Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-05-2012

SECÇÃO: Reportagem

Lavoura Tradicional juntou gerações no Dia do Trabalhador

Várias juntas de gado desbravaram a terra
Várias juntas de gado desbravaram a terra
Centenas de pessoas, jovens e menos jovens, festejaram no passado dia 1 de maio o Dia do Trabalhador com a tradicional Lavoura à moda antiga, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e pela Basto Vida, com o apoio da Emunibasto e das Juntas de Freguesia.
Apesar da chuva que se fez sentir, a lavra realizou-se ao som dos mais tradicionais cantares que aqueceram não só as vozes, como o ambiente campestre que se viveu na Quinta da Portela, nas imediações do centro da vila Cabeceirense.
Reviver e recriar os trabalhos agrícolas de outrora, dando a conhecer aos mais novos a atividade rural dos nossos antepassados e promover o intercâmbio intergeracional foram os objetivos desta iniciativa, que vai já na sua quinta edição.
Oriundos das várias freguesias do concelho, os lavradores trabalharam a terra, onde cinco juntas de gado maronês e barrosão puxaram arados e grades desbravando o solo e criando condições para o cultivo do milho. José Mucha, de Basto (Santa Senhorinha), Eduardo Araújo, de Asnela – Riodouro, Hilário Araújo, de Chacim – Refojos, José Sousa Gomes, de Portela – Outeiro, e António Barroso, de Cambezes – Riodouro, foram os proprietários de gado que trouxeram os seus animais até à Quinta da Portela.
Ao todo, a iniciativa juntou mais de três centenas de populares, uns que se associaram à lavra à moda antiga e outros que assistiram aos trabalhos agrícolas.
Lavoura tradicional proporcionou registos de grande beleza
Lavoura tradicional proporcionou registos de grande beleza
A lavoura começou bem cedo com a concentração dos populares no Parque do Mosteiro, onde foi servido o típico ‘mata-bicho’ (broa e aguardente). Os ‘agricultores’ seguiram, posteriormente, em desfile até à Quinta da Portela, onde munidos de alfaias agrícolas deram início aos trabalhos. Depois de espalhado o estrume, foi lavrada a terra e semeado o milho ao som das cantigas de outrora.
A meio da manhã, os ‘lavradores’ degustaram o pequeno-almoço composto por pataniscas, tremoços, azeitonas, figos e doces, seguindo-se a sementeira do milho que será doravante regado, sachado e tratado, para que em Setembro, por altura das Festas de S. Miguel, seja desfolhado à moda do Minho.
Devido às más condições climatéricas, o almoço foi servido na cantina do Centro Escolar Padre Dr. Joaquim Santos, onde a festa prosseguiu com muita dança e música tradicional ao som das concertinas.
À lavoura não faltaram os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, Eng.º Joaquim Barreto e Dr. China Pereira, os vereadores Dr. Domingos Machado e Francisco Pereira, os presidentes das Juntas de Freguesia, a administradora da Emunibasto, Dra. Fátima Oliveira, a diretora da Basto Vida, Dra. Catarina Ramos, membros da Assembleia Municipal, entre outros convidados. De salientar, ainda, a presença do grupo do Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto (CTCMCB). Trajados à moda antiga, os atores não perderam a oportunidade de contactar com os agricultores, que lhes proporcionaram ensinamentos que serão de grande utilidade nos próximos trabalhos a ser desenvolvidos.
No final da Lavoura Tradicional, o presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Eng.º Joaquim Barreto, registou com satisfação a adesão dos populares, crianças, jovens e adultos, que mesmo em dia de chuva não baixaram os braços e cultivaram a terra.
A lavoura realizou-se em duas leiras da Quinta da Portela
A lavoura realizou-se em duas leiras da Quinta da Portela
“Maio é o mês das lavouras e nós procuramos associar este dia ao trabalho no campo e à comemoração do Dia do Trabalhador”, realçou o autarca Joaquim Barreto, referindo que o objetivo é “reviver a lavoura, os seus usos e costumes”, transmitindo “estas tradições e estas vivências culturais e sociais às novas gerações para que a atividade agrícola se prolongue no tempo”.
Para o autarca de Cabeceiras de Basto, “o convívio intergeracional é muito importante” para assegurar a identidade de um povo no tempo.
De acordo com as palavras do presidente da Assembleia Municipal, Dr. China Pereira, a lavoura promovida pelo Município permite recordar aos novos os usos da agricultura em Cabeceiras de Basto.
“A agricultura do antigamente era muito pouco tecnológica e esta iniciativa dá a conhecer aos mais jovens os utensílios usados na lavoura de outros tempos”, explicou China Pereira, assegurando que “as tradições, os usos e costumes são o que há de mais importante numa comunidade e é bom que nós consigamos transmitir esta mensagem geração após geração”.
A Lavoura cumpriu os objetivos e superou as expetativas da organização, que pretendeu proporcionar uma jornada de cariz tradicional aos Cabeceirenses e a todos os visitantes.

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