Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

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SECÇÃO: Informação

OS MOINHOS

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Muitos dos velhos moinhos
Cansados de trabalhar
Dormem já o sono eterno
Ninguém os quer acordar

Pequena casinha triste
Onde morava o moleiro
Dormindo ao som da tremonha
De cada vez um graeiro

A água vem-lhe do rio
Veloz corre na levada
Em cachão empurra a roda
Que gira desengonçada

O rio de monte a monte
Corre louco enfurecido
Mas do moleiro não leva
No seu caudal um gemido

Ser moleiro é ser do povo
É ter nobre ocupação
Do milho se faz farinha
Da farinha se faz pão

Também o caldo farinha
Era alimento da grei
Fio de azeite e labrestos
Parecia manjar de rei

Hoje o moinho esquecido
Por silvas emaranhado
É apenas para nós
A lembrança do passado
Telhado feito de colmo
Em traves mal amanhadas
Paredes de pedra tosca
Que não foram alinhadas

A mó é de pedra dura
De quando em quando picada
Vai transformando em farinha
Milho que deu a vessada

Foram fonte de riqueza
Alegria, choro e ais
Para quem comia caldo
E além de pão pouco mais
A farinha peneirada
Inda nos dá o farelo
Quer seja de milho branco
Ou de milho amarelo

Felizmente aqui e ali
Trabalha ainda um moinho
Que não quer ser reformado
Apesar de ser velhinho

Por: Alexandre Teixeira

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