Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-12-2012

SECÇÃO: Opinião

UM CABECEIRENSE NA “MARIA BERNARDA”

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(15 - Setembro - 1862) - XIII

RESULTADO ESPERADO
O governo venceu no círculo eleitoral nº 19. Alves Passos foi derrotado como se esperava. Mesmo assim obteve 252 votos. “O Bracarense”diz: “A opposição não ficou vencida no círculo 19 em Guimarães. Triunfou moralmente, senão triunfou numericamente. N’uma luta eleitoral contra uma autoridade facciosa, desatinada com escândalos contra a independência do sufrágio. Fez descer a autoridade até ao degrau mais ínfimo do cynismo eleitoral”.

O próprio Alves Passos faz publicar um comunicado agradecendo aos que nele votaram, “que reagiram contra todas as violências e protestaram contra todas as indignidades de autoridade”.
Muitos jornais se indignaram com as tropelias cometidas em todo o país, com a compra de votos, o transporte de eleitores, o roubo de boletins, presença acintosa das autoridades, ou seja, o rol típico dos alvores do liberalismo. Não faltaram, no círculo de Guimarães, os muito famosos “caceteiros da Póvoa”. Mesmo assim os governos não se aguentavam (por exemplo, em 1865 sucederam-se 5 ministérios).
O círculo de Guimarães não fugiu à regra. As tropelias maiores passaram-se na zona das Taipas, não tendo havido conhecimento de que algo tivesse acontecido em Cabeceiras. A imprensa da região não deixou de zurzir impiedosamente nas autoridades que, para além de consentirem, nas arbitrariedades, também as apoiaram e, em certos casos, foram seus executores.
Uma voz muito forte levantou-se a favor de Alves Passos, num artigo que “O Bracarense” publicou:

“Assassino! Mas ignorais que Alves Passos, chefe apparente da revolta de Braga, não estava no campo quando sucedeu a desgraça da morte de Vasconcelos? Ignoraes que essa desgraça foi devida ao arrojo imprudente do mesmo Vasconcellos, que se apresentou na frente da força revoltada, provocando-a com o uso da sua espada, e com o que desafiou a descarga que o derrubou morto?
Não ignoraes nada d’isto. Bem sabeis que o dinheiro do cofre foi todo aplicado para as despezas da revolta, e que ficou todo em Braga. Bem sabeis que Alves Passos nem se aproveitou de nenhum desse dinheiro; nem tomou parte alguma no conflito d’armas em que foi vítima o Major Vasconcellos. (...) Vilões e cobardes”

(O Bracarense, nº 1005, de 30 de Abril de 1865)

XV - O FIM

O jornal “O Bracarense” publica o seu último número (1897) em 26 de Setembro de 1870. Calava-se a voz e a pluma de Alves Passos. Está agora mais calmo. Dedica-se à clínica e ao ensino. Não sei a data do seu falecimento, mas terá ocorrido antes de 1883, já que o Dicionário Bibliográfico Português assim o diz.
Curiosamente, o seu nome não ficou esquecido: em 1899 reaparece em Braga uma nova folha, com o rótulo de independente, que se intitula orgulhosamente “O Bracarense”.
FIM

Por: Francisco Vitor Magalhães

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