Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-03-2013

SECÇÃO: Opinião

CAVEZ NO ROTEIRO CAMILIANO

foto
Antes de associarmos Cavez ao Roteiro Camiliano, convém perceber o porquê deste acontecimento que remonta ao ano de 1841.
Convivendo desde muito cedo com o drama da orfandade não sabemos como e porquê o jovem Camilo então com quinze anos feitos foi parar a Vidoedo – Vilarinho de Samardâ descendo depois para Ribeira de Pena atravessando toda a árida paisagem do Alvão.
Lá bem no fundo junto ao rio Tâmega, aguardava-o sua prima Maria do Loreto casada com um lavrador da casa do Moreira na pacata povoação de Friúme.
Friúme por ser um ponto de passagem para Santo Aleixo do lado de lá do rio e por isso já com alguma importância económica tinha boticário e tabelião e foi com eles que Camilo conviveu durante dois curtos anos tendo aprendido a jogar “às damas e ao gamão” com o boticário Macário Afonso e foi amanuense do tabelião José de Mesquita Chaves.
Foi nesta pequena povoação que Camilo conhece uma jovem de catorze anos Joaquina Pereira de França com quem veio a casar a 18 de Agosto de 1841 e consta que o pai da Joaquina só os deixava dormir juntos uma vez por semana.
A casa de Friúme onde viveu Camilo Castelo Branco, encontra-se restaurada mantendo a traça primitiva e no seu interior contem muitos dados biográficos daquele que viria a ser um dos maiores vultos da nossa literatura enquanto residente em Ribeira de Pena. Supomos que a referida casa é hoje propriedade do Município.
Desconhecemos a onde o talentoso Camilo bebeu tanta cultura, sabemos apenas que diariamente percorria a distância de oito kms desde Friúme ate à capela da Granja Velha para frequentar as aulas do Padre Manuel Rodrigues ou Manuel da Lixa, grande mestre do latim a quem Camilo chamou de “… bom velho, sobretudo.”
Creio estar assim desfeita a tese sustentada por alguns Cavezenses de que ele teria estudado latim com um padre na povoação de Daivões.
Entre outros locais visitados pelo escritor em Ribeiro de Pena, constam-se ainda a casa do Barroso, a capela de Nossa Senhora da Guia e a Igreja do Salvador.
A casa do Barroso em Santo Aleixo, é uma casa muito grande em pedra, feia, carrancuda mas, possuidora de um grande e belíssimo Brazão encontra-se parcialmente abandonada.
A Capela de Nossa Senhora da Guia de estilo barroco rural está situada a meio da encosta do Alvão e tem a sua maior romaria a 15 de Agosto. É a padroeira do concelho. Camilo terá visitado esta romaria e veio a incluir esta Capela no Sexto dos seus “Doze Casamentos Felizes”.
A Igreja do Salvador situada no centro de Ribeira de Pena, foi mandada construir pelo benemérito Manuel José de Carvalho em meados do séc. XVIII foi nesta Igreja que Camilo se casou com a jovem de 14 anos Joaquina Pereira de França, natural de Gondomar. Foi na porta desta Igreja que terão sido afixados os versos de Camilo ridicularizando um “morgado visigótico”
Foi talvez por isso que Camilo deixou Ribeira de Pena para fugir aos punhos do tal morgado, mas não… foi o génio do futuro romancista que o levou a fugir duma terra fechada e pequena para o seu imenso talento.

(Continua)

Por: Alexandre Teixeira

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.