Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-12-2012

SECÇÃO: Opinião

Os meus agradecimentos

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Caros leitores,

Não queria deixar acabar o ano, sem vos “dirigir” algumas palavras. Não é que não queira deixar acabar este ano, que foi para mim, em termos de saúde familiar, o que mais me marcou pelo desgosto inesperado que tive com “partida” do meu marido, o professor Manuel Carneiro. Certamente que, não sou, nem serei a única com sofrimentos iguais. É a lei da vida, mas nós humanos não estamos preparados para deixar partir alguém. Estes momentos acontecem a cada minuto do dia e cada um chora as suas mágoas.
Não quero, de maneira alguma, por alguém triste. Tentarei levar a minha vida para a frente, conjuntamente com toda a família e amigos que querem o meu bem.
Vamos ver se o ano que vai entrar não traz mais surpresas e que, outras, como a crise que todos tememos, não nos deite abaixo. Sei que é muito difícil as coisas melhorarem. Devo confessar, que me sinto céptica em relação às “prováveis melhorias” não se sabe em que altura (prevejo que seja na altura das eleições autárquicas), que o Primeiro Ministro Passos Coelho, disse em algum momento dos seus catastróficos discursos, um na TV e outro pessoal na sua página do facebook.
Sim caros leitores, na página do facebook. Ali Pedro Passos Coelho escreve o que lhe vai na “alma” sem ter de olhar os portugueses cara a cara. Podemos concluir pelas palavras do Governo e, em especial, pelas palavras do Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que o futuro se apresenta negro e o ano 2013 vai ser duro. Mas, disso tudo já os portugueses estão fartos de ouvir e falar e, nem adianta o cidadão Pedro e a sua esposa Laura falar lamechices no discurso “caseiro” para convencer os portugueses de que algo vai mudar. Não vou ‘bater mais no ceguinho’ até porque, não sou analista política, sou simplesmente uma cidadã atenta. Por isso mesmo vou mudar de assunto.
Meus amigos, leitores fieis do Ecos de Basto que fazem o favor de ler os meus rascunhos, quero aqui agradecer, nesta singela página, todas as provas de carinho, as visitas que me fizeram aqui na sede do jornal para me cumprimentarem e, apresentarem as suas condolências. Ainda as continuo a receber de maneira que, na impossibilidade de agradecer um a um pessoalmente, o faça por este meio. Muito obrigada a todos e vamos ter fé, para esperar que um milagre aconteça e as coisas possam melhorar (?). Peço perdão pelo pessimismo. Não era minha intenção sê-lo no último artigo de 2012. Isto é uma fase e deve-se ao momento menos bom que estou a atravessar.
Tenho recebido algumas cartas e, elegi uma em especial, a do senhor Florêncio Campos que me enviou umas poesias dedicadas a esta quadra tão emocional, para introduzir na minha crónica (pequena).

Então com a devida vénia.

fernandacarneiro52@hotmail.com

Digníssima D. Fernanda Carneiro

Tive a honra e felicidade de a conhecer, pois aprecio muito as belas crónicas que escreve no “Ecos de Basto”.
Prometi na altura que lhes ia enviar uns modestos e humildes versos de Natal. O prometido é devido, portanto, desejo-lhes umas Santas Festas Natalícias e um próspero Ano Novo de 2013,com muita felicidade para toda a família.
Com cumprimentos amigos
Florêncio Campos

Poema de Natal

Soube o homem julgar toda a verdade
Quando repicaram sinos
Visão ou sonho? Mistério ou realidade?
Acesa a fé, desvendaram-se destinos!

Sagradas mensagens
Trazia Jesus
Nos olhos – paisagens
No corpo – uma cruz

Nas mãos fustigadas
Trazia perdões
Nos pés – caminhadas
Na alma – orações

Só eternidade
Trazia consigo
Nos gestos – bondade
Na voz – um abrigo

Sobre as árvores, sobre os frutos
Sobre os pássaros e as flores
Verticalmente cai neve
Inesperada brisa de assombros
Passa pela noite e a descreve


Íntimos sonhos cada um desdobra!
É natal. E o natal aquece!
Canção há mais de dois mil anos sugerida
E que hoje transparece como o Amor e como a Vida!

Encontro de Anjos no Céu, e na terra,
De mãos dadas, as crianças
Encontram-se com Deus.
Assombradas pombas mansas
Foram dádiva de amor,
Nessa noite desenhada
Com silêncios de luar.
Humilde sentiu-as nos olhos
O Menino Jesus ao acordar!

Quem nos deu esta certeza
Que temos no coração?...
Quem foi o Rei sem alteza
Que rasgou a escuridão?...

Em toda a alma deserta
Aconteceu permanência
Foi a simples descoberta
Do que em nós só era ausência!

Ó meu Jesus pequenino
Atira ao ar as estrelas
Que há nos teus olhos doirados
Cada uma é um destino!
E em teus gestos cheios delas
Quantos destinos guardados!...
Ó meu Jesus pequenino
É natal! Não há pecados!

O Mistério deste dia
Vive em nossos corações
Como no da Virgem Maria
E, em cada criança
Um sorriso casto e vago
Tem a grandeza da esperança
A desfolhar no chão de todos nós
As rosas de um afago!


De opaca e dura tornou-se a hora clara
Bem o sentia quem tinha Deus no peito
Pastores vinham de longe. Caminhada rara
Com estrelas a guiá-los
Naquele instante em que tudo era perfeito!

Pelos caminhos a luz caía mole
Dum céu azul em esperanças recortado
Luz estranha como o Sol dum novo Sol
Que ali tivesse passado –
- e ali tivesse parado!
Não era noite de Inverno,
Não era noite de chuva,
Não era noite de neve,
Nem era noite de frio…

Tanta fé se concebera
Que a ternura dessa noite
Não teria outra igual.

Boa nova acontecera:
Era noite de Natal!

Noite de Natal!
Todo o silêncio tem brancas orações
E há um Rei Mago e breve em cada homem!
Ele é quem tem o ceptro e traz o incenso
Para não deixarmos ainda, que os sonhos se transformem.

Noite de vigília onde a Paz
Amadurece como um doce fruto
E os velhos cânticos que hoje o céu nos deu,
Contornam o reduto
Do menino Jesus que em nós nasceu.

Florêncio Barroso de Campos

Por: Fernanda Carneiro

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