Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 18-11-2013

SECÇÃO: Opinião

O CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTO NO NUMERAMENTO DE 1527
II - NOTAS

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Este “Numeramento” não considera os coutos de S. Miguel de Refojos, Abadim e de Santa Senhorinha como unidades administrativas independentes, englobando-os assim no texto dedicado ao concelho. Mesmo a freguesia de Santa Senhorinha não é referida como “couto”, ainda que o mesmo só viesse a ser extinto em 1620. Os outros tinham juiz próprio nomeado pelo proprietário dos coutos, ainda que os escrivães do juízo pudessem desempenhar as funções nas 4 unidades.
O couto de S. Miguel era propriedade do Mosteiro e o de São Jorge de Abadim era pertença de Diogo Lopes de Carvalho, também senhor do Couto de Negrelos (Santo Tirso).

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A primeira freguesia indicada é a de São Nicolau. Curiosamente não era denominada de “Cabeceiras”, como hoje é. É aí a sede do concelho, mais directamente nas Casas da Taipa, “fortes, com muro e torre”, e que eram de António Pereira, que mais tarde vamos conhecer por Marramaque, apelido herdado de seu pai. Esta freguesia de São Nicolau era bastante maior que hoje, porquanto abrangia o território que hoje é de Bucos, que não é referida no Numeramento por não existir.
Também as actuais freguesias de Passos e Vilar de Cunhas não são referidas, pois Passos estava englobada, na sua maior parte, na de São Clemente da Gandarela do vizinho concelho de Celorico; o mesmo acontecia aos territórios da actual Vilar, distribuídos por freguesias vizinhas.
Também a actual freguesia do Arco de Baúlhe não figura no “Numeramento” pois era pertença da Côroa. Curiosamente a maior parte do território estava na margem direita do Tâmega, província de Entre-Douro e Minho; uma parte menor, na margem esquerda do rio, estava já na província de Trás-os-Montes, pertencendo esta parte ao marquês de Marialva.

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Para complicar, os lugares de Calvos e Lagoas, que faziam parte da freguesia de Roças que, com a de Santa Maria de Ladrões (hoje dos Anjos) constituía o concelho daquele nome, serviam-se das justiças do concelho de Cabeceiras.

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A freguesia mais populosa é a de Refojos com o seu couto com 116 moradores. Neles estão englobados os frades do Mosteiro. A segunda é São Nicolau, sede do concelho, com 105 moradores. A terceira em moradores é a de Outeiro, com 77. A mais despovoada é a de Vila Nune com 14. Assim o concelho e seus 3 coutos têm 774 moradores (chefes de família, viúvas e clérigos). A estes acrescentam-se 560 mancebos dos 18 aos 30 anos. Não são contadas as crianças e os jovens até aos 18 anos, mas os estudiosos, calculando para a época que cada família fosse constituída por 4 ou 5 pessoas, daria ao concelho e coutos uma população de cerca de 4.000 habitantes.

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O texto do “Numeramento” não indica a cabeça do concelho, mas o certo é que a freguesia que primeiro é referida é a de São Nicolau, onde vivia o chamado “senhor do concelho”. Assim os coutos teriam a sua sede própria: Abadim no lugar da Torre, o de Refojos nas Pereiras, onde ainda está o seu pelourinho e o de Santa Senhorinha em Olela.

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O “Numeramento” diz “concelho e terra”, sendo esta última indicação de uma das circunscrições em que na Idade Média estavam divididos os territórios subordinados ao Rei e que tinham finalidades administrativas, civis e militares, governadas por um “tenens” (tenente) nomeado pela Coroa.

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Seria assim “tenens” e senhor do concelho D. António Pereira, Marramaque de apelido, dilecto amigo de Sá de Miranda, e que escreveu um ou dois tratados filosóficos e religiosos. Com grande desgosto de Sá de Miranda, deixou a Casa da Taipa e instalou-se na capital.

FIM

* Colaborador

Por: Francisco Vitor Magalhães

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