Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-03-2012

SECÇÃO: Opinião

ERA ASSIM ANTIGAMENTE - II

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Já falamos anteriormente do tipo de chupetas que as mães improvisavam para calar ou adormecer os seus filhotes. Essas crianças eram quase na totalidade criadas com o leite materno e quando raramente isso não acontecia, então podiam recorrer a outra mulher que estivesse a amamentar um filho sendo o outro recurso o leite de cabra ou vaca devidamente fervido.
Era suposto nesse tempo que a parturiente se mantivesse na cama durante trinta dias comente uma galinha cozida por dia. Parece-nos haver aqui um pouco de exagero na qualidade de galinhas comidas mas, talvez fosse verdade…
Terminado esse repouso, longa e penosa trabalheira aguardava a mulher quando iniciava as suas árduas tarefas que faziam parte do seu quotidiano.
Por tudo o que fizeram a favor do seu agregado familiar, pelo muito que sofreram em prol de uma sociedade ingrata, injusta sempre de costas voltadas para as classes desfavorecidas é por tudo isso que aqui deixamos o nosso reconhecimento e prestamos a nossa sincera homenagem, a essas valorosas mulheres.
Falemos primeiramente do tratamento de roupas. As mesmas eram lavadas em poças de água, levadas, riachos ou rios e, só mais tarde em lavadouros públicos quer fizesse frio ou calor. A secagem, no inverno, era quase sempre feita junto à lareira para ser vestida no dia seguinte. Quando passada a tábua era a tampa da masseira do pão ou a mesa do escano. O ferro era espevitado com brasas tiradas da lareira e, a ferrugem da base era removida com um coto de vela de cera. Era ruim de passar porquanto os tecidos serem de má qualidade como o cotim, sarja, pano cru, chitas, estopa, tomentos, fioco e caxemiras já um pouco melhor assim como a cambraia. As calças feitas de fioco eram tão boas que, quando chovia, mingavam quase um palmo sendo motivo de boa chacota. As camas eram de ferro ou madeira, a enxerga de pano riscado cheia de colmo esquiçado com uma gancheta de madeira… .
Havia porém, casos em que os ditos colchões eram cheios com folhelho desfiado conhecido por camisa das espigas e igualmente empurrado com as tais ganchetas de oliveira.
Os lençóis normalmente feitos de estopa e de textura muito áspera davam mau conforto a quem neles se deitava. As mantas se de lã tornavam-se leves e quentes, ao contrario das de trapos que, sendo pesado, pouco aqueciam embora, fossem bonitas.
Debaixo das camas era vulgar haver um penico de esmalte destinado a aproveitar a urina que depois era usada como fertilizante nos renovos da horta só que, esses penicos, quando não eram lavados amiudadas vezes, ganhavam um sarro de muito mau aspecto e difícil de remover.
Muitas das famílias mais pobres, não tinham uma segunda muda de roupa de cama, então aproveitavam o pino do verão para lavar a que tinham ou então essa roupa era estendida numas fragas para que o sol escaldante fizesse saltar fora os percevejos, pulgas e piolhos que infestavam os catres dessas pobres famílias e, com eles conviviam o ano inteiro.
As casas em muitos casos eram de um desconforto total e, havia uma ou outra que, nem sequer tinha soalho. O piso era em terra batida e varrido com vassoura feitas de codeços ou giestas. Se tinha soalho era normalmente de tábuas de pinho lavado e esfregado com sabão amarelo e uma escova de piassava sendo por altura da Páscoa.
As cozinhas na sua maioria não tinham chaminé nem propriamente lareira, a fogueira era feita encostada à parede e o fumo saia através de duas ou três telhas ligeiramente levantadas, mas acontecia que, quando a lenha era verde, provocava muito fumo que invadia todo o espaço e se tornava altamente irritante para os olhos de quem infelizmente não tinha outra alternativa.

(Continuação)

Por: Alexandre Teixeira

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