Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-03-2012

SECÇÃO: Informação

João Pacheco escreve ‘Homero, o poeta popular…’

Joaquim Barreto felicita João Pacheco
Joaquim Barreto felicita João Pacheco
Tem 17 anos e o gosto pela tradição oral e pela escrita levou-o a publicar a sua primeira obra literária. ‘Homero, o poeta popular…’ é a homenagem que João Pacheco presta ao poeta popular e repentista de Cabeceiras de Basto, Homero Pereira Ramos, conhecido na sua geração por “improvisar quadras inesperadas em situações inesperadas, nelas pondo a sua verve, boa disposição e capacidade de ironia, por vezes erótica, por vezes política, ou seja, a sua riqueza de espírito que parecia ser magnânima em tempos de escassez e de tirania”, palavras de Elsa Pacheco, madrinha do autor.
O livro foi dado a conhecer ao público no passado dia 9 de março, no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, perante um auditório repleto de familiares e amigos de João Pacheco e de Homero Pereira Ramos, autarcas e população em geral.
Coube ao presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Eng.º Joaquim Barreto, apresentar a obra, que representa um contributo para o conhecimento desta terra de Basto e das suas gentes, em diferentes contextos sociais e geracionais, mas que ajudam a construir a história sociocultural e económica deste território, referiu o autarca, enaltecendo a ousadia do jovem escritor que “resgatou do esquecimento” o poeta popular Homero Pereira Ramos.
Da mesma opinião partilharam o presidente da Assembleia Municipal, Dr. Serafim China Pereira e o vereador da Cultura, Dr. Domingos Machado, que na oportunidade felicitaram o jovem João Pacheco pela iniciativa, mas também pela demonstração de amor à terra e às suas raízes, partilhando a sua perceção sobre cultura e património, quer na capacidade de versejar, explicando Homero não só pela prosa cuidada, mas também pelo verso, sob a forma de quadra popular.
A apresentação do autor esteve a cargo da madrinha, Elsa Pacheco, que teceu rasgados elogios ao jovem que aqui manifesta o orgulho pela sua terra e pelas suas raízes, ao mesmo tempo que apela aos jovens da sua geração para participarem na promoção do desenvolvimento local.
Na sua intervenção, Elsa Pacheco agradeceu a aposta que o atual executivo Cabeceirense, na pessoa do seu presidente, tem feito nas pessoas e na criação de condições e promoção de oportunidades conducentes à melhoria da qualidade de vida, sem esquecer a memória coletiva deste povo.
No final, o autor agradeceu a presença de todos e em particular daqueles que direta ou indiretamente estiveram envolvidos neste projeto que enaltece Homero Pereira Ramos, o poeta popular.
“Tendo em conta que a vida é efémera e como perder os símbolos e entidades que nos antecederam é perder a nossa cultura e a própria identidade, decidi elaborar esta obra, dado que sou digno do meu registo e orgulhoso de ser cabeceirense”, escreve João Pacheco no prefácio da sua primeira obra literária.
E justifica: “a juventude que se diz tão aberta, tão para a frente, não se tem mostrado recetiva à aprendizagem e fixação daquela que é a nossa, tão rica, história concelhia. Numa tentativa de remar contra a maré, combatendo o comodismo da minha geração, escrevo este livro”.

João Pedro Magalhães Pacheco nasceu em 13 de setembro de 1994. Natural de Cabeceiras de Basto, o jovem frequenta o 12.º ano na Escola Secundária Francisco de Holanda, em Guimarães, “vivendo na constante preocupação de enaltecer a terra e glorificar os feitos culturais e individualidades que pudessem, à partida permanecer esquecidas”.
O livro, que se desenrola ao longo de 138 páginas, ilustradas por Carolina Pacheco, revela diversos episódios da vida de “Mero” e as suas tão afamadas quadras improvisadas sobre os mais variados aspetos da vida na vila de Cabeceiras de Basto. Uma obra que termina com versos dedicados a Homero Pereira Ramos, “um homem de plenitude, um homem que nos faz rir com a sua arte”.
O autor responde

EB: Como surgiu a ideia para a criação do livro ‘Homero, o poeta popular’?
JP: Este livro surgiu de forma espontânea, tal como as quadras do protagonista e promotor deste feito, Homero Pereira Ramos. Nasce de uma conversa tida à mesa, em família, na qual a minha avó paterna narrou um das tantas vivências do então reconhecido poeta popular. Falávamos da sua oferta às obras da paróquia da freguesia de Painzela e a quadra que surgiu associada à ocasião:
“Esta é a minha telha e dos meus filhos,
A da minha mulher vem depois.
Pois essa tem telha
Que carrega um caro de bois”
O fascino que me suscitou esta estância, tendo em conta que foi criada por alguém com uma educação elementar, despertou-me curiosidade e consequente interesse. Parti, então, à descoberta dos demais versos do “Mero” de Cabeceiras de Basto e das histórias de uma vida de trabalhos efémeros, indissociável do desejo pela bebida.
EB: Qual é o objetivo desta obra?
JP: Esta obra, que não tinha como objetivo inicial ser um livro, ambicionava apenas desenvolver um mero trabalho, à partida sem traços muito definidos. Agora tem, pois, o intuito de expandir a vida de Homero Ramos e, portanto, dar a conhecer a sua história e a sua admirável faculdade em rimar espontaneamente.
É, sem dúvida, um marco na história do concelho e, sobretudo, alguém que sem querer, contribuiu para o registo concelhio no que respeita à fração cultural.
EB: Qual a sua mensagem?
JP: A mensagem que transparece deste livro é, efetivamente, um apelo à sociedade para que dê mais atenção à cultura e à literatura, em detrimento de outras temáticas menos relevantes. É, maioritariamente, um convite aos jovens, para que vejam como alguém conseguiu tão longe depois de uma vida de esforço e de trabalho. Emerge o retrato do poeta e destaca-se o seu espírito sempre alegre e divertido, muitas vezes em tempo de censura e tirania. A meu ver, este livro é, em parte, uma descrição minuciosa e deveras eloquente daquilo que foi a II República e as mentalidades de outro tempo, em que Homero fora um revolucionário como poucos da sua época.
EB: O que é que te motivou a escrever este livro?
JP: A paixão pelo meu concelho e a admiração que demonstro face a esta terra e aos meus conterrâneos, são o ponto primórdio deste volume. De igual forma, a necessidade de resgatar Homero do esquecimento e a sua capacidade para rimar em situações inesperadas, são o motivo principal que conduziu à edição deste meu primeiro feito literário.
EB: O que representa para ti a publicação deste primeiro trabalho?
JP: A publicação deste primeiro trabalho é, mais do que qualquer outra coisa, sentir-me profundamente realizado. É motivo de orgulho atingir tal feito, e, como se não bastasse ter escrito o livro, alimenta-me ainda mais o ego homenagear alguém que em vida jamais teve o merecido reconhecimento. Estou grato aos que contribuíram como fonte de informação e, principalmente, à família deste célebre cabeceirense, que se mostrou recetiva a esta edição, desde o primeiro momento.
EB: Pretendes continuar?
JP: Pretendo! O último lançamento de um livro a que assisti antes do meu, foi à cerimónia de apresentação do feito de um cabeceirense, José da Costa Oliveira, na qual ele proferiu, garantindo, que escrever é um vício. Tenho essa premissa como plausível!
O gosto pela escrita é, em mim, evidência. Portanto, é provável que num futuro próximo suja mais um feito. Até porque o primeiro, modéstia à parte, mostrou ser um verdadeiro sucesso.
EB: Quais são os temas que te despertam maior interesse?
JP: Escrever em poesia é, para mim, mais enriquecedor dom que escrever em prosa. Pois, as palavras quando aproximadas pela consonância, associadas aos demais recursos de estilo, tomam uma dimensão e significados distintos.
Considero-me abrangente nas temáticas, bastante diversificado nos assuntos que seleciono e narro. Pretendo que o (s) próximo (s) não seja (m) sobre a terra, que não se cinja (m) somente a Cabeceiras de Basto. O que vier será diversificado e chegará, certamente, ao mais variado grupo de leitores. É óbvio que é um orgulho escrever sobre as origens. Contudo, pretendo variar na escrita que levo avante, não só na forma, mas também no conteúdo.
Mais virão! – É uma garantia…

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.