Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-11-2011

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (147)

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SÍMBOLOS DA NAÇÃO

Os verdadeiros símbolos da Nação, toda a gente os conhece, são a Bandeira Nacional, o Hino Nacional e o Presidente da República. Os dois primeiros são intemporais, não estão sujeitos a qualquer tipo de mudança, ao sabor do decurso do tempo, ou das preferências de um qualquer grupo ou classe. O terceiro, esse sim, esse é temporal e muda, no máximo, ao fim de cada período de dez anos.
Graças a Deus que assim é. Quero dizer, os dois primeiros são quase vitalícios, são símbolos na verdadeira acepção do termo, não interferem com a vida dos cidadãos, não se manifestam, não tomam atitudes. O terceiro, enquanto símbolo pessoal, sujeito a todo o tipo de contingências humanas, capaz de interferir com a opinião dos cidadãos, detentor de capacidade de decisão, embora limitada, mal fora se não tivesse o seu ciclo de vida limitado no tempo.
Eu sou daqueles que sentem um aperto no peito, e que até se comovem, sempre que escutam o hino nacional. Também estremeço, sempre que me deparo com a nossa bandeira nacional em qualquer paragem além fronteiras. É com grande apreensão que tenho assistido à tomada de posição de certos iluminados da nova vaga que, uma vez ou outra, vêm tecendo críticas à letra da “Portuguesa” de Henrique Lopes de Mendonça. Sugiro que deverão dedicar-se a outro tipo de questões, porventura mais pertinentes, e deixem a letra do nosso Hino Nacional tal como está.
Bom, mas não foi para fazer qualquer tipo de referência especial aos três símbolos que são efectivamente os nossos símbolos nacionais, e que toda a gente conhece muito bem, que eu meti mãos a este artigo. Eu penso, e estou quase certo de que não me encontro só, que há outros símbolos dos quais não deveríamos largar mão.
Também são nacionais, e levam o nome do nosso país a todos os cantos do mundo. Se bem que haja outros ainda, eu elegi os três que considero principais: a RTP; a TAP; e os CTT. Trata-se de uma segunda série de três, tantos como os propriamente ditos.
A respeito desta temática, choca-me, muito profundamente, a febre de privatizações que por aí graça. Por este andar, a nossa identidade como nação não durará grande tempo.
Lembram-se de quando se iniciavam e se encerravam as emissões da RTP que era exibida a bandeira nacional a ondular ao vento e se ouvia o hino nacional? Agora não se assiste a nada disso. Também há uma explicação: é que as emissões da RTP parecem ser contínuas, não há abertura nem encerramento, portanto, por esta banda, não haverá grande coisa a reclamar.
Porém, depois de privatizada, refiro-me à RTP, a bandeira nacional deverá ser arreada, se é que ainda se encontra em algum dos recantos das respectivas instalações. O mesmo se passará com o estandarte dos aviões da TAP. Quanto ao cavalinho dos CTT, esse encontra-se profundamente envergonhado, e não levará grande tempo a desaparecer. Meus senhores, são símbolos que a todos nós dizem respeito.
Eu já aqui escrevi, não vai há muito tempo, um artigo sobre os vendilhões. Na altura referia-me aos vendilhões do templo e pretendia acertar nos agiotas e nos usurários da banca, mas, quanto aos símbolos que nos são queridos, os vendilhões merecem ainda uma repulsa maior. Quais homens da luta, qual geração à rasca, imponhamo-nos e lutemos contra a alienação de empresas símbolo como são a RTP, a TAP e os CTT.
Ainda a propósito de simbologias, uma coisa que acabou por ser banida, nos idos tempos do PREC, sobretudo devido às pressões de grupos de progressistas fabricados à pressa, e que agora vai surgindo, embora com alguns receios, é o uso, em certos locais e profissões, de uniformes próprios e adequados. Há muitos bons exemplos internacionais. Podemos tomar o dos Estados Unidos da América como paradigma. Porque não?
Está, por estes dias, a fazer um ano que realizei uma viagem a S. Tomé e Príncipe e ao Gabão. Como é do conhecimento da maioria, se não de todos os meus leitores, S. Tomé e Príncipe é o mais pequeno dos países de expressão oficial portuguesa em África. Como todos sabem também, S. Tomé e Príncipe tornou-se independente a 12 de Julho de 1975.
Por seu lado, o Gabão é um país de expressão oficial francesa, situa-se na região do Golfo da Guiné, é o vizinho mais próximo de S. Tomé e Príncipe, e tornou-se independente da França a 17 de Agosto de 1960.
Enquanto que o Gabão é um dos países mais desenvolvidos de toda a África negra, ocupando o 53.º lugar no ranking de rendimentos per capita, S. Tomé e Príncipe é um dos países mais pobres do mundo, ocupa o 205.º lugar daquele mesmo ranking (note-se que o número actual de países de todo o planeta não vai além dos 194, aquela classificação, chegando ao 205.º elemento, deve-se ao facto de a mesma integrar regiões que não são consideradas países de pleno direito).
Tudo isto para dizer que verifiquei, com especial apreço, que todos os alunos, meninos e meninas, rapazes e raparigas, do Liceu Nacional de S. Tomé, que ainda mantém a designação e os mesmos caracteres do tempo da administração portuguesa, usam uniforme. Todos vestem, exteriormente, da mesma cor e do mesmo formato. Eu apreciei.
Também no Gabão, onde existem estabelecimentos de ensino público e privado, uns mistos, outros exclusivos de cada sexo, em todos eles, públicos e privados, os estudantes envergam um uniforme. Neste país, vai-se um pouco mais além, e os estudantes de cada estabelecimento de ensino são identificados, na rua, através do uniforme que usam.
Acham isto errado? Será menos digno para um qualquer jovem envergar um uniforme em conformidade com as cores da sua própria escola? Eu, muito sinceramente, acho que não.
Mais, seria, ou será mesmo, um bom meio de se evitar o exibicionismo de uns quantos, no que respeita a marcas e modelos de calçado e vestuário, que não deixa de pulular por aí. Coisas que, em tempos de aperto financeiro, a nível pessoal e colectivo, são cada vez mais um insulto de uns poucos à grande maioria de todos nós.
Pensem nos exemplos do Gabão e de S. Tomé e Príncipe…Se não gostarem, se acharem que são muito pobres, reparem no outro extremo, no exemplo que vem dos Estados Unidos da América.
No meio, e neste particularíssimo caso, parece não residir a virtude…

Por: José Costa Oliveira

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