Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-02-2013

SECÇÃO: Destaque

CTCMCB quer motivar e chamar ao teatro toda a comunidade em 2013

Armando Luís, Roberto Moreira,Joana Veloso e Neto Portela integram a equipa do CTCMCB
Armando Luís, Roberto Moreira,Joana Veloso e Neto Portela integram a equipa do CTCMCB
O CTCMCB – Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto surgiu em 2012 com o objetivo de reafirmar no Concelho a forte aposta que a Câmara Municipal tem vindo a desenvolver na cultura, criando em conjunto um elevado nível de programação cultural e artística. Um dos aspetos que tem caracterizado o trabalho dos artistas envolvidos é a capacidade de aprofundar estudos e universalizar a cultura rural, na procura de novas linguagens e técnicas de comunicação, bem como na aproximação de agentes culturais e sociais, com enfoque especial nas gentes da terra.
“Em 2013, continuamos caminhando ainda mais ao encontro das pessoas. Um teatro que aceita incorporar-se e confrontar-se com o mundo real: a arte encontra a comunidade”. Com estas palavras, a equipa do Centro de Teatro destaca que na continuidade das suas atividades neste ano, os seus princípios artísticos, teóricos e de ativação e mudança social pretendem integrar-se com a vida, com o quotidiano das pessoas e com as instituições culturais. “Vamos envolver-nos com outras disciplinas, entrar em lugares não teatrais, dando vida a esta experiência que é o teatro social e de comunidade, que enriquece não só os aspetos sociais como também os artísticos, reencontrando uma necessidade diversa, a necessidade de motivação”.
No arranque deste novo ano, o Ecos de Basto ouviu, em entrevista, a equipa do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto composta por Armando Luís, Roberto Moreira, Joana Veloso e Neto Portelo, este último elemento chegado recentemente de Lisboa.
Com um balanço “muito positivo do ano de 2012”, a equipa encontra-se a preparar novas produções e surpresas para 2013. Vamos descobrir.

Ecos de Basto (EB): Que balanço fazem do ano de 2012?
Armando Luís: o balanço é extremamente positivo. Tentámos juntar o maior número de pessoas e o maior número de agentes culturais e as grandes produções são o resultado disso mesmo.
Por exemplo, o ‘Olhar Fraterno – Tributo a Zeca Afonso’ passou a ser uma peça muito querida. Começámos a mexer na vida das pessoas e a trazer à tona um pouco do saudosismo daquilo que foi a vida de Zeca Afonso que transformou a vida de toda a gente. Com eta peça levamos as pessoas a refletir novamente sobre os ideais de Abril.
Roberto Moreira: há também um importante trabalho de pesquisa no que toca aos autores locais, que nos ajudam a construir novos trabalhos tendo em conta as suas obras.
Em 2012 revitalizámos a tradição e a cultura e transformámos a vida das pessoas. Este foi o nosso principal desafio.
Nesta continuidade, as pessoas continuam lá à espera das nossas propostas, continuam à espera de participar ainda mais e isso é muito importante para nós.
O nosso trabalho é confrontar a arte com o quotidiano das pessoas e com a realidade cabeceirense. Nós vamos conhecendo o território, as tradições, a cultura, as memórias das pessoas. Este é um trabalho de continuidade que nos permite estudar a fundo e perceber como é que podíamos motivar as pessoas porque as pessoas precisam de se sentir motivadas, preenchidas, reconfortadas. E é este o nosso caminho.
Em 2013, a fasquia sobe. Exige-se muito mais deste projeto e acho que nós estamos confiantes. Os responsáveis políticos deram-nos uma avaliação positiva e cá estamos nós para mais um ano.

EB: O que pode esperar o público do CTCMCB em 2013?
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Roberto Moreira: nós decidimos arrancar em janeiro com um grande plano de comunicação sobre esta marca CTCMCB, precisamente para colmatar falhas com a sigla, de forma a que as pessoas fiquem familiarizadas com esse logo para que não haja margens para enganos.
A cultura não acontece só nos grandes centros mas também em Cabeceiras de Basto e este ano queremos descentralizar dentro do próprio concelho, indo ao encontro das pessoas que moram lá em cima, na Uz, no Samão… Por que não criar peças que possam ser levadas a essas pessoas? Neste momento estamos a idealizar alguns projetos nesse sentido.
Estamos, em simultâneo, a dinamizar as Oficinas de Interpretação Teatral e de Jogos Dramáticos com o intuito de chegar ao maior número de pessoas e de todas as idades, estabelecendo com elas laços de proximidade.
Nós não sabemos apenas o nome das pessoas com quem trabalhamos. Conhecemos a vida delas, sabemos quais são os seus problemas, se têm testes, se vão estar ocupados, se estão doentes… temos um vasto conhecimento sobre as pessoas e trabalhamos consoante essa realidade e temos a plena consciência de que ao trabalhar apenas com uma pessoa estamos a afetar todo o núcleo familiar. É aqui que se vê e se sente a abrangência do projeto.
Lembro que as oficinas são gratuitas e abertas à participação de todos.

EB: Novo ano, novos projetos. Quais os espetáculos que estão a ser preparados para 2013?
Neto Portela: 2013 será um ano para fortalecer todas as bases construídas em 2012. No ano passado foram criados uma série de espetáculos que este ano vão retornar aos palcos e manter o contacto com a comunidade. Neste ano, muito mais do que trazer as pessoas até ao Centro de Teatro, queremos levar o Centro de Teatro aos diferentes pontos do concelho.
No Dia da Criança vamos apresentar o espetáculo ‘Provisório’ que estreamos na última Noite de Verão do ano passado. Vamos ter também neste ano outras reposições de espetáculos que foram sucessos de estreia, como o ‘Olhar Fraterno’ e temos uma novidade para a Feira do Cavalo.
Roberto Moreira: estamos também a preparar um espetáculo com os jovens que será escrito por eles. Neste momento eles estão a ler, a recolher imagens, letras de músicas, entre outros, para poderem fazer esse espetáculo em março.

EB: A família envolve-se nas oficinas?
Joana Veloso: nós temos a Oficina de Expressão Plástica onde são preparados todos os cenários e todos os figurinos. Tudo é feito lá, por nós, para as nossas produções e as famílias envolvem-se, sobretudo, na recolha de materiais, na procura de trajes antigos e de adereços. Temos tido sempre a preocupação de levar ao palco objetos tradicionais com os quais as pessoas se identificam.
Nós pedimos, muitas vezes, aos nossos alunos para procurarem nos baús dos avós coisas que nos possam ser úteis.
As mães das crianças têm vindo às quartas-feiras ajudar-nos na preparação dos figurinos e temos sempre muitos outros colaboradores que, embora não se apresentem em palco, são também eles os responsáveis pela concretização dos espetáculos.
Tentamos sempre envolver o maior número de pessoas possível. Conhecemos muita gente mas não conhecemos tudo e os pais ajudam-nos nas pesquisas e recolha das matérias-primas. Tem sido um trabalho muito positivo.
Quero também aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os empresários fabris que nos cederam os mais variados materiais.

EB: Sabemos que já finalizaram o relatório de atividades 2012. Qual a importância deste documento?
Roberto Moreira: no final de 2012 fizemos um relatório de atividades com todo o trabalho realizado para tentarmos melhorar as nossas atividades e para termos um documento de suporte às nossas realizações. Todo este trabalho nos dá as bases para construir, evoluir e fortalecer o novo projeto para 2013.
É muito importante realçar que está a ser feito um investimento por parte do Município no CTCMCB, o que significa que há uma grande perceção em Cabeceiras de Basto de que a Cultura é muito importante para o desenvolvimento de uma comunidade.
Investir num projeto cultural em tempos de crise revela que a cultura é muito importante para o Município e para todos os cabeceirenses e este é um caso raro no país. A arte encontra a comunidade.

EB: o Neto Portela vive em Lisboa. Como veio parar a Cabeceiras de Basto?
Neto Portela: eu conheço este grupo há já algum tempo e os nossos trabalhos têm muitos pontos em comum. No ano passado ajudei a criar o ‘Provisório’ e quando eu regressei a Lisboa, fiquei com Cabeceiras de Basto na cabeça. Aqui sente-se cumplicidade e eu sinto-me estimulado a participar da vida das pessoas. O teatro de comunidade é estimulante e quando surgiu a oportunidade de vir para cá não pensei duas vezes. Isto é fabuloso e estar cá é extremamente motivador. Estou a gostar das pessoas e faço o que gosto. É maravilhoso.

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