantemente a dizer para vir, então resolvi experimentar.
Escolhi saxofone na altura porque gostava do som. Não pretendo seguir música como profissão, apenas como um hobbie. A música é muito importante na minha vida. O ambiente é sempre bom. Quanto ao senhor Nunes, não sei como é que ele tem tanta energia. É muito boa pessoa, espero que ele continue connosco.
Ao entrar para a Banda ganhei muitas amizades, conheci vários sítios, muitas pessoas novas.
Gostei muito de atuar na Casa da Música, no Porto.

Pedro Pires - 15 anos

Faço parte da Banda há 6 anos, toco trompete. Entrei para a Banda Cabeceirense porque é da minha terra e gosto muito de cá andar.
A nossa Banda tem muitos jovens, é muito bom. O ambiente é agradável. Durante estes seis anos tem entrado muitos jovens. Para além da Banda frequento a Escola Profissional de Música, em Famalicão. Quero seguir música como futuro profissional. Foi na Banda que comecei. Foi o senhor Nunes que me ensinou muitas coisas. É uma pessoa espetacular, esperamos que ele continue connosco.

António Teixeira - 68 anos

Entrei para a Banda Cabeceirense com 15 anos. Iniciei com o saxofone alto e agora toco saxofone tenor. A Banda está com um nível muito superior ao de antigamente. As condições são outras e há cada vez mais adesão por parte dos jovens. Em relação ao nosso maestro acho que é uma pessoa muito respeitável e com muita paciência. A Banda é uma família, toda a gente gosta muito de cá andar. Quando estamos a ensaiar o tempo passa a correr. O concerto que gostei mais de tocar foi na Casa da Música, no Porto. Tem ótimas condições acústicas.
É muito bom fazer parte duma Banda tão importante como a nossa.
































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