Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-08-2011

SECÇÃO: Reportagem

Mel multifloral dá prémio a produtores de Cabeceiras de Basto

Francisco Lopes e José Manuel Sousa são apicultores há mais de 35 anos
Francisco Lopes e José Manuel Sousa são apicultores há mais de 35 anos
“Quem trabalha por gosto não cansa”. A frase pode ajustar-se a qualquer profissão mas adequa-se mais ainda ao falarmos de apicultura, de abelhas, de montanha, de intenso calor e de mel.
Francisco Lopes e José Manuel Sousa são dois amigos, de 58 e 65 anos de idade, respectivamente, que se dedicam à apicultura há mais de 35 anos. Uma vida dedicada às abelhas e ao trabalho que sobrevive do “imenso gosto e prazer” que os cabeceirenses Francisco e José Manuel têm pela apicultura, que já lhes valeu algumas distinções.
Aos prémios que valorizam o trabalho destes produtores de mel somam-se, este ano, mais um obtido no Concurso de Mel da Festa das Comunidades e dos Produtos de Cabeceiras de Basto que encerrou no dia 14 de Agosto, no Centro Hípico de Vinha de Mouros.
“Em Cabeceiras de Basto obtivemos este ano o segundo prémio na categoria de mel multifloral”, afirma com satisfação o produtor Francisco Lopes, lembrando que no ano passado alcançaram o primeiro prémio na categoria de mel multifloral e o segundo prémio na categoria de urze. “Há 15 anos fomos também premiados em Vieira do Minho”, conta, assegurando que “os prémios enchem-nos de satisfação porque é o reconhecimento do nosso trabalho, o que para nós vale muito”.
Francisco Lopes, residente em Refojos, e José Manuel Sousa, residente na vila do Arco de Baúlhe, começaram muito jovens a visitar os montes e as colmeias espalhadas em pontos estratégicos do concelho. “Foi paixão à primeira vista”, revelam os produtores que foram obtendo conhecimentos sobre apicultura através da experiência.
Colocação de favos de mel no centrifugador
Colocação de favos de mel no centrifugador
Actualmente, os dois amigos são proprietários de seis apiários colocados especificamente em zonas de densa vegetação nas freguesias de Basto, Faia, Pedraça e Gondiães.
A urze (pequeno arbusto) e a abundância de flores e pomares (vegetação muito rica e variada) são determinantes para a qualidade de mel, refere Francisco Lopes, referindo-se às 160 colmeias existentes naqueles seis apiários, que devem originar, este ano, a produção de mais de 3.500 quilos de mel.
Com unidade produtiva e posto de venda sediados na vila do Arco de Baúlhe, Francisco Lopes e José Manuel Sousa contam com uma “boa” carteira de clientes nacionais, sobretudo da região Norte do país.
“Os nossos consumidores são, na sua maioria, do concelho mas temos também clientes de vários pontos do país”, salientam os apicultores que têm os seus produtos à venda no Posto de Turismo de Cabeceiras de Basto, nos estabelecimentos comerciais do concelho e na feira semanal, que se realiza à segunda-feira. Paralelamente, os produtores de mel associam-se, ao longo do ano, às várias feiras e festas de produtos tradicionais e artesanato, onde vão encontrando mercado para escoar o seu produto.
O processo
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“Em Janeiro/Fevereiro iniciamos o ano com um tratamento preventivo aos ácaros para proteger as colmeias. De Março a Junho é a altura da colheita, o que significa que, pelo menos uma vez por semana, tenhamos que visitar os apiários para que as abelhas não enxameiem”, explica Francisco Lopes, garantindo que “é um trabalho muito cansativo porque a preparação das colmeias e a tiragem do mel acontece em alturas de muito calor, o que é muito desagradável”.
Nesta altura do ano são retiradas as alças das colmeias para posterior tratamento das mesmas, o que acontece duas vezes no ano. É também nesta época do ano que se sacodem as abelhas da colmeia para que os favos de mel possam ser encaminhados para a unidade produtiva, esclarece José Manuel.
Na sala de extracção é retirada ao favo a película que envolve o mel para posteriormente colocação no centrifugador. Segue-se a filtragem e o acondicionamento do mel em bidões de inox, pois se o mel não for depositado convenientemente tem tendências a estragar-se.
“O mel é um produto natural que sofre várias transformações e o inox ajuda a conservar o produto”, assegura o apicultor, referindo que “o mel tem de repousar pelo menos três semanas”.
À excepção do centrifugador para a extracção do mel dos favos, “o trabalho é todo ele manual”, inclusive a rotulagem dos frascos.

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