Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-07-2011

SECÇÃO: Reportagem

Do pomar ao frasco das compotas e garrafas de licor

Percorrem Portugal de lés-a-lés com compotas e licores artesanais, onde os saberes e sabores genuínos marcam a diferença em festas e feiras tradicionais.

Sediada em Cabeceiras de Basto (S. Nicolau),  a Casa de Encosturas  data de 1773 e reflecte a influência da arquitectura importada do Brasil
Sediada em Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), a Casa de Encosturas data de 1773 e reflecte a influência da arquitectura importada do Brasil
As frutas e ervas aromáticas crescem em Cabeceiras de Basto, terra que acolheu António e Maria Vaz Maia, que se dedicam ao cultivo da terra e à vida do campo, onde nascem os tão apreciados e saborosos frutos que servem de matéria-prima para as compotas, licores e marmeladas da Casa de Encosturas, actual propriedade do casal.
A vida tranquila do campo, o cheiro e o cultivo da terra foram as razões que levaram Maria Beltrão e António Vaz Maia a deixar a cidade do Porto rumo a Cabeceiras de Basto, onde o casal adquiriu a Casa de Encosturas. Trata-se de um regresso às origens para Maria Vaz Maia, natural da freguesia de Riodouro, próxima da localidade de Cabeceiras de Basto (S. Nicolau) onde, hoje, o casal dedica o seu tempo às frutas e ervas aromáticas.
Sem recurso a maquinaria e com produtos 100% naturais de “excelente qualidade”, Maria e António fazem das compotas, licores e marmeladas iguarias gourmet de paladar ímpar.
 Maria Vaz Maia apanha mirtilos para a confecção de compotas
Maria Vaz Maia apanha mirtilos para a confecção de compotas
Sediada em Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), a propriedade data de 1773 e reflecte a influência da arquitectura importada do Brasil. Trata-se de uma casa cheia de história, onde os actuais proprietários instalaram uma Unidade Produtiva Artesanal, “que dá uma garantia de qualidade ao consumidor”, palavras de António Vaz Maia, proprietário da Casa de Encosturas.
Em sua casa, o casal conta a história da Casa da Encosturas e partilha o sentimento que os move na concretização deste projecto familiar.
“Este projecto surgiu na sequência desta casa. Dadas as suas dimensões, pensamos rentabilizá-la para nós e para a comunidade. A minha mulher, que era enfermeira, sempre gostou de fazer compotas, licores e outros doces e começou a dedicar o seu tempo, a sua arte e os saberes, já antigos, das suas avós neste projecto. Começamos já lá vão cinco anos”, conta entusiasmado António Vaz Maia.
António Vaz Maia mostra plantação de morangos
António Vaz Maia mostra plantação de morangos
E continua: “eu era Analista de Sistemas na Banca e estava um pouco cansado da vida citadina e isto surgiu como um refúgio. Fundamentalmente, o projecto surgiu da conjugação das nossas vontades e do auxílio dos nossos filhos, que nos incentivaram a dar este salto”.
Todas as tarefas são partilhadas a dois, embora a área administrativa esteja sob a alçada do homem da casa.
“Trata-se de uma área muito complexa, sobretudo no capítulo dos licores, porque quem lida com álcool tem que ter um extremo cuidado. A qualquer momento podem surgir elementos da fiscalização da Alfândega e da ASAE e para mim é uma grande preocupação ter todas as existências, inventário permanente pormenorizado e actualizado”, justifica António Vaz Maia.
O que mais o preocupa “é a concorrência desleal de alguns produtores que fazem apresentação de licores nas feiras sem qualquer tipo de pagamento de impostos”, desabafa.
A Casa de Encosturas é detentora da certificação de Unidade Produtiva Artesanal, um documento rubricado pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, que dá a garantia ao consumidor de que está a consumir produtos realmente artesanais, sem corantes nem conservantes.
A Unidade Produtiva Artesanal está também em vias de obter a certificação de produtos biológicos. “Temos já uma empresa interessada em avançar para a certificação dos nossos produtos biológicos”, um processo que deve estar no terreno no próximo ano, realçou António Vaz Maia.

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