Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-12-2012

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (166)

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ÓSCAR NIEMEYER

Se outro não houvesse, este seria, sem qualquer margem para dúvidas, um bom tema para mais uma das minhas prosas que, melhor ou pior, têm vindo a ocupar este espaço. De facto, não é nada comum ouvir-se nas televisões, ou ler-se nos jornais, que alguém tenha morrido quando faltava apenas uma semana para que completasse cento e cinco anos de idade. Esse é o mote, a notícia do falecimento do cidadão de nacionalidade brasileira, Óscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho.
Óscar Niemeyer é um dos mais reputados arquitectos a nível mundial e ninguém fala do nascimento da cidade de Brasília, a actual capital do país, sem que o nome do Arquitecto Óscar Niemeyer venha à ideia. Ele foi o autor dos projectos da grande maioria, se não de todos, os edifícios públicos da nova capital. Foi convidado para efeito pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, corria o ano de 1956.
Nascido a quinze de Dezembro de 1907, no Rio de Janeiro, faleceu a cinco de Dezembro de 2012, também no Rio de Janeiro, quando contava cento e quatro anos, onze meses e vinte dias de idade, faltavam-lhe dez dias para completar os cinco e cinco anos.
Há coisas espantosas! Por razões de ofício, encontrava-me na confeitaria Odin, sita na Rua de S. Brás, junto à bifurcação com a Rua de Camões, cidade do Porto, onde tomava o meu café da manhã, passava uma vista de olhos pelo Jornal de Notícias e esboçava o texto a que acima dei início. Foi no dia onze do corrente mês de Dezembro de 2012.
Folheando o jornal, cheguei à página quarenta. Uma página inteira. A metade superior da página é ocupada pelo título, pelo subtítulo e por uma fotografia, de muito boa qualidade, a cores, mostrando o rosto, de belíssimo aspecto, do nosso cineasta Manuel de Oliveira.
A página é “Artes e Vidas”; o título é “De olhos postos em novos filmes”; e o subtítulo é “Manuel de Oliveira celebra, hoje, o seu 104.º aniversário em família, pronto para voltar a realizar”.
Sobre o que vem escrito nessa página, na metade inferior, apenas refiro que se resume a um franco elogio à vida e à obra do homenageado, do aniversariante que, naquele dia, terá tido a árdua tarefa de soprar e apagar duas velas, uma com o número cem e a outra com o número quatro. Nos dias que correm, usa-se assim. Se outra razão não houvesse, a mais premente essa é a da economia.
Por agora, vou regressar ao Senhor Óscar Niemeyer, o arquitecto. Em devido tempo, espero poder vir a escrever aqui texto semelhante a respeito de Manuel de Oliveira, o cineasta. Queiram os deuses que esse tempo ainda venha distante, gostava de ler uma notícia, no meu JN de sempre, relacionada com a comemoração do seu centésimo décimo aniversário. Refiro-me a Manuel de Oliveira.
O Arquitecto Óscar Niemeyer foi o pensador, em termos de projecto, daquela que passou a ser a capital do Brasil a partir do ano de 1960. O seu trabalho iniciou-se em 1956, em resposta ao convite que lhe fora endereçado pelo então Presidente da República Federativa do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira.
Entrementes, colaborou com o grupo de arquitectos que projectou a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Casou em 1928, quando tinha vinte e um anos de idade, com Annita Baldo, esta com dezoito, apenas três anos mais nova do que ele. Enquanto que Óscar Niemeyer manifestava ideias vincadamente esquerdistas, a noiva era profundamente católica, e, por sua exigência, a cerimónia do casamento realizou-se na igreja do bairro. A este propósito, ele escreveu: “Casei por formalidade. Mais católica do que a minha esposa é impossível, então não me incomodei em casar dessa forma”.
Em 1931, nasceu a sua única filha, Anna Maria, que viria a concluir, também, o curso de arquitectura, e trabalhou em conjunto com o seu progenitor.
Ficou viúvo aos noventa e sete anos, isto em 2004, e depois de setenta e seis anos de casamento com a Annita Baldo. Voltou a casar, em 2006, quando tinha noventa e nove de idade, com Vera Lúcia Cabreira, esta com sessenta e que fora sua secretária desde longa data.
Devido às suas ideias de esquerda, Óscar Niemeyer deixou o seu país após o golpe militar de 1964 e fixou residência em Paris, onde abriu um escritório. Regressou ao Brasil em 1985, depois de um exílio de vinte e um anos. Dos trabalhos que realizou enquanto viveu em Paris, destaca-se o projecto da sede do Partido Comunista Francês, e do qual ele fez questão de não cobrar honorários.
Óscar Niemeyer foi um grande arquitecto e morreu com quase cento e cinco anos.
Manuel de Oliveira é um grande cineasta, conta já cento e quatro anos de vida e promete continuar a realizar.
Oh! Quem me dera vir a ser um grande escritor!

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

Por: José Costa Oliveira

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