Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 17-10-2011

SECÇÃO: Opinião

A IMPRENSA CABECEIRENSE - SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA (1890-1937)

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II - “O 1º CABECEIRENSE”

As bibliotecas a que normalmente recorro não me deram qualquer referência sobre a existência no seu acervo de qualquer exemplar do que estamos a chamar “O 1º Cabeceirense”, de modo a distingui-lo dos dois reaparecimentos seguintes.
Passei a conhecer a sua existência primeiramente por uma simples indicação da Enciclopédia Verbo Século XXI que, na entrada sobre Cabeceiras de Basto afirma: “O Cabeceirense, 1890”. Esta afirmação está mais desenvolvida no “Anuário Comercial de Portugal”, respeitante ao ano de 1896 que diz textualmente: “O Cabeceirense, semanário defensor dos interesses locaes, fundado em Dezembro de 1890, publicado às sextas-feiras. Propriedade e director: Celestino Falcão”. Já o “Almanaque da Província do Minho” do ano de 1894 indica: “O Cabeceirense – director e proprietário: José d’Aquino Falcão”. (De notar que tanto os Almanaques como os Anuários normalmente têm indicações referentes ao ano anterior da sua publicação. Deste modo podemos dar como certo que este 1º Cabeceirense se começou a publicar em Dezembro de 1890, se publicava ainda no fim de 1893 e no fim de 1895). Não sabemos quando desapareceu.
Estas provas vieram dar consistência a uma frase constante duma carta que o Dr. Francisco Botelho, ilustre ribeirapenense, advogado com residência na nossa vila, escreveu ao director do “Jornal de Cabeceiras”, datada de 31 de Julho de 1934 (que Alexandre Vaz reproduziu e comentou numa interessante crónica que publicava n’ “O Basto” sob o título “Epistolografia Cabeceirense”), frase esta que diz: “O doutor Francisco de São Luiz da Silva Botelho, afilhado de baptismo do célebre Cardeal Saraiva, Dom Frei Francisco de São Luiz, publicou no “2º Cabeceirense” ou n’ “O Povo de Cabeceiras”, mas creio que n’ “O Cabeceirense”, umas pequenas mas curiosas notas de história local”. Ora, tendo o Dr. Francisco da Villa, como era conhecido, falecido em Abril de 1910, com a provecta idade de 90 anos, mas muito lúcido ainda, somos de opinião que as notas históricas que publicou o devem ter sido no que chamamos o

2º CABECEIRENSE

Sobre este 2º Cabeceirense – fechado na Biblioteca Nacional de Lisboa – conhecemos numa publicação sobre o fundo dos periódicos ali existentes, uma ficha com os seguintes dados: - O Cabeceirense. Cabeceiras de Basto, 1898; publicação semanal; proprietário e redactor José d’Aquino Falcão; ano 1º, nº 1 (3 Nov. 1898) – ano 1º, nº 2 (10 Novembro 1898). Cabeceiras de Basto – António José da Silva, 1898; 46 centímetros”. Indica ainda as quotas de classificação e arrumo. Não indica a função de António José da Silva, mas infere-se que era o indicado como responsável perante os poderes públicos. Também não indica a data em que teria deixado de se publicar. Certo é que não demorou muito tempo a que surgisse o

3º CABECEIRENSE

Efectivamente em 9 de Outubro de 1913 surgiu novamente “O Cabeceirense” e novamente com a indicação: ano 1º, nº 1. Intitulava-se agora independente, noticioso, literário e recreativo. Saía aos domingos e indicava como proprietário Bernardino Teixeira Basto. Já os cargos de director e editor eram da responsabilidade de Manuel Baptista Gonçalves. A administração, composição e impressão estavam a cargo da “Tipografia Cabeceirense” na Ponte de Pé. A assinatura anual era de 1.500 réis para o continente e de 3.000 réis para o Brasil, em moeda forte. A linha publicitária tinha o custo de 50 réis. À maneira dos semanários da época, tinha 4 páginas, a 5 colunas. Parte da 3ª e a 4ª estavam destinadas à publicidade.
Este 3º Cabeceirense vai desaparecer em 3 de Junho de 1919.
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Poucos anos de vida teve este 3º e último “O Cabeceirense”: nem 6 anos completos. Apareceu a substituir o “Jornal de Cabeceiras”, que suspendera a sua publicação em 30 de Julho de 1912, uma das sequelas da 2ª Incursão Monárquica e consequente Restauração da Monarquia no nosso concelho. Não que o diga abertamente, mas depreende-se do apelo do seu 1º número em que comunicava que remetia um exemplar do novo semanário aos assinantes do extinto.
È no 1º número que o director apresenta o “Nosso Programa”, em que diz: “Com este presente nº vamos encetar a vida jornalística, escabrosa e acidentada, dando publicidade a um modesto semanário independente. Com legítimo orgulho o afirmamos, visa unicamente preencher a falta dum jornal sereno e desapaixonado, alheio totalmente a questões partidárias e degladiações políticas”.
Linhas abaixo continua o ilustre director: “E porque o nosso jornal independente, instrutivo e noticioso, não olvidando pugnar pelos interesses deste concelho sempre que se lhe ofereça ocasião. O nosso jornal abraçará, como independente, homens de todos os partidos de que espera coadjuvação esta nobre empresa, tão generosa, tão útil, tão eminentemente louvável”.
Esta postura de independência vai trazer ao novo semanário alguns amargos de boca, como veremos no artigo seguinte.

(continua)







Por: Francisco Vitor Magalhães

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