Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-01-2014

SECÇÃO: Informação

Pela câmara

Mosteiro de S. Miguel de Refojos
Mosteiro de S. Miguel de Refojos
Município assume candidatura do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e zona envolvente a Património Cultural da Humanidade

Sob a presidência do Dr. Serafim China Pereira, reuniu no dia 10 de janeiro, no edifício dos Paços do Concelho, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto.
Segundo informação divulgada, dos assuntos tratados, destaque para a decisão, unânime, do executivo municipal em avançar com a concretização e a abertura de procedimentos referentes à candidatura do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e zona envolvente a Património Cultural da Humanidade.
Uma intenção já constante do Plano de Atividades e Orçamento para 2014, agora assumida pelo executivo municipal, cuja apresentação coincidirá com a celebração dos 500 anos do Foral de Cabeceiras de Basto.
Com a abertura de procedimentos, está assim viabilizada a apresentação de uma candidatura cuja natureza requer - além de uma equipa técnica do Município, nomeadamente, arquitetos, historiadores, sociólogos, desenha-dores, entre outros - consultadoria externa capaz de agregar e trabalhar toda a informação por forma a garantir o sucesso da mesma.
Recorde-se que o Mosteiro de S. Miguel de Refojos é um bem patrimonial que pertence a várias entidades e como tal, caberá à Câmara Municipal ao assumir esta candidatura fazer as diligências necessárias para a sua concretização.
O Mosteiro de S. Miguel de Refojos tem um valor universal excecional. Apresenta uma arquitetura de rara beleza e a sua importância social, cultural, histórica e religiosa, reveste-se de um “caráter inestimável para as gerações atuais e vindouras”. “Estamos por isso, na presença de um bem único que importa divulgar e preservar”, assim se lê no documento informativo, que acrescenta “a candidatura do Mosteiro de S. Miguel de Refojos e zona envolvente à inscrição na lista do património municipal da Unesco justifica-se plenamente, uma vez que os estudos e publicações existentes permitirão provar a autenticidade deste bem patrimonial que faz parte da nossa história coletiva. Com a preparação e apresentação desta candidatura, o Município dará também mais um importante contributo para o aprofundamento do conhecimento deste monumento, da perceção do seu valor patrimonial e da sua importância no desenvolvimento da região”.
Recorde-se que os historiadores dão como certo que o Mosteiro Beneditino já existia no séc. XII, não se sabendo ao certo desde quando. No entanto, segundo o Frei Geraldo José Amadeu Coelho Dias, sacerdote beneditino, professor catedrático e investigador, no seu livro ‘O Mosteiro de S. Miguel de Refojos – Joia do Barroco em Terras de Basto’ o monumento tem mais de 300 anos. Segundo o mesmo, “apresenta uma diacronia temporal que acompanha a história do concelho, e, na sua origem, ultrapassa a história de Portugal. É, sem dúvida, pré-beneditino de origem visigoda autóctone, anterior portanto, à fundação da nacionalidade, que, desde 1140, criou o espaço do Portugal, em que nos orgulhamos de ter o nosso berço geográfico”, acrescentando que “O Mosteiro de S. Miguel de Refojos, foi indiscutivelmente, durante muito tempo, o dinamizador e impulsionador do desenvolvimento da região”.
Certo é que final do século XV, o Mosteiro de S. Miguel de Refojos tinha uma enorme importância no conjunto de Mosteiros Beneditinos, sendo mesmo classificado como a “casa grande” da Congregação Beneditina. A sua construção, tal como o vemos hoje, terá sido iniciada nos finais do séc. XVII e concluída no séc. XVIII. Atualmente integram o Mosteiro, a Igreja de S. Miguel de Refojos - única igreja beneditina em Portugal com um zimbório - os Paços do Concelho e o Externato S. Miguel de Refojos.
De referir ainda que nas últimas duas décadas o Município Cabeceirense, realizou diversas intervenções na envolvente, com a reabilitação da Praça da República, a criação do Parque do Mosteiro ou a valorização da Ribeira de Penoutas, espaços que assumem como efetiva a zona de proteção ao monumento beneditino. Foram também, levadas a cabo diversas obras de beneficiação, conservação e manutenção por iniciativa municipal, na Igreja, como a beneficiação do Coro Alto, a recuperação do órgão de tubos, a substituição dos telhados, a requalificação da antiga sacristia, a criação do Núcleo de Arte Sacra, entre outras intervenções realiza-das nos espaços e edifícios contíguos em estreita colaboração com a Arquidiocese de Braga. Mais recentemente a Câmara Municipal recuperou parte das antigas casas de caseiros da Quinta do Mosteiro e ali instalou a Casa do Tempo, centro interpretativo de Cabeceiras de Basto. Atualmente decorrem obras de requalificação dos Claustros onde foram encontrados vestígios de importante valor arqueológico.
Uma vez aprovados e definidos os procedimentos, o Município avança assim com a concretização desta importante candidatura para o concelho de Cabeceiras de Basto.
Apoios concedidos
Nesta reunião, o executivo municipal decidiu apoiar logisticamente a Guarda Nacional Republicana – Posto Territorial de Cabeceiras de Basto, através da disponibilização de mão-de-obra para a execução de trabalhos de manutenção, nomeadamente pintura interior, do seu edifício. Uma decisão aprovada por unanimidade, assim com foi o apoio atribuído à ARS Norte – ACES Ave I – Terras de Basto – Unidade de Saúde Pública, destinado à cedência de dois transportes para deslocações de munícipes ao IPO do Porto, na sequência do rastreio do cancro da mama realizado em Cabeceiras de Basto.

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