Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Informação

Igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos

Pintura representa o S. Miguel e Santíssima Trindade
Pintura representa o S. Miguel e Santíssima Trindade
Tela de grandes dimensões descoberta em 2013 cobre tribuna do altar

As obras no altar-mor da Igreja de S. Miguel de Refojos foram concluídas com a colocação da pintura de grandes dimensões – 8 metros por 3 metros – na tribuna do altar, uma tela que foi descoberta em 2013 e cujo aparecimento motivou o tratamento desta obra, bem como possibilitou uma intervenção no altar-mor da Igreja de S. Miguel. Trata-se de uma intervenção promovida pela paróquia de S. Miguel de Refojos que conta com o apoio da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.
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De acordo com o padre Manuel Quinta “a tela foi encontrada no meio de lixo e ninguém tem memória desta obra”. No último inventário que foi realizado pela paróquia também “não há registo desta pintura mas sabia-se que no passado ela teria existido devido ao encaixe presente no altar”, que se assemelha a outros altares onde também existe uma tela, explicou o pároco.
A pintura “foi descoberta por acaso em 2013 e na altura decidiu-se logo avançar para os trabalhos de restauro da tela porque corria-se o risco de se perder para sempre. No meio desta relíquia que é o altar-mor, a pintura ainda o vai valorizar muito mais”, disse.
Porque não fazia sentido restaurar a tela e colocá-la novamente no meio do lixo, procedeu-se a um trabalho de limpeza e tratamento de madeiras, tendo sido montada uma estrutura em inox, onde a tela foi encaixada.
“Temos pena de não podermos fazer mais nesta altura mas as verbas são muito limitadas”, lamentou o padre Manuel Quinta, referindo que “todo o altar está a necessitar de uma intervenção”.
O pároco de Refojos de Basto, Outeiro e Painzela desejou poder mostrar a tela “a toda a gente, o quanto antes” para que todos os paroquianos possam conhecer esta pintura que é extrema-mente rica em termos de simbologia, onde está representado o S. Miguel e a Santíssima Trindade.
Os trabalhos de limpeza arrancaram no dia 27 de janeiro e culminaram na primeira semana deste mês de fevereiro com a instalação da calha para a colocação da tela que esteve vários meses em oficina a ser tratada.
O restauro da pintura esteve a cargo das Oficinas Santa Bárbara, uma em-presa com dez anos de atividade na conservação e restauro do património cultural.
De acordo com a Dra. Olga Santa Bárbara, a intervenção no altar-mor iniciou-se com o restauro da referida pintura de grandes dimensões, que cobre a tribuna do altar.
A pintura foi removida da Igreja, levada para a oficina e tratada, tendo sido já colocada no sítio onde vai permanecer, com o auxílio de duas calhas laterais.
“Efetivamente, o espaço da máquina do altar onde ela esteve depositada e onde vai ficar agora guardada, estava com muitos detritos e poeiras acumuladas e achou-se por bem tratar e limpar todo aquele espaço para que, ao movimentar a tela, esta não fique prejudicada com o lixo que estava depositado”, explicou a restauradora.
Iniciaram-se, portanto, os trabalhos de higienização do altar com a aspiração de poeiras, a consolidação e a desinfestação das madeiras que estavam mais atacadas pelo inseto xilófago (inseto que se alimenta de madeira).
“Digamos que esta é uma intervenção de SOS porque era necessário remover muitas madeiras de pinho que foram sendo colocadas ao longo do tempo e que normalmente são essas madeiras que trazem focos de contaminação para as madeiras de castanho originais – estruturas retabulares”, referiu Olga Santa Bárbara, lembrando que foi, ainda, colocada uma cobertura para que as poeiras que se começam agora a depositar não caiam diretamente sobre a tela.

“Há mais de 100 anos não era desenrolada” a tela

A pintura onde está representado o S. Miguel e a Santíssima Trindade demorou três meses a ser tratada. “Estava em muito mau estado de conservação – tinha roturas ao nível do suporte por vincos – e parece-me que há mais de 100 anos não era desenrolada”.
A pintura foi, por isso, alvo de uma planificação, consolidação de policromia, limpeza e lubrificação do suporte, um trabalho orientado pela Direção Regional de Cultura, sublinhou a mesma responsável, indicando que foi também colocado um novo suporte sobre o suporte original, de forma a conferir-lhe mais resistência.
Segundo as palavras de Olga Santa Bárbara, quando a pintura chegou à oficina “não detetámos a assinatura do autor, mas suponho que será uma pintura do século XVIII –
uma mais valia para este Mosteiro”.
Na opinião da restauradora, o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, em termos de obra de talha e escultura, “tem peças e obras de arte magníficas, onde nos sentimos diminuídos com a sua imponência”.

Candidatura a Património da UNESCO

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto irá apresentar, em meados de agosto, a candidatura do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e zona envolvente a Património Cultural da Humanidade.
O Mosteiro de S. Miguel de Refojos tem um valor universal excecional, apre-sentando uma arquitetura de rara beleza, sendo a sua importância social, cultural, histórica e religiosa de “caráter inestimável para as gerações atuais e vindouras”.
Para o presidente da Câmara Municipal, esta candidatura assume especial relevância em termos do “desenvolvimento estratégico” do concelho, uma aposta que China Pereira “espera ganhar”.
O autarca vê a candidatura a Património Cultural da Humanidade como um “contributo muito importante” para impulsionar o turismo cultural, sendo o seu grande objetivo “divulgar este monumento a nível mundial e preservá-lo”.
China Pereira pretende, assim, dar a conhecer à humanidade as especificidades que distinguem o Mosteiro de S. Miguel de Refojos de todos os outros.
Para a restauradora Olga Santa Bárbara a candidatura a Património da UNESCO é muito importante para uma eventual captação de verbas necessárias a solucionar as dificuldades estruturais do Mosteiro, como sejam a entrada de águas e as movimentações do próprio edifício.
“Espero que a candidatura chegue a bom porto porque é extrema-mente importante” para o concelho e para as suas gentes, destacou Olga Santa Bárbara, agradecendo às pessoas que lhe deram “a oportunidade para poder intervir neste património magnífico”.
Nas palavras do pároco Manuel Quinta, “felizmente temos o interesse, por parte da parte da Câmara Municipal, em classificar este monumento e todos temos a ganhar com isso. Todos os cabeceirenses devem ter orgulho neste património que nos foi deixado pelos nossos antepassados”. E concluiu: “a candidatura a Património da Humanidade é uma mais-valia para todos e espero que finalmente comecem a olhar para este Mosteiro e vejam que é efetivamente uma joia que aqui está e que merece ser vista, conservada e divulgada”.





























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