Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-07-2013

SECÇÃO: Recordar é viver

O meu retorno ao Alto Minho

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Vila Nova de Cerveira, Caminha e Monção

Meus caros leitores, após dois anos decidi regressar às terras que considero a minha segunda casa. Por motivo sobejamente conhecido de todos vós não fui visitar estes lugares que tanto amo, a seguir à minha terra, Cabeceiras de Basto.
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Em quarenta e tal anos, nunca tinha ido para lado nenhum sem a minha companhia, o meu Nelinho Carneiro. Fizemos algumas viagens para fora, principalmente depois dos filhos serem adultos, mas, realmente, o Alto Minho era o nosso local de eleição. Começava em Viana do Castelo e terminava em Melgaço. Isto já há quarenta e tal anos, ainda os meus filhos eram pequeninos e hoje, são pais de filhos entre os dezoito anos e vinte um meses. Estão a ver meus queridos amigos o meu apego profundo a estas terras e às suas gentes que conheço desde então. Era tudo feito a dois! Deus decidiu as coisas de outra maneira, infelizmente! Mas não quero falar de coisas tristes e sim contar a semana nessas lindas terras na companhia do meu neto Francisco.
Este ano, decidi que nestas pequenas férias iria retornar aos nossos locais preferidos. Queria provar, com isso, que seria capaz de me desenrascar sozinha. Pensei e assim fiz! Meti os “pés ao caminho” como quem diz… o carro, levei a companhia do meu neto Francisco de dez anos e lá fomos os dois, fazendo o mesmo percurso, entrando na auto estrada do Arco de Baúlhe, (sim, nós os cabeceirenses, também temos auto estrada) e lá fomos em direcção a Vila Nova de Cerveira, mais concretamente até ao Hotel “Minho Belo”, cujos donos – a professora D. Ester e o senhor José, funcionário aposentado da Câmara de Vila Nova de Cerveira – são os meus amigos há bastantes anos.
Foi com muita emoção que entrei naquele local onde tantas vezes ficávamos! Como sempre, fui recebida muito bem por este casal simpático!
Durante a semana fui intercalando as mini férias com visitas ao património local, nomeadamente aos museus (Aquamuseu do Rio Minho), à Biblioteca e às Muralhas de Cerveira, para que o Francisco saiba um pouco mais da história destas terras sem ser só a vertente da praia e lazer. Este ano vai iniciar o quinto ano e um pouco de cultura geral só lhe faz abrir os horizontes. Já o meu marido tinha por hábito em todas as férias ir sim às praias mas, sobretudo, tinha saber ao pormenor a história do património material e até do imaterial da terra em que ficássemos! Tudo me foi necessário neste meu hobby, a escrita. Fiquei surpreendida com a decoração das ruas principais de Vila Nova de Cerveira. Os moradores, muito orgulhosos das suas praças e das suas ruas, decidiram enfeitá-las de uma maneira pouco habitual mas que deixou todos quantos nelas passavam, maravilhadas pela originalidade. Estavam cobertas, ao longo da rua, com guardas sóis e pendendo das varandas das casas estavam tiras de tecidos de todas as cores. Realmente nunca me lembraria de uma decoração tão original. Eram tantos os guarda sois por cima da rua que, se chovesse, quase ninguém apanhava chuva. Era tudo lindo, lindo!
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O Francisco ficou encantado com o Parque verde e o Aquamuseu do Rio Minho, com a diversidade de várias espécies de peixes nos aquários e o próprio museu que representa a actividade do mar ao longo dos tempos passados. Já o tinha visitado noutras alturas mas, gostei de voltar.
Fui dividindo o lazer entre Cerveira, Caminha, Moledo, Praia de Âncora e naturalmente, Monção (as termas) terra onde vivi desde bebé até cerca dos sete a oito anos com os meus pais, que eram feitores numa quinta, na Valinha, uma freguesia do concelho de Monção.
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Como já vos tenho dito, tenho grande afecto a todo o Alto Minho!
Vou sempre visitar a Praça de Caminha, fazendo a visita costumeira à Igreja lindíssima de Santa Rita de Cássia, uma Santa por quem tenho devoção.
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Visito o café dos meus amigos Alexandre Fernandes e do sócio Tomás Capela. Já os conheço desde o tempo que os meus eram pequeninos e hoje já têm filhos com dezoito anos! Eu fazia campismo no Camarido e desde então já se passaram cerca de quarenta anos. Daí, conhecer muito bem o Alexandre, o Tomás até porque eles foram funcionários na pastelaria “Colmeia”.
Há vinte e um anos que têm um grande espaço em plena praça, local maravilhoso para se relaxar a lanchar, tomar um café com pastéis doces ou salgados e até comer uma pequena refeição. Nesse local maravilhosamente bem posicionado além de provarmos um bom café ou outras coisas podemos apreciar toda a Praça do Chafariz, a Torre do Relógio, o bonito edifício da Câmara Municipal de Caminha que no rés do chão tem umas arcadas. Aproveitei para falar com eles que como sempre me atenderam a mim e aos meus familiares com muito carinho. Fui cumprimentando aqui e ali alguém conhecido e, no fim de semana, apreciei a Feira Medieval que já é famosa em Caminha e em Cerveira.
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As pessoas que têm negócios, durante três dias, entram no espírito da época e trajam a rigor (medievalmente falando) como podem ver pelas fotos que vos mostro.
Há dois anos que não pisava e sobretudo não respirava o ar da Praia de Moledo. No paredão olhei ao longe, e inspirei com força aquele “cheiro a mar” do qual eu tinha tantas saudades! Movida pela tristeza ao sentir a falta de alguém que, pela primeira vez não estava a meu lado, fiz um esforço para não verter as lágrimas que teimavam em cair para não deixar triste o meu neto Francisco.
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Gostei de rever o senhor Júlio e a sua esposa do bar “Café com gelo”! Pessoas simpáticas, respeitadoras que atendiam todos os clientes com um sorriso para todos. Eu e o meu marido já o conhecíamos o senhor Júlio há muito tempo e, sempre foi assim.
Com a chegada dos filhos e restantes netos a meio da semana fiquei mais feliz pelo facto de os ter perto de mim. E aqui para nós, que ninguém “nos ouve”, já não tenho pedalada para correr atrás dum neto de dez anos como tem o Francisco que é cheio de vida de maneira que, com a chegada da tia e dos primos, dividimos as responsabilidades. Apesar da nostalgia, gostei muito do meu retorno à minha segunda terra!
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