Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2014

SECÇÃO: Entrevista

Paulo Guerra elege pessoas como prioridade do seu mandato

Paulo Guerra - presidente da Junta de Freguesia de Cavez
Paulo Guerra - presidente da Junta de Freguesia de Cavez
Paulo Guerra é empresário da construção civil e foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Cavez nas últimas eleições autárquicas de setembro de 2013 pelo Movimento ‘Independentes por Cabeceiras’ (IPC).
Nasceu em França mas assentou raízes no lugar do Esturrado, freguesia de Cavez, com apenas 2 anos de idade. Veio com os pais e aí continua. Tem hoje 44 anos, é casado e pai de duas meninas – Cecília de 11 anos e Gabriela de 6 anos.
É presidente do Grupo Desportivo de Cavez há 12 anos e treinador há 10, integrando também a direção dos Bombeiros Cabeceirenses. Fez ainda parte do Conselho Económico da Paróquia de Cavez.
Paulo Guerra foi jogador de futebol (guarda-redes e capitão do Grupo Desportivo de Cavez), modalidade esta que é uma das suas paixões porque, segundo afirma, “é um desporto coletivo que impulsiona a convivência entre todos”.
O que na realidade o preocupa “e que deveria preocupar todos os autarcas” são as pessoas e, por isso, a sua prioridade são os cidadãos e os seus problemas.

Ecos de Basto (EB): Assumiu a presidência da Junta de Cavez há pouco mais de 4 meses mas a Assembleia de Freguesia demorou algum tempo a ser instalada. Por que razão?
Paulo Guerra (PG): Nós não estávamos habituados a esta situação de termos duas listas que interferissem na votação (PS/IPC) e achávamos que quem ganhava governava porque não tem muita lógica ser Junta e oposição ao mesmo tempo. Nós não ganhámos com a maioria mas com um voto da oposição conseguimos formar a Junta.
Inicialmente, pensámos que só eu podia propor a Assembleia porque fui eu que ganhei as eleições. Como a nossa proposta não foi aprovada, eu não podia propor ninguém da oposição porque não tinha falado com eles.
Numa segunda fase, quando ainda defendíamos que só eu podia propor a Assembleia, nós propusemos aquele que achávamos que podia ser o presidente da Assembleia de Freguesia e convidámos também uma pessoa do PS e outra do PSD mas não chegámos a acordo.
Mais tarde, fomos buscar o nosso regimento que dizia que a oposição também podia apresentar uma lista, o que resultou em duas listas a votação para a Assembleia de Freguesia e a oposição (PS) ganhou.
Não foi um processo fácil e o ambiente não foi o melhor mas eu respeito toda a gente e serei presidente de Junta para todos de igual forma.
EB: Qual foi a primeira decisão/medida que tomou enquanto presidente de Junta?
PG: Ainda só com a Junta de Freguesia formada, a nossa primeira ação foi a limpeza do cemitério.
EB: Que balanço faz destes 4 meses de trabalho?
PG: O que realmente correu melhor foi a limpeza do cemitério, por ocasião do Dia de Todos os Santos, onde foi utilizado um método diferente e fizemos realmente um bom trabalho. Foi tudo limpo e foi um trabalho que nos deu gosto. Fizemos também um almoço com os idosos por ocasião do Natal e foi muito gratificante ver a satisfação e a felicidade daquelas pessoas que se juntam, algumas delas, uma vez por ano. Foi um sucesso.
Devo dizer também que esta não foi uma ideia minha. Já vinha da Junta anterior e foi um continuar do trabalho realizado porque sempre considerei que esta era uma das melhores iniciativas organizadas pela Junta de Freguesia de Cavez.
EB: Quando chegou à Junta de Freguesia encontrou um saldo positivo?
PG: Sim. Há que realçar que, ao contrário de outras freguesias, quando chegámos à Junta tínhamos saldo positivo e o dinheiro chegou para pagar as despesas até à tomada de posse.
EB: Quais são os seus principais objetivos/desafios para este mandato de 2014/2017?
PG: Eu não posso prometer aquilo que não posso cumprir e, sem qualquer ironia, o meu grande objetivo são as pessoas. O que realmente me preocupa neste momento e que deveria preocupar todos os autarcas são as pessoas. Nós temos algumas situações de miséria extrema. Hoje há roubos na freguesia em pleno dia e isso preocupa-me muito e tenho medo de não conseguir fazer mais por aquelas pessoas que estão, neste momento, necessitadas.
Há também casais onde nenhum dos elementos trabalha e têm filhos na escola, o que é dramático.
Há uma falta de trabalho incrível, os maiores empregadores da zona têm menos trabalho e todos estão a perder com isso, desde as famílias aos estabelecimentos comerciais.
Outro dos objetivos é manter o Posto de Saúde e alargá-lo, se for possível, a mais dias por semana e a mais pessoas e, para isso, temos efetuado diligências importantes nesse sentido.
Estamos também a encetar esforços para que o autocarro que vem de Gondiães passe junto ao Posto de Saúde, no centro da freguesia.
É também nossa preocupação manter o multibanco e, pela primeira vez, no dia 1 de março, vamos reunir todas as pessoas, nomeadamente empresários da terra, para discutirmos algumas situações relevantes para a freguesia. Não se percebe que Cavez não tenha um banco e um multibanco de graça. Também sempre defendi a criação de um Parque Infantil para as nossas crianças.
EB: E em relação ao Programa Eleitoral?
PG: Assumimos a Junta de Freguesia numa das alturas mais delicadas pois esta é a pior crise dos últimos 20 anos. Não temos os mesmos meios financeiros de outrora mas temos de ter força de vontade porque as coisas têm de ser feitas, se não for de uma maneira será de outra.
Prometer que vamos fazer estradas ou que vamos alcatroar tudo e mais alguma coisa não, pois não podemos.
O que para nós é também funda-mental é a colaboração com as associações e para tal pretendemos apoiar as coletividades e estimular o seu dinamismo. E, como já disse, a nossa prioridade são as pessoas e os seus problemas e para isso temos de fazer avaliações caso a caso.
Carenciadas estão já muitas famílias mas há situações de pobreza extrema e é isso que temos de ter em atenção. Há casos que mexem profundamente comigo.
EB: Quais são as principais necessidades da população?
PG: Continuo a dizer que as necessidades da população são, sobretudo, ao nível do emprego e as consequências que a sua inexistência provoca. Contudo, temos de ter também em consideração a situação da água e da recolha do lixo.
Temos também a questão do saneamento que, neste momento, está atrasado devido a um conjunto de situações mas é uma necessidade e as pessoas também estão tristes com o estado das estradas. Dá um mau aspeto à nossa vila.
Por outro lado, devíamos apostar cada vez mais no turismo porque a freguesia e vila de Cavez é aquela que traz mais gente ao concelho devido à Pista de Pesca Desportiva. Consideramos que este é um bom equipamento e que pode ser melhor explorado pois tem enormes potencialidades mas, no momento atual, não podemos fazer grande coisa devido à questão da barragem de Daivões que condiciona a Pista de Pesca.
A colaboração que temos com a Câmara Municipal é uma boa colaboração. Eu sou presidente de Junta há pouco tempo e quero que a Câmara seja compreensiva comigo, assim como eu quero ser compreensivo com a Câmara. Sei que sou o recordista dos ofícios mas não quero que vejam os meus ofícios como uma forma de melindrar quem quer que seja. Esta é a minha função: a de alertar e de informar para esta ou aquela situação e não quero que encarem os meus ofícios como uma forma de eu dizer que está tudo mal. Não.
EB: Sabemos que ao longo dos últimos 20 anos, sob a chancela do PS, foram investidos na vila de Cavez mais de 3 milhões de euros. Que balanço faz da obra feita em Cavez nestes últimos anos? Que obras emblemáticas destaca?
PG: O Centro Comunitário foi um bom investimento, juntando aqui as associações, os Correios, o Posto de Saúde e a Junta de Freguesia.
A Pista de Pesca Desportiva é também um bom equipamento, que podia estar melhor aproveitado, mas não deixa de ser uma grande obra que trouxe muita gente a Cavez mas o concelho devia ter-se esforçado um pouco mais ao nível deste tipo de turismo que é muito importante para a economia local.
O Pavilhão Desportivo já se justifica menos do que aquilo que se justificava mas temo-lo cá e é para manter. Mas se nós estamos num meio mais interior deveríamos ter preços melhores para atrair mais pessoas. Também consideramos que o aluguer do pavilhão deveria ser feito na Junta de Freguesia de Cavez para evitar que as pessoas tenham de se deslocar até à vila de Cabeceiras de Basto. Posso dizer que, entretanto, já fizemos algumas diligências para dinamizar o pavilhão desportivo.
EB: Fez parte da Assembleia de Freguesia de Cavez no passado e temos informação de que houve obras que não chegaram a ser concluídas. Vai, agora, como presidente de Junta dar continuidade a essas obras?
PG: Nós temos uma obra numa estrada – Rua do Pedral – que, no momento atual, não tinha necessidade de ter sido aberta e agora temos de resolver a situação. É uma obra da Câmara Municipal mas a Junta contribui naquilo que puder. Mas não queremos, nem será nada feito sem a nossa colaboração e sem o nosso parecer. Não admito outra coisa porque as pessoas, na sua maioria, têm de se pronunciar.
Não é justo da nossa parte estar a pensar em abrir novas passagens/ruas quando é necessário alargar e requalificar outros caminhos já existentes.
EB: E em relação ao Plano de Atividades? É abrangente a todos os lugares da vila?
PG: Nós temos tanques públicos degradados que pretendemos recuperar; temos em vista o arranjo e alargamento de alguns caminhos; a limpeza de contentores e bermas em vários lugares. É um Plano de Atividades abrangente mas devo dizer que a nossa Junta de Freguesia foi assaltada e levaram uma quantia considerável em dinheiro, pelo que ficamos com uma verba inferior para investir onde for necessário.
EB: Quais são as suas prioridades como presidente de Junta?
PG: A minha prioridade são as pessoas. De que vale fazermos seja o que for se não temos pessoas? E é por isso que valorizo as associações porque é nas associações onde as pessoas se juntam. Eu não vou mudar o mundo mas gostava que olhássemos para os indivíduos não como objetos ou por interesse mas como Pessoas.
EB: Esteve ligado durante vários anos ao PS…
PG: Estive 16 anos na Assembleia de Freguesia de Cavez pelo Partido Socialista. Mas digo-lhe aquilo que já disse ao presidente da Câmara, em conversa. Neste momento eu não sou do PS, nem do PSD, nem de nenhum movimento Independente. Eu sou da minha freguesia e o meu interesse é defender os interesses da freguesia até ao limite. E neste momento quero, acima de tudo, respeitar porque não é de bom tom estar aqui a dizer mal e a fazer críticas. Se eu saí é porque houve coisas que não me agradaram e posso falar disso um dia destes mas não agora.
EB: Quer acrescentar mais alguma coisa?
PG: Entristece-me o facto de não termos ainda concluída a Zona Industrial pois somos, porventura, a vila com mais empresários por metro quadrado, onde temos, no perímetro de Cavez, 7 das 10 maiores empresas do concelho de Cabeceiras de Basto ao nível do volume de negócios.
Também não se percebe como é que uma vila como a nossa não tem o Posto de Saúde a funcionar a tempo inteiro quando temos aqui ao lado a freguesia de Gondiães, cujos habitantes têm de fazer 82 km para se deslocarem até Cabeceiras de Basto, em estrada sinuosa. Na minha opinião devíamos fazer com que as pessoas que estão mais longe da sede da vila chegassem com mais facilidade ao Posto de Saúde e podíamos ter o nosso posto a funcionar cinco dias por semana porque estamos mais próximos da população de Gondiães.
Compreende-se mal o facto de termos uma estrada sinuosa e perigosa, que vai de Moimenta para Gondiães, e não a melhorarmos pois, devido às pedreiras que aí estão localizadas, esta estrada traz-nos desenvolvimento.
Cavez tem potencialidades turísticas fora do vulgar e temos capacidade para impulsionar estas potencialidades.
Também gostava de ver a floresta melhor aproveitada ao nível dos recursos pois o potencial das árvores traz mais riqueza. Não é por acaso que ao longo de muito tempo foram feitas obras em Arosa, Moimenta e Rabiçais com o apoio dos Conselhos Diretivos de Baldios e isso significa que havia dinheiro. Acredito que se a requalificação das florestas estiver melhor, melhor poderão ser apoiadas as populações desses lugares.













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