Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-05-2012

SECÇÃO: Opinião

A IMPRENSA CABECEIRENSE

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SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA (1890-1937) - X

O ECCO DE CABECEIRAS
(1914-1937)

Foi o órgão com a segunda mais longa duração na história da imprensa cabeceirense, só suplantado até hoje pelo “Jornal de Cabeceiras”. O seu 1º número foi publicado em 1 de Janeiro de 1914 e o último em Julho de 1937. Teve 1126 edições. Quando apareceu, publicavam-se, há poucas semanas, “O Cabeceirense” e “O Correio de Cabeceiras”. Mais tarde vai emparceirar ainda com “O Jornal de Cabeceiras”, “O Apóstolo de Basto”, “O Pardal” e o “Futuro de Cabeceiras”.
Foi seu fundador, primeiro director e editor o cidadão Eugénio Machado Camelo, da Ponte de Pé. Teotónio Falcão Ribeiro Bastos, figura conhecidíssima, era o administrador. A administração e a redacção estavam sedeadas na Ponte de Pé, sendo o semanário composto e impresso em Braga, na tipografia do “Eccos do Minho”. A assinatura anual custava 1,50 (um escudo e cinquenta centavos) enquanto os assinantes do Brasil pagavam 3,00 (três escudos) em moeda forte. A publicidade cotava-se a 4 centavos a linha. Apresentava 4 páginas a 5 colunas.
Este não era o título pensado para este semanário. O título aprovado era “O Defensor de Cabeceiras”. Mas, aquando da impressão do 1º número, verificou-se que esse título “não se coadunava, pela sua extensão, com as dimensões do jornal”. O caricato da questão é que o artigo da apresentação, naturalmente escrito e composto com bastante antecedência, indica o título “O Defensor de Cabeceiras”. Só no 2º número é dada a devida explicação.
Teve bastantes alterações ao longo da sua vida. Assim, em 17 de Fevereiro de 1917 desaparece o nome do administrador; em 17 de Março indica um novo proprietário, Abel Leite Pacheco. Não é indicado o nome do director mas surge como editor Alírio da Costa Queirós, natural de Leiradas, que foi sobejamente conhecido como o Sr. professor de Chacim. José Augusto Falcão de Azevedo, o antigo director e fundador do “Jornal de Cabeceiras”, aparece aqui como redactor principal. Pelo fim do ano o semanário aparece com 2 páginas e passa a ser impresso na Ponte de Pé. Sente-se que vai haver alterações. Assim sucede: desaparece o nome de Falcão de Azevedo e a 13 de Abril de 1918 (estamos agora no Sidonismo) é Francisco Gonçalves Mota o proprietário, director e editor. Os episódios da Monarquia do Norte, na nossa Vila, entre Janeiro e Fevereiro de 1919, determinam o aparecimento de um novo proprietário: Bernardino Teixeira Bastos, que também fora proprietário de “ O Cabeceirense”.
“O Ecco de Cabeceiras” vai, durante o período da Monarquia do Norte, sofrer o destino bem conhecido de outros semanários que se publicaram em Cabeceiras: a destruição, o que levou ao desaparecimento da publicação por algumas semanas. O nº 258, de 22 de Fevereiro de 1919, diz:
“27 de Janeiro de 1919. Assalto e latrocínio feito às nossas oficinas de composição e impressão na madrugada de 27 do mês findo. Uma quadrilha de malfeitores e criminosos, em nº superior a 12, que tomaram previamente as embocaduras das ruas próximas, para praticarem à vontade a fácil proeza, às 2 horas da madrugada! Isto fez-se com grande alarido, em plena vigência dessa coisa imunda e, felizmente passageira, dessa monarquia de garotada, pois só garotos e vadios de pior espécie assinalaram à luz do dia a decantada restauração realista em Cabeceiras…Do assalto praticado pelos esperançosos e heróicos malandrinos – alguns dos quais faziam o tirocínio para se alistarem num decantado batalhão de voluntários, que logo a seguir se formou com a designação definidora de Batalhão Padre Domingos (um grupo fandango e ignóbil) que para aí teve uma vida efémera de depravação e ridículo, tendo-se a maior parte dos associados alistado com a única mira de obterem algumas peças de vestuário e o indispensável armamento (para passarem a dinheiro no primeiro ensejo) – do assalto, dizíamos, resultou a deterioração e o roubo de uma grande parte do material tipográfico, de modo que foi enorme a dificuldade para se conseguir o tipo indispensável para a composição das suas páginas”.

(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

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