Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-09-2012

SECÇÃO: Informação

‘Provisório’ leva plateia às gargalhadas na Praça da República

Espetáculo teatral "Provisório" animou "Noites de Verão"
Espetáculo teatral "Provisório" animou "Noites de Verão"
Rir. Rir até doer a barriga. Rir até não poder mais num espetáculo provisório, com três mendigos provisórios a arrancar provisórias gargalhadas aos espetadores. Uma verdadeira ‘barrigada de riso’ para a plateia, numa noite de verão que foi animada pelo Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto (CTCMCB).
Foi esta a proposta do Centro de Teatro para a noite de verão do passado dia 25 de agosto na Praça da República, onde três mendigos/palhaços deram a conhecer aos espetadores o teatro de sombras, com muitas e muitas peripécias e gargalhadas à mistura. Centenas de pessoas assistiram ao espetáculo ‘Provisório’, uma criação coletiva dos atores Armando Luís, Neto Portela e Roberto Moreira.
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“Esta é uma sinopse provisória, de um espetáculo provisório. Três mendigos enredam por um caminho provisório. Um trovão provisório anuncia uma tempestade que pode não ser provisória. É necessário protegerem-se, nem que seja provisoriamente. Como? Descobrindo a magia do mais provisório dos mundos: o do lixo. Transformando-o!... Provisoriamente” lê-se na sinopse da peça.
O evento contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Eng.º Joaquim Barreto, do vereador da Cultura, Dr. Domingos Machado e das administradoras da Emunibasto, Prof. Stela Monteiro e Dra. Fátima Oliveira, entre outros autarcas, assim como membros da Assembleia Municipal, convidados e público em geral.
De salientar que o programa ‘Noites de Verão’ é organizado pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, através da Emunibasto, e tem como principal objetivo animar as noites de verão em pleno centro da vila cabeceirense.

Testemunhos:
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Armando Luís – Para o Dia Mundial da Criança montámos uma brincadeira intitulada ‘Metamorfoses’ e já nessa altura havia o desejo de evoluir com esse tipo de espetáculo, o que se veio a concretizar com a nossa participação na Noite de Verão do dia 25 de agosto. No espetáculo ‘Provisório’ a brincadeira alargou-se ao mundo mágico do lixo.
Armando Luís
Armando Luís
O nosso cenário é um beco cheio de lixo, onde três sem-abrigo, a partir das coisas que encontram nos caixotes, tentam criar um abrigo e nesse caminho há imensas peripécias cómicas. Até agora, tudo aquilo que mostrámos foi fruto da nossa criação, essencialmente na direção, conceção de textos e encenação, apesar de participarmos como atores. Mas o maior prazer é estar a construir como atores e por isso pretendemos dar essa outra imagem daquilo que é o nosso ser artístico e mostrar outras linguagens.
No espetáculo ‘Provisório’ há um grande esforço físico com a construção da personagem, do movimento, da expressão e linguagem corporal sem a utilização do texto, o que é uma brincadeira muito divertida, tanto para o ator como para os espetadores.
Três amigos provisórios arrancaram gargalhadas do público presente
Três amigos provisórios arrancaram gargalhadas do público presente
Neto Portela, nosso amigo ator, tinha já dado um contributo muito grande no desbloqueio de algumas cenas da peça ‘Metamorfoses’ e então, nessa vontade de evoluir, ficou também o desejo de que ele viesse para cá colaborar connosco e criar esse espetáculo. Para além disso, nós convidámo-lo também a juntar-se a nós no ‘Provisório’ e a dar um contributo no espetáculo da ‘Bruxa do Monte Córdova’, ou seja todo o trabalho de adaptação do texto literário para texto dramático em que o Neto Portela trabalhou connosco. Convidámo-lo a experimentar um pouco aquilo que é o nosso trabalho em Cabeceiras com a comunidade. Em todos estes momentos o ser artístico do Neto Portela foi uma mais-valia.

Neto Portela
Neto Portela
Neto Portela – Quando visitei Cabeceiras de Basto pela primeira vez tivemos uma certa criação de ideias para a produção do espetáculo ‘Metamorfoses’. Essa energia ficou e foi lançada uma semente. Com o Provisório nós viemos regar essa semente e fazê-la desenvolver.
Eu vim para cá para construirmos uma série de ideias. Desenvolvemos o Provisório, colaborei na construção da ‘Bruxa do Monte Córdova’, desde a dramaturgia a algumas conceções de encenação e na construção do cenário do Terra Batida. Eu tenho que confessar que neste mês em que estive em Cabeceiras de Basto me emocionei muito pelo desenvolvimento das atividades do Centro de Teatro e pela integração da comunidade. Eu vejo uma entrega muito grande por parte da comunidade. Este tipo de atividades desenvolvidas nas comunidades é extremamente importante para a expressividade das pessoas ao nível das suas ideias e para o desenvolvimento de uma energia coletiva na comunidade. Somos um grupo e temos de interagir. Vejo um grupo interessante, pessoas que conversam. Vejo uma troca de conhecimentos e experiência muito importante e isso é extremamente válido. Neste tipo de ações o processo de aprendizagens é mútuo. Todos ganham.
Divirtam-se é a principal mensagem que queremos deixar ao público. O lixo foi o nosso ponto de partida. A reciclagem transforma o lixo que é apenas um estado provisório.
Roberto Moreira
Roberto Moreira
O espetáculo tem uma vertente cómica muito forte onde a figura do ‘clown’ está muito presente.
Cabeceiras de Basto é um sítio incrível. Gosto muito das pessoas e neste mês que passei aqui tem sido uma experiência muito marcante. Volto a Lisboa com um pezinho em Cabeceiras e espero voltar para outras atividades. Ainda há muito caminho pela frente e espero participar em muitas outras atividades porque realmente dá gosto estar aqui.

Roberto Moreira – Animar as pessoas e esquecer a crise que açambarca o país foi o nosso objetivo com o Provisório. O espetáculo é divertidíssimo. Temos sentido que há bastante adesão às nossas atividades e é nesse sentido que nós trabalhamos. Tentamos criar novas rotinas e novos hábitos nas pessoas, levando-as a ver aquilo que nós construímos. É por isso que nós estamos aqui. Não faz sentido construir um espetáculo de teatro se não houver público. Aplicamos várias técnicas para a construção deste espetáculo, desde logo o lado mágico que está por detrás das sombras. Levamos as pessoas para o mundo da imaginação.
Nós não falamos e toda a mensagem tem que ser transmitida através do corpo, com movimentos e expressões. E é bastante mais difícil do que parece e o desafio é maior para que o público nos entenda.
O trabalho ‘clown’ exige muito mais ao nível do corpo e da expressividade para que se consiga transmitir ao público a brincadeira e o bem-estar.

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