Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-09-2011

SECÇÃO: Entrevista

Setenta anos de vidas dedicadas às concertinas e consertos

Cresceu a ver o avô e o pai a afinar e a reparar concertinas. Hoje, dedica a sua vida a esta arte na Cruz do Muro, na freguesia de Refojos, Cabeceiras de Basto.

Isidro na sua "oficina", cuja banca herdou do seu avô
Isidro na sua "oficina", cuja banca herdou do seu avô
Isidro Martins Carvalho tem 30 anos e muitas histórias de concertinas e consertos para contar. O bichinho despertou bem cedo e, desde logo, Isidro começou a ajudar o pai, de quem recebeu todos os ensinamentos que lhe permitem, hoje, ter uma oficina aberta em Refojos.
No total das três gerações somam-se 70 anos de vida e trabalho dedicados ao instrumento de palhetas livres. Tudo começou com o avô, Domingos Carvalho, e com o pai, António Carvalho, mais conhecido no concelho por “Borras”.
Isidro Martins Carvalho trabalha desde os 18 anos na oficina que herdou do pai, um trabalho que lhe dá “muita satisfação”. Aos arranjos que fez já perdeu a conta, mas mantém um contacto estreito com todos aqueles que o procuram para afinar o acordeão. A maioria dos tocadores para quem trabalha é da região, sendo também muito procurado por imigrantes radicados em França, Suíça e Alemanha.
“Eu reparo tudo o que seja concertinas e acordeões de várias marcas e quando me é solicitado também faço pequenas alterações”, revela Isidro Carvalho, artífice que tem vindo a modernizar a sua actividade ao longo dos anos.
O conhecimento e o amor pelo instrumento de palhetas livres, com fole e dois teclados, tem vindo a acentuar-se devido às horas que dedica à sua arte.
Auto-didácta toca para os amigos
Auto-didácta toca para os amigos
“Formações nunca fiz. Tudo o que sei aprendi com o meu pai e com a experiência que ganhei ao longo destes anos”, explica Isidro, que nos primeiros quatro anos trabalhou ao lado do pai, entretanto reformado.
O jovem confessa ainda que “gostava de poder ensinar a arte aos filhos e dar continuidade ao negócio de família”, que começou com o seu avô, Domingos Carvalho, já lá vão sete décadas.
“Inicialmente, o meu avô fazia reparações só para os amigos mas o gosto era tanto que começou a dedicar-se a esta arte mais a sério”, conta o jovem artífice que hoje trabalha numa banca de consertos em madeira com mais de 50 anos.
A concertina é um dos instrumentos musicais que tem vindo a cativar cada vez mais jovens. “Hoje toda a gente gosta da concertina e de ouvir tocar”, garante Isidro Carvalho, afirmando que “aqui na região este instrumento é muito valorizado” por jovens e adultos.
De acordo com as palavras de Isidro, “há hoje em dia muitas crianças a querer aprender a tocar”, facto que deixa o artífice muito confiante no futuro promissor da concertina nas Terras de Basto.
Isidro Carvalho é também amante de música tradicional e os anos de proximidade com a concertina levaram-no a aprender a tocar o instrumento.
“Gosto bastante de música e toco para os amigos quando há borgas”, realça o jovem entusiasmado a continuar a aperfeiçoar a sua arte até que as mãos lhe doam.

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