Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-06-2013

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (174)

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O REAL MADRID

Há sítios difíceis para se viver. E o Real Madrid parece, sem margem para grandes dúvidas, ser um deles. Que o digam Carlos Queirós, José Mourinho e uns quantos mais que, por razões de espaço e de tempo, não serão lembrados aqui.
Confesso que, durante toda a época que terminou há poucos dias, fui um madrileno de alma e coração. Sempre torci pela equipa dos merengues, fosse no campeonato de Espanha, fosse na taça do Rei, fosse na liga dos campeões europeus. Sem-pre li tudo o que havia para ler, vi tudo o que havia para ver e ouvi tudo o que havia para ouvir. Tudo o que tivesse a ver com resultados e posições classificativas da equipa do Real Madrid me interessou, sobremaneira, ao longo de toda a época desportiva.
As razões foram, como sobressai à evidência, as mesmas de muitos outros milhares, ou até mesmo milhões, de compatriotas meus. Tivemos e ainda temos lá muita da nossa gente. O treinador, o melhor do mundo, e quatro jogadores, incluindo Pepe, mais de um terço da equipa de campo, entre eles um dos dois melhores e o mais caro do mundo. Trata-se de variáveis que não deverão, de modo algum, ser menosprezadas.
As vitórias do Real Madrid eram vitórias de José Mourinho, de Cristiano Ro-naldo, de Ricardo Carvalho, de Fábio Coentrão e de Pepe, logo, vitórias de conterrâneos nossos. Todos emigrantes da mais alta categoria, e todos eles a ganhar muitos e muitos milhões.
Se o destino do aforro motivado por tão elevados rendimentos é a pátria que os viu nascer? Essa é outra questão. Espero, muito sin-ceramente, que todos eles sejam, pelo menos, tão patriotas quanto eu. Já alguém me segredou que eu era um grande tolo, referia-se a essa minha obstinação em acreditar que todos se esforçam por dar do melhor que têm ao seu país e não colocam as suas poupanças no estrangeiro por dá cá aquela palha. Enfim, coisas de genética.
Os últimos desenvolvi-mentos, relacionados com o clube madrileno e o treinador José Mourinho, trouxeram-me à memória o episódio da passagem por aquele mesmo clube do outro treinador português, Carlos Queirós. Muito provavel-mente, e as coisas são mesmo assim, que o desinteresse de José Mourinho em continuar como treinador do Real Madrid, trará algum conforto a Carlos Queirós. Afinal, todos ficamos a saber que não fora ele o único treinador português a dar-se mal com os ares do clube que, no seu tempo, se apelidava de “clube de ou dos galácticos”.
Tentei saber o melhor possível qual o significado de “galáctico”. Fui ao Dicionário Priberam e o que vem lá é: “relativo a galáxia”. E “galáxia”? Prossegui e o que me aparece é: “nome que se dá às nebulosas espirais”. Desci de novo ao meu português e traduzi por “habitantes de outra galáxia”. No caso concreto, a equipa do Real Madrid, ao tempo em que Carlos Queirós fora contratado como treinador principal, era uma equipa formada por um naipe de jogadores todos do outro mundo.
O que é um facto é que os madrilistas nunca gostaram nem de Carlos Queirós, nem de José Mourinho, e tenho sérias dúvidas se alguma vez terão gostado de Cristiano Ronaldo, não obstante os dois, José Mourinho e Cristiano Ronaldo terem contribuído decisivamente para que o clube ganhasse o campeonato de Espanha na época 2011/2012 com a pontuação máxima de sempre, cem (100) pontos em trinta e oito jogos, ou seja, em 114 pontos possíveis. O Real Madrid fez a temporada de 2011/2012 com trinta e duas vitórias, quatro empates e duas derrotas. As duas derrotas foram em casa com o Barcelona por três a um e fora com o Levante por um a zero.
Tanto Carlos Queirós como José Mourinho tiveram como dirigente máximo do clube a mesma indivi-dualidade, ambos trabalha-ram sob as ordens de Florentino Perez. Neste caso, o factor de desempate entre os dois treinadores terá que ser outro que não o da pessoa do presidente do clube.
Florentino Perez foi presidente do Real Madrid em dois períodos distintos, o primeiro entre 2000 e 2006; e o segundo a partir de 2009 que continua no momento presente. Carlos Queirós foi treinador do clube na época 2003/2004 e em 2004 o clube dos galácticos teve três treinadores, o próprio Carlos Queirós, José Antó-nio Camacho e Mariano Garcia Ramon. José Mouri-nho, e com o mesmo presi-dente, aguentou três épocas completas, 2010/2011 a 2012/2013. Porém, deixou o clube sem levar o contrato até ao fim que, tendo em conta a última renovação, só terminaria em 2016.
Nem de propósito! Estando a escrever esta crónica no dia 30 de Maio de 2013, acabo de ouvir, no telejornal das treze da RTP, que José Mourinho acabara de assinar um contrato de quatro épocas com o Chelsea de Inglaterra. Parafraseando um popular apresentador de televisão, José Mourinho vai voltar a um lugar onde parece já ter sido bastante feliz!
Quando se regressa, de livre vontade, a um qualquer lugar onde já antes se estivera, as razões terão que ser, quase sempre, as melhores. É, sem dúvida, o que se passa com o clube Inglês de futebol, o Chelsea, e o treinador da modalidade, José Mourinho.
(E sobre o vencimento do nosso “special one”? São apenas catorze milhões de euros por temporada, pouco mais de um milhão de euros por mês! Assim, sim!).
Sou um daqueles que sentiram uma boa dose de tristeza pelo facto de José Mourinho não ter conse-guido vencer a Liga dos Campeões Europeus ao serviço do Real Madrid, não pelo clube, mas pelo treinador.
Também vibrei, negativa-mente, com a derrota de 4/1 em Dortmund, e entu-siasmei-me, mesmo muito, com a parte final do jogo de Madrid, com aqueles dois golos, um aos oitenta e dois minutos e o outro aos oitenta e oito. Porém, faltou um terceiro que, só por si, e de forma automática, atiraria com o Real Madrid para a final. Dores de português que sofre pelos seus compatriotas.
Continuo como comecei: o Real Madrid é um sítio difícil para se viver! E o próximo treinador que se cuide!
E o que é que virá a suceder com Cristiano Ronaldo? Se calhar lá irei ter que voltar às imediações do Santiago Barnabéu…, quero dizer, voltar a este tema. Bem, o melhor será que não venha a surgir nenhum motivo para que tal se proporcione! Desejo tudo de bom ao nosso rapaz!

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)



Por: José Costa Oliveira

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