Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-03-2013

SECÇÃO: Opinião

HISTÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA - "Figuras ilustres da Região de Basto"

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Família dos Sousões

A família dos Sousões, padroeira que era do mosteiro do Pombeiro de Riba-Tâmega, foi a mais importante dos meados do século XII e está ligada a Santa Senhorinha, Abadessa de Vieira do Minho que, segundo alguns autores, inclusive o bispo de Vila Real, D. António de Castro Xavier Monteiro, teria nascido em Atei no ano de 924 e recebido no baptismo, o nome de Domitila ou Genoveva e, falecido a 22 de Abril de 982. Era filha de Hufo Hufes Balfagar, Conde de Basto, senhor do território de Vieira e Basto, entre os rios Minho e Douro e da cidade de Viseu, com todas as terras ao redor, que viveu por volta do século X, nos reinados de Afonso III de Leão e de seu filho, Bermudo II e descendia de Siubulo, filho de Egica rei dos visigodos.

A mãe era D. Teresa, irmã do conde Gonçalo Soares, e o avô paterno era D. Hufo Soares, filho de D. Soeiro Balfagal, o primeiro senhor conhecido da Casa de Sousa, por ser aquele a quem o conde D. Pedro dá princípio a esta família e que viveu pelo ano de 800, reinando em Oviedo (Espanha) D. Afonso de Leão, o Casto.

“SANTA SENHORINHA”

Santa Senhorinha, era irmã de D. Guiçoi e tia de D. Achega, padroeiro da Igreja de S. Pedro de Atei (Mondim de Basto). Este, foi conde das Terras de Basto, fundador do mosteiro do Pombeiro e um dos sete condes, traiçoeiramente cegados, por Mem Soares de Novelas e, sepultados nesta igreja. Mendo Viegas de Sousa, neto de D. Achega e terceiro sobrinho de Santa Senhorinha, aparece na Cúria Condal entre 1106 e 1120, como governador das Terras de Basto, a residir em Celorico de Basto. O seu filho, Gonçalo Mendes, o Sousão, sucedeu como Mordomo-Mor, a Egas Moniz, entre os anos de 1157 a 1167, devendo-se esta nomeação ao auxílio prestado a D. Afonso Henriques, no cerco a Guimarães, e é o que assina o foral de Ermêlo (Mondim de Basto), em 1196, como Mordomo-Mor da Cúria Régia e Terra-Tenente de Celorico. Um dia, D. Afonso Henriques, foi visitar D. Gonçalo Mendes, o Sousão, senhor das Terras de Basto, na sua “quintã a d,unhom”, em Suseiros ( Atei ). D. Gonçalo, surpreendeu o Rei a fazer a corte a sua mulher, D. Sancha Afonso das Astúrias, e mandou-a tosquiar e fê-la montar uma azémola, de face contra o rabo e enviou-a para a sua terra, para que todos os rapazes se metessem com ela. Quando o Rei D. Afonso Henriques soube, chamou a atenção ao comportamento de D. Gonçalo e disse: “Por muito menos do que isso, cegou em Atei, um adiantado de meu avô, sete condes”! Pelo que D. Gonçalo lhe respondeu: “Não apeleis para tal sem razão, pois o que fez de torto e por isso, morreu de direito”. O livro do Deão, relata-nos esta passagem da seguinte forma:

“D. Gonçalo de Sousa, foi casado com D. Teresa Sanches, filha de D. Sancho Nunes e da Infante D. Sancha, que foi irmã d,El-Rei D. Afonso, o Velho de Portugal, e fege i el-conde D. Mendo, o Sousão. E casou outra vez com D. Sancha Afonso das Astúrias. E porque lha hia doneando (o) Rey D. Afonso, que era seu hóspede, trusquiou-a logo, e pozea em uma azémola albardada e um escudeiro que lha tangesse, e enviou-a para sa terra, e fege com ela meter burrela a todos los rapazes que em sua casa erom, e entom foi Rei D. Afonso muito bravo, e disse:

CAPRECHOS POUCO QUE EST(O) CEGOU(O) MEU AVÔ(A) O VOSO. E D. Gonçalo, lhe respondeu:

Senhor, no metades e, esso mentes; ca o cegou a gram torto, e morreo por ende a gram direito. E nom houve nessa sa molher nenhum filho”.

D. Gomes Viegas, foi o primeiro a tomar o apelido de Basto, por cá residir e aqui possuir grandes propriedades. Era casado com D. Mor Rodrigues de Gondarém e filho de Egas Gomes Barroso. Viveu no reinado de D. Afonso II e de seu filho, e assistiu ao concílio de Leão, onde D. Sancho II foi deposto pelo Papa Inocêncio IV. Ainda existem ruínas visíveis da Casa dos Sousas ou Sousões, na freguesia de Atei, no lugar denominado de “Suseiros” de Sousões, onde se pensa que terá sido a morada desta família.

Por: José Teixeira da Silva

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