Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 18-06-2012

SECÇÃO: Opinião

A IMPRENSA CABECEIRENSE

foto
SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA (1890-1937) - XI

AINDA O “ECO DE CABECEIRAS”
O desfecho da episódica “Monarquia do Norte” no nosso concelho levou ao fundo “O Cabeceirense”, relançando a carreira do “Eco de Cabeceiras”. Eis como este se despede do seu adversário: “Em virtude duma manobra política, inabilmente executada, deixou de zunzir ali no alto da Raposeira aquela mosca sarcófaga, veículo do morbo monárquico da firma Padre Domingos e Irmão e Cª, ora em liquidação, e que dava pelo chamadoiro de “O Cabeceirense”. É um…perigoso foco de infecção a menos”.
O “Eco” só vai ficar sozinho durante algumas semanas, porque reaparece à luz do dia 7 de Junho de 1919 “O Jornal de Cabeceiras”, também com o rótulo de republicano, cujo proprietário e director é João Falcão de Magalhães e editor José Carvalho. A recepção de “O Eco” era a que se esperava: “Rei morto, rei posto. Morre um, nasce outro. Que morreu?”O Cabeceirense”! Que nasceu? “O Jornal de Cabeceiras”! … É um assombro de prestidigitação ou ilusionismo! Que estupendas artes cabalísticas!”.
Sobre a designação adoptada pelo adversário de “Semanário Republicano” afirma “O Eco”: “Não sabemos bem o que estas duas palavras significam, subintitulando um papelucho que por aí circula, depois de verificarmos que toda a arenga do pasquim visa a defesa dos submissos lacaios do escorraçado conspirador Padre Domingos”.
O episódio da Traulitánia – como assim foi chamada a Monarquia do Norte pelos seus adversários, dado o uso do cacete que na altura imperou – levou também a algumas alterações na estrutura dirigente do “Eco”. Assim desapareceu o nome do director. Bernardino Teixeira Basto manteve o cargo de editor, a que se acrescentou o adjectivo “responsável”. Anuncia-se que o Dr. Manuel Justino Vasconcelos passa a ser o “redactor político” e que o semanário passava agora a ser o órgão oficial do Partido Republicano Português no concelho, intimamente ligado à Comissão Municipal Administrativa, como se infere do seguinte comunicado” “A empresa proprietária do “Eco de Cabeceiras”, agindo harmoniosamente com os membros da Comissão Municipal Republicana deste concelho, acaba de determinar que este periódico passe, de futuro, a ser aqui o órgão do mesmo partido e faça imediatamente a sua necessária e legal inscrição no respectivo cadastro. O “ Eco de Cabeceiras”, conquanto até ao momento presente sem filiação partidária nos cinco anos de luta e anseios passados, mormente no sombrio período do domínio dezembrista (isto é, sidonismo), serviu com entusiástica fé e inquebrantável vontade e nobre, luminoso e redentor ideal republicano”. (E lembrarmo-nos nós que este semanário se intitulava “independente” e criticava a “independência” dos colegas “Correio de Cabeceiras” e de “O Cabeceirense”).
Neste momento passavam a haver 2 semanários republicanos e um 3º estava na forja.

***
O Dr. Manuel Justino Vasconcelos vai-se transformar na alma-mater do “Eco”. Era natural de Cavez, da nobre Casa das Cortinhas. Nascera em 26 de Junho de 1875. Formara-se em medicina e tornara-se capitão-médico do Regimento de Infantaria 20. Fora eleito deputado nesse ano de 1919, nas eleições do dia 11 de Maio nas listas do Partido Democrático, indicado pelo círculo de Guimarães. Vivera algum tempo na Gandarela e por último nas Pereiras.
A morte colheu-o no dia 22 de Julho desse ano de 1919, após doloroso sofrimento de alguns dias, provocado por infecção contraída no exercício das suas funções médicas no tratamento de alguns soldados. O seu passamento foi muito sentido e o seu funeral ficou na história do burgo como uma das grandes manifestações de pesar de sempre.
O “Eco” apareceu tarjado de luto e obrigou Francisco Gonçalves Mota ao regresso ao lugar de director e editor. Por pouco tempo: dois anos depois uma pequena nota no nº de 11 de Junho de 1921 rezava assim: “ Por questões íntimas, deixou de ser director e editor do nosso jornal o nosso prezado amigo e prestante correligionário Francisco G. Mota”. Os seus cargos são ocupados por Mamede Falcão Ribeiro. Em Dezembro de 1923 o cargo de editor desaparece do frontispício e surge o nome do novo director: Teotónio Falcão Ribeiro Bastos. Foi este o homem que dirigiu o jornal entre o fim da 1ª República e o início do Estado Novo.
O semanário já há algum tempo que aparecia somente com 2 páginas. A subida vertiginosa do preço do papel a isso obrigava. Publicou-se ainda algum tempo submetido à censura imposta pelo regime de Salazar. Vai sucumbir em Julho de 1937. Publicou-se durante 24 anos e editou 1126 números, vivência só ultrapassada até hoje, e em muito, pelo “Jornal de Cabeceiras”.
(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.