Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-08-2012

SECÇÃO: Desporto

Lã de Bucos em evento promovido pelo IKEA em Lisboa

Mulheres de Bucos divulgaram o seu trabalho no Jardim da Estrela
Mulheres de Bucos divulgaram o seu trabalho no Jardim da Estrela
Elisa Brás, Adelaide Fernandes, Teresa de Jesus, Maria Gonçalves e as jovens Fátima Dias, Clara Simões e Márcia Freitas levaram ao Jardim da Estrela, em Lisboa, a arte de trabalhar a lã. Foram aquelas as artesãs de Bucos que deram a conhecer ao público o ciclo de transformação da lã e o trabalho que é desenvolvido naquela freguesia do concelho de Cabeceiras de Basto durante a iniciativa ‘IKEA HOTTEL’, que decorreu no passado dia 18 de agosto e que pretendeu apresentar o catálogo do IKEA 2013 de uma forma ousada e muito original.
O convite para as Mulheres de Bucos participarem no ‘IKEA HOTTEL’ foi feito às cabeceirenses por Rosa Pomar, estudiosa que se tem dedicado à área do têxtil e que é proprietária da loja ‘Retrosaria’ situada em Lisboa, um espaço que se dedica à venda online de tecidos, lãs e outros artigos. De referir, ainda, que Rosa Pomar tem um conhecido blogue – a Ervilha Cor de Rosa – no qual tem vindo a divulgar o trabalho destas mulheres de Bucos.
Em Lisboa, as sete mulheres revelaram a sua arte e o seu saber despertando a curiosidade junto daqueles que visitaram o certame em pleno jardim. Um espaço convidativo onde se pôde respirar natureza, cultura e tradição.
A julgar pela afluência de crianças, jovens e menos jovens ao espaço expositivo da Lã de Bucos, podemos afirmar que a experiência se revelou um verdadeiro sucesso não só para as artesãs como também para os visitantes que quiseram experimentar de tudo um pouco. Fiaram, dobaram, cardaram e tricotaram o fio da lã, sobretudo as crianças. E o desafio foi superado.
Crianças em contacto com a lã
Crianças em contacto com a lã
A participação neste evento de cariz nacional veio trazer um novo impulso e uma nova dimensão ao trabalho das Mulheres de Bucos, que se têm desdobrado em trabalhos com o intuito de divulgar, valorizar e preservar este saber ancestral.
De referir que a Casa da Lã, núcleo do Museu das Terras de Basto, é um projeto inovador que tem impulsionado a manufatura de mantas, meias, camisolas, echarpes, capas e outros artefactos que conquistam a atenção dos forasteiros.
Liderado por uma dezena de mulheres, o projeto é já agregador de um grande número de pessoas e algumas instituições, que com o seu apoio pretendem manter vivas as tradições e os usos desta gente de Basto. O Município de Cabeceiras de Basto e a Junta de Freguesia têm desenvolvido esforços no sentido da valorização do trabalho da lã em Bucos, onde se pretende manter a tradição no fiar e no tecer, procurando novas funções, modelos e padrões para os trabalhos da lã.
De salientar, ainda, que os produtos manufaturados com a etiqueta ‘Novelo de Lã’ podem ser adquiridos na Casa da Lã de Bucos, que deve ser brevemente inaugurada ao público. Os interessados em adquirir estes produtos ou em conhecer melhor este projeto podem obter mais informações junto do Museu das Terras de Basto ou no Posto de Turismo Municipal de Cabeceiras de Basto.
Elisa Brás: “nunca pensei que o nosso trabalho chegasse tão longe. A etiqueta nas nossas peças foi um salto em termos da comercialização do produto. Ainda há quem compre e quem se interesse muito por estes artigos e já temos algumas encomendas. Nós estamos a ensinar a algumas meninas a nossa arte e esperamos que elas tragam mais amigas para aprender. Nós vamos ficando velhinhas e é preciso que as jovens deem continuidade ao nosso projeto e nos substituam. A Casa da Lã é muito importante para a nossa aldeia. Esperamos que este projeto continue cada vez melhor”.
Márcia Freitas, 17 anos, Bucos: “a minha avó que está ligada a este projeto das Mulheres de Bucos incentivou-nos a aprender a trabalhar a lã e a aprender estas práticas antigas. Gosto muito mas algumas coisas são difíceis de aprender mas pretendo continuar”.
Clara Simões, 18 anos, Bucos: “a minha mãe e a minha madrinha que trabalham na Casa da Lã incentivaram-me a começar a aprender e a trabalhar a lã. É um trabalho bom e que não é muito difícil de fazer. Tentamos sempre chamar gente para a nossa terra porque a Casa da Lã é para nós um orgulho muito grande”.

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