Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-10-2011

SECÇÃO: Opinião

O PADRE JORGE: UMA PALAVRA, UM SORRISO

foto
Deixo um enorme apreço ao Padre Jorge e peço-lhe que continue a sorrir porque deixou marcas nos corações dos paroquianos cabeceirenses que nunca se apagarão
Durante o mês de Agosto do ano de 2010 foi anunciado que vinha um Padre novo para a freguesia de Refojos, Concelho de Cabeceiras de Basto. Esta notícia, que não podia ser de outra forma, caiu no coração dos paroquianos com muita alegria e emoção. Precisamente no dia 12 de Setembro do referido ano chegou o Padre novo, acompanhado do Arcipreste Marcelino. A concentração teve lugar na Praça da República, junto ao cruzeiro. Encontravam-se no local personalidades da Câmara Municipal, do Clero, de entre eles o Arcebispo Primaz de Braga e muitos paroquianos. Nesse mesmo local encontrava-se também um grupo de jovens da Terra Natal deste Padre novo, que disseram: “Vamos ver o nosso menino Jorge a chegar.” Foi nesta altura que tive conhecimento que o Padre novo que a freguesia de Refojos ia receber se chamava Jorge.
Todas as pessoas presentes seguiram em cortejo em direcção ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, onde o referido Padre novo celebrou missa. Alguns paroquianos ali presentes referiram: “Este Padre vai ser o símbolo para cativar a juventude que anda um pouco afastada da religião.” Facto que se tornou realidade. Apesar de no decorrer do tempo o ter contactado apenas uma vez, pude concluir que o Padre Jorge era detentor de uma personalidade distinta, com poder organizativo impressionante e de uma educação esmerada. Lidava com os jovens da catequese de forma exemplar e desta forma obtinha deles melhor rendimento.
Referi que o Padre Jorge era uma personalidade com poder organizativo. Faço esta afirmação porque ficou provado ao longo de um ano ser uma pessoa com um espírito altruísta, dinâmico, calmo e de um elevado sentido de responsabilidade. Neste sentido saliento as procissões que ele presidiu às Capelas de Nossa Senhora de Fátima e da Senhora da Saúde, onde celebrou missa após a sua chegada. No decorrer da celebração da missa na Capela de Nossa Senhora de Fátima, o Padre Jorge reparou que uma pessoa idosa apoiada numa bengala se encontrava de pé, pelo que solicitou a uma Guia que lhe levasse uma cadeira para que esta se pudesse sentar. Não tenho palavras para dirigir ao Padre Jorge por esta atitude que só vem provar que este homem do clero é possuidor de uma excelente formação moral e cívica. Na noite anterior à procissão da Senhora da Saúde, o Padre Jorge também presidiu à procissão das velas. No terreiro junto à Capela encontrava-se uma enorme multidão de gente. Quando as velas estavam todas acesas, o Padre Jorge dirigiu-se ao meio da multidão e procedeu à bênção de todas as velas. Todas as pessoas ficaram emocionadas pelo facto de terem assistido a um momento nunca visto na freguesia de Refojos, porque, se a memória não me atraiçoa, só foi iniciado em Julho de 2010 pelo Arcipreste Marcelino.
A alegria sentida precisamente no dia da chegada do Padre Jorge transformou-se em tristeza um ano depois, no dia da sua saída. Os paroquianos das paróquias de Outeiro, Painzela, Passos e Refojos serão testemunho desta realidade. O Padre Jorge deixa saudades pelo seu trabalho, pela sua postura, humildade e pelo seu sorriso cativante como a fotografia documenta. Quando os paroquianos tiveram conhecimento que o Padre Jorge ia embora por imposição, sei e vi que muitas lágrimas não se contiveram e a tristeza no rosto de todos foi evidente e acrescentaram: “As pessoas de bom carácter e profissionalismo são mandadas embora.” Curiosamente, quando o seu número de telemóvel deixou de constar na folha paroquial de Refojos, já há algum tempo, pensei que tinha sido por esquecimento, no entanto, mais tarde reflecti e constatei que não foi por esquecimento. O Padre Jorge é que já tinha outro caminho a seguir. Mas digo do fundo do coração: “ Ele não merecia.” Neste contexto, se mesmo com dois Padres para todas estas paróquias se torna cansativo, com apenas um é completamente impossível, por isso no decorrer dos tempos o meu pensamento vai ser uma realidade.
Diariamente me vem à memória a sua figura a sair da Sacristia em direcção ao Altar para celebrar missa com aquele sorriso sempre presente, incentivando o cântico de entrada. Deixo um enorme apreço ao Padre Jorge e peço-lhe que continue a sorrir, porque ficaram marcas nos corações dos paroquianos cabeceirenses que nunca se apagarão. Não devemos elogiar só os Governantes das Nações ou outras Instituições, mas devemos elogiar também a dinâmica daqueles que transmitem a dinamização pastoral. Neste sentido, pelos factos mencionados, o Padre Jorge é um exemplo a seguir.
Decorreu no passado dia 3 de Setembro às 18h00 , no Mosteiro de S. Miguel de Refojos, a celebração de despedida do Padre Jorge da Comunidade Paroquial de Cabeceiras de Basto. Apesar de ser a sua última celebração nesta Freguesia, o Padre Jorge saiu da Sacristia a sorrir, como sempre nos habituou. No final da celebração, Sara Bastos fez um discurso lindíssimo dirigido ao Padre Jorge, louvando o desenvolvimento do seu trabalho em todos os aspectos na freguesia de Refojos ao longo de um ano, e lembrando que a sua vida e o seu percurso não acabavam ali. Tomando a palavra, o Padre Jorge agradeceu a todos os Cabeceirenses o modo como foi recebido, não esquecendo o Padre Fernando e o Arcipreste Marcelino. Acrescentou ainda que a sua passagem por Cabeceiras de Basto o ajudou a crescer e que muito aprendeu, e que agora ia continuar o seu trabalho nas três paróquias que irá ter a seu cargo. As palavras de Sara Bastos e do Padre Jorge tocaram o coração dos paroquianos que sentiam uma profunda tristeza. Terminados estes discursos o Padre Jorge recebeu um enorme aplauso de todos quanto estavam presentes. Esta foi a prova dada deste povo que afirmou apoiar e estar ao lado do Padre Jorge, razão pela qual a saudade vai estar sempre presente nos seus corações. Os paroquianos desta freguesia deixaram de ouvir a sua voz nas homilias bem esclarecedoras, por isso podem ter a certeza que nunca mais vão ter outro Padre Jorge, porque não há pessoa que iguale as suas capacidades. Neste sentido, as paróquias de que fiz referência vão ficar desamparadas e sem alegria, dado que foi embora um homem bom e de um coração enorme. Este Padre sempre demonstrou interesse e vontade de bem servir, no cumprimento da sua missão, pelo que algo devia ter sido feito para evitar a sua saída. Para além dos factos referidos o Padre Jorge era muito elogiado pelos jovens e pela população em geral, por isso, talvez para alguns se tenha tornado numa pessoa incómoda e a melhor solução encontrada tenha sido mandá-lo seguir outro destino. No entanto a realidade deve ser realçada: o Padre Jorge saiu não só pela porta grande, mas pela porta maior do mundo!
Para finalizar, deixo um adeus sentido ao Padre Jorge, desejando-lhe as maiores felicidades deste mundo, assim como muita saúde e um sucesso invulgar nas paróquias que vai ter a seu cargo. O Padre Jorge vai partilhar a tristeza e a saudade com os Cabeceirenses, mas também estes vão continuar a tê-lo sempre na mente, principalmente aqueles que o conheceram e mais ainda aqueles que partilharam o seu trabalho. Face às qualidades e sucesso do Padre Jorge, sou de opinião que este nunca devia sair do concelho de Cabeceiras de Basto, mas que felizes serão os paroquianos que o vão receber.

Por: Manuel Sousa

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.