Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-11-2011

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (148)

foto
O VERDE DO BRASIL

Era uma viagem que já trazia adiada por mais de uma dúzia de anos. O princípio sempre foi, para além de outros de menor importância, aquele que desde muito novo aprendi, e que consiste em que se deve guardar sempre o melhor pedaço para o fim.
Não terá sido bem para o fim que esta viagem ao Brasil acabara por ser guardada, uma vez que espero poder vir a realizar algumas outras mais, mas foi efectivamente com grande atraso que acabei por me decidir em levá-la a cabo.
Por sistema não vou para lado algum, fora do meu país, para fazer praia ou dedicar-me em exclusivo a visitar lugares como igrejas ou museus. É um facto que uma qualquer igreja como a do Senhor do Bonfim, em S. Salvador da Baía, ou a Casa Museu de Jorge Amado são lugares que ninguém poderá deixar de visitar desde que para isso lhe surja a possibilidade. Em boa verdade, eu até visito muitas igrejas, muitas catedrais e muitos museus. O que eu quero dizer é que não é esse o meu principal objectivo enquanto viajante ao longo dos quatro cantos do planeta.
Eu aprecio e perco-me em viagens para fora de barreiras. Para mim, o que tem mais significado são as paisagens. Paisagens no plural, que são várias. É a paisagem urbana, é a paisagem industrial, e é, acima de tudo, a paisagem florestal e agrícola. Cada uma no seu lugar próprio e todas formando um conjunto equilibrado.
Conjunto equilibrado? Aqui é que bate o ponto. Onde é que isso poderá ser observado em todo o seu esplendor? No Brasil, temos a Amazónia e o Pantanal, um extenso paraíso do reino vegetal e animal, há as grandes cidades como o Rio de Janeiro e S. Paulo, com toda a sua pujança comercial e industrial, tudo coexistindo com as denominadas favelas, agora comunidades. As favelas, são aglomerados urbanos, com centenas de milhares de habitantes, tudo no prolongamento, por vezes mesmo no interior das grandes cidades.
Uma significativa parte de tudo isto já eu conhecia sem alguma vez lá ter ido. É-nos mostrado, a todos, com relativa frequência, através dos programas de televisão. A televisão é uma coisa maravilhosa, todos podemos conhecer perfeitamente o mundo sem nunca lá ter posto os pés!
Este ano, decidi-me, botei os pés ao caminho, fui à minha agência de viagens e comprei uma viagem à medida, nada de programas pré-estabelecidos, uma viagem de dez dias apenas com transportes e alojamento, três dias em S. Salvador da Baía, três dias em S. Paulo e três dias no Rio de Janeiro.
Em S. Salvador tive azar porque apanhei três dias de Inverno, temporal mesmo, chuva e vento como há mais de trinta anos não acontecia por aqueles lados. Nem a Casa Museu de Jorge Amado consegui visitar. Aqui registei uma das minhas maiores falhas em termos culturais. Será razão bem suficiente para qualquer dia, num futuro próximo, lá voltar.
Três dias em S. Paulo. Como já referi, o meu principal objectivo não é fixar-me propriamente no interior de qualquer grande cidade. Desta feita, arranjei quem me levasse até Santos. Santos é uma cidade de média dimensão, (a Pátria do futebol de Pelé. Este futebolista famoso jogou no Santos quase toda a sua vida desportiva, 1956 a 1974, depois jogou apenas dois anos, 1975 a 1977, no New York Cosmos, de Nova Iorque, antes de dar por terminada a sua carreira desportiva), que dista cerca de oitenta quilómetros de S. Paulo, e se localiza junto ao mar, onde existem grandes praias, sempre cheias de banhistas, mesmo no Inverno. É também em Santos que se situa o maior porto de mar do Brasil e de toda a América do Sul.
Primeira grande impressão, S. Paulo situa-se num planalto, entre S. Paulo e Santos, viaja-se no sentido do litoral, o terreno é altamente acidentado, com montes, picos e ravinas que se imaginam quase inacessíveis. Na maior parte do percurso, de cerca de oitenta quilómetros, existe uma auto-estrada para cada sentido, seguindo cada uma delas a cotas muito diferentes. As montanhas todas de um verde de tirar a respiração.
No Rio de Janeiro, fiquei a saber o verdadeiro significado dos nomes de duas das jóias do turismo local. Refiro-me ao Corcovado e ao Pão de Açúcar. Confesso que fazia uma grande confusão, em boa verdade não sabia o que significavam os nomes, quer do Corcovado, quer do Pão de Açúcar. Fui aos dois, como não podia deixar de ser.
Para o Corcovado, sobe-se sempre em mini autocarros, num primeiro troço veículos a gasóleo e num segundo troço, mais próximo do monumento, veículos movidos a baterias, tudo para evitar a poluição do local.
Para o Pão de Açúcar, o único meio de transporte é uma espécie de teleférico, mas não é um teleférico, também não é um elevador. Trata-se de um meio de transporte aéreo suspenso por cabos constituído por dois módulos, duas cabines, enquanto uma sobe a outra desce, e cruzam-se a meio do percurso. Cada cabine leva sessenta e cinco pessoas e tem um peso bruto de cinco toneladas. Tudo isto suspenso de cabos, a cerca de quatrocentos metros de altura, mete algum medo.
Voltemos aos significados: Corcovado é um morro (no Rio de Janeiro, como em Santos, há muitos morros, aliás, estas duas cidades estão edificadas no meio de morros), onde efectivamente foi instalada a grande estátua do Cristo Redentor, e tem esse nome por ficar na extremidade de uma colina que tem a forma do dorso de um camelo. Pão de Açúcar chama-se assim por ser também um morro, de formato quase vertical, fazendo lembrar uma baguete, e tem a sua parte mais alta, por grandes períodos de tempo, envolta por uma cobertura de nevoeiro, fazendo lembrar a referida baguete polvilhada com açúcar.
A cabine que transporta os turistas até ao cimo do morro Pão de Açúcar, que não é um elevador nem um teleférico, chama-se “Bondinho”. O trajecto é feito em duas etapas, cada uma delas com o seu par de “Bondinhos”. A primeira liga a base, ao nível da praia Vermelha, e o cume do morro Urca, a duzentos e vinte metros de altitude, e a segunda liga o cume da Urca ao cume do Pão de Açúcar, a cerca de quatrocentos metros de altitude.
A finalizar, fiz mais um passeio para fora de barreiras, até à cidade de Petrópolis, cerca de setenta quilómetros para o interior a partir do Rio de Janeiro. A cidade tem o nome de Petrópolis em homenagem ao seu fundador, o rei D. Pedro II do Brasil. Fica situada num local paradisíaco, encravada no meio de profundas ravinas, mas a uma significativa altitude relativamente ao nível do mar, cerca de oitocentos e cinquenta metros.
As ligações por estrada com o Rio de Janeiro, em grande parte do seu percurso, são feitas através de duas estradas independentes, uma em cada sentido e a cotas bastante diferentes, um pouco à semelhança das ligações entre S. Paulo e Santos. A vegetação é algo de exuberante.
O Brasil é, de facto, um paraíso de vegetação, um país muito verde, um grande pulmão do mundo!

Por: José Costa Oliveira

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.