Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 09-07-2012

SECÇÃO: Destaque

USF ‘O Basto’ em funcionamento no Centro de Saúde

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Foi inaugurada no passado dia 2 de julho a Unidade de Saúde Familiar (USF) ‘O Basto’, que funcionará das 08.00 às 20.00 horas na Praça Arcipreste Francisco Almeida Barreto. Instalada no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto, que integra o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Ave I – Terras de Basto (Fafe, Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto), a 328.ª USF a abrir em Portugal dará resposta às necessidades básicas de saúde de 12.750 utentes.
A USF ‘O Basto’ inclui os serviços da carteira básica preconizada atualmente e adequada às características da população, como é o caso da vigilância, promoção da saúde e prevenção da doença nas diversas fases da vida; cuidados em situação de doença aguda; acompanhamento da doença crónica e patologia múltipla; cuidados no domicílio e integração e colaboração em rede com outros serviços, setores e níveis de diferenciação numa perspetiva de gestor de saúde do cidadão.
Com os médicos “mais próximos” dos utentes, a nova Unidade de Saúde Familiar vem reforçar o serviço público de saúde em Cabeceiras de Basto.
De referir que a cerimónia de inauguração, que decorreu no edifício do Centro de Saúde, contou com a presença do vogal da ARS Norte, do coordenador do ACES Ave I – Terras de Basto, Henrique Botelho, do médico e presidente da Assembleia Municipal, Serafim China Pereira e do coordenador da USF ‘O Basto’, Manuel Sá Nogueira.

Personalizar os cuidados de saúde

Em declarações à Rádio Voz de Basto (RVB), o coordenador da USF ‘O Basto’, Manuel Sá Nogueira, salientou que “a reforma da saúde, iniciada há uns anos com nomeadamente a criação das USF’s, procura personalizar os cuidados de saúde”, o que significa que na USF ‘O Basto’ o médico “passa a estar disponível 30 horas/semana para os seus utentes”.
Com a USF existe uma “solidariedade institucional” em que a equipa se responsabiliza pelo atendimento ao utente, revelou Sá Nogueira, exemplificando: “se houver algum imprevisto em que eu não possa atender os meus doentes, alguém da minha equipa os vai atender, com toda a informação e registos de que eu próprio disponho”.
A USF representa, por isso, “uma maior qualidade e um avanço na prestação de cuidados”, certificou o coordenador.
Com a entrada em funcionamento da USF “mantemos o atendimento e ninguém vai deixar de ser atendido entre as 8h e as 20h, mesmo que não seja utente desta USF”, garantiu Sá Nogueira, explicando que “vai passar a haver mais disponibilidade, mais médicos, maior rapidez, maior qualidade e isto é um avanço muito importante e por isso estamos orgulhosos”.
Nas extensões de saúde de Cavez e do Arco de Baúlhe, “a Dra. Luísa passa a estar mais 12 horas disponível, a Dra. Lara mais seis horas e o Dr. Jorge mais 12 horas”, o que quer dizer que haverá mais disponibilidade dos médicos nas extensões e isso representa uma mais-valia quer para a estrutura sede, quer para as extensões de saúde, insistiu o médico, assegurando que “da parte dos utentes obtivemos uma resposta de satisfação”.

USF é uma mais-valia
na prestação de cuidados de saúde à população

Para o presidente da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, Serafim China Pereira, também ele médico que integra a USF ‘O Basto’, as Unidades de Saúde Familiar representam uma “mais-valia na prestação de cuidados de saúde à população, sendo os utentes, praticamente, sempre vistos pelo seu médico de família, com as vantagens daí inerentes”.
De acordo com China Pereira, “no período entre as 20.00 e as 08.00 horas da manhã, as pessoas podem estar tranquilas pois o SAP (Serviço de Apoio Permanente) continuará a funcionar, sendo um serviço garantido pela ARS Norte (Administração regional de Saúde do Norte). Aos sábados, domingos e feriados o SAP funcionará 24 horas/dia”.
No período entre as 08.00 e as 20.00 horas, as pessoas que pertencem ao edifício-sede serão assistidas na USF ‘O Basto’, enquanto os utentes da extensão de Cavez serão atendidos em Cavez e os do Arco de Baúlhe na extensão de saúde do Arco de Baúlhe.
“Aquilo que tem sido o compromisso da ARS Norte é que o SAP continuará a funcionar nas horas em que a USF estiver encerrada e, por isso, as pessoas podem estar descansadas”, afiançou o médico.
Como presidente da Assembleia Municipal, China Pereira manifestou ao vogal da ARS Norte a intenção de que Cabeceiras de Basto quer continuar a manter em funcionamento os serviços de saúde 24 horas/dia, como tem vindo a funcionar até este momento.

Modelo das USF está absolutamente validado

“As USF são essenciais e as pessoas não vão perder serviços de saúde”. A garantia é dada pelo coordenador do Agrupamento de Saúde Ave I – Terras de Basto e defensor do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Henrique Botelho, que revelou o percurso das USF à Rádio Voz de Basto, na sua emissão do passado dia 2 de julho.
Fazendo uma retrospetiva: o modelo, a descrição e até a primeira legislação sobre as USF foram lançadas na altura em que Maria de Belém Roseira era ministra da Saúde e o professor Constantino Saclarides diretor geral da Saúde. “É nesta fase que são delineadas as grandes orientações e os textos informativos relativamente a esta reforma”, referiu Henrique Botelho, afirmando que “depois de algum adormecimento, em 2005 com Correia de Campos no Ministério da Saúde dá-se novo impulso com a criação de uma Unidade de Missão para executar este projeto e, em 2006, aparecem as primeiras Unidades de Saúde Familiar”.
O modelo das USF está “absolutamente validado”, afirma o coordenador do ACES Ave I – Terras de Basto, destacando que “a avaliação externa por parte da Universidade de Coimbra revela que os resultados ao longo do tempo têm vindo a ser coincidentes: mais satisfação por parte dos cidadãos/utentes e dos profissionais”.
Considerando as USF como “um projeto de sucesso”, Henrique Botelho afirma que estas unidades “concretizam na prática a filosofia do médico de família”, sendo a base do seu sucesso “o trabalho em equipa”.
Portugal é apontado como modelo de referência a nível mundial nas políticas da saúde familiar e esta realidade “é uma honra para o nosso país”, destacou Henrique Botelho, certificando que “o Serviço Nacional de Saúde é claramente sustentável se nós queremos manter-nos ao nível dos países civilizados”. E, para manter o desenvolvimento que temos ao nível da saúde, “não há maneira mais barata de o fazer do que através do SNS geral e universal e todos os estudos apontam nesse sentido”, confessou o coordenador do Agrupamento de Saúde.
E termina: “quem mais adoece são os mais pobres. Pobreza e doença andam de mãos dadas e nós somos um país em empobrecimento, o que significa que é fundamental que se façam estudos de acompanhamento no sentido de ver quais são as implicações na saúde das políticas económicas”.

Com Rádio Voz de Basto

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