Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-05-2011

SECÇÃO: Recordar é viver

JOÃO VASCO DE SOUSA MARTINS PACHECO (Joneca) - BENÍCIO DE SOUSA – PROFESSOR APOSENTADO

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Caros leitores, Cabeceiras de Basto, em especial a freguesia de Refojos, tem sofrido tristes abalos nestes últimos tempos. Infelizmente esses abalos estendem-se a todo o concelho com pessoas que mais ou menos são conhecidas e, muitas delas, nos são próximas.
Mas, hoje, queria falar sobretudo de duas pessoas, desaparecidas recentemente, aqui bem próximo de nós. Falo do estimado “Joneca” e do Professor Benício de Sousa. Penso que todos ou quase todos sabiam que o “Joneca” era funcionário da Câmara Municipal há vários anos. Era um rapaz muito popular no nosso meio e também fora da nossa freguesia devido ao trabalho que fazia nas Finanças locais quando era requisitado para tratar de assuntos relacionados com a Autarquia local, penso assuntos relacionados com as contribuições autárquicas.
Não vou falar do “Joneca”, só porque há aquela ideia de que todos quando morrem são todos bons. Não, o “Joneca” era um rapaz bom, popular que se dava bem com todos, independente do seu credo político. Rapaz alegre, bom comunicador, muito respeitador, cumprimentava qualquer pessoa que por ele passasse. Outra coisa não seria de esperar, sendo filho de quem era. Tinha uns pais que o educaram com grandes valores morais, a D. Helena de Sousa (da Casa de Paredes) e o estimado senhor José Maria Martins Pacheco, infelizmente desaparecido após doença prolongada. Não quero com isto dizer que pelo facto dos pais serem boas pessoas e de boas famílias os filhos sejam melhores do que outros. Mas de facto, o Joneca e os outros filhos, o Pedro e a Rita são de muito boa índole. Conheço-os desde pequenos.
Joneca
Joneca
O Joneca sofreu muito e, fez sofrer a sua família e quem com ele esteve mais próximo mas, por aquilo que me diziam alguns amigos ele tentava e conseguia rir e conversar com uma lucidez impressionante. Era da idade da minha filha mais nova, a Alexandra Carneiro, por isso tenho algumas fotos com o grupo dos amigos.
Não quero mexer mais na ferida que é profunda, para não sangrar mais! Vamos pensar que, com certeza, ele está bem. Somos católicos e crentes, por isso vamos ter fé, sabendo que um dia nos iremos encontrar. De qualquer maneira, tenho de dizer que, foi uma perda para a nossa terra, porque possivelmente, seria um dos homens de amanhã com responsabilidades na construção contínua da nossa querida terra, que é Cabeceiras de Basto.
O professor Benício, conheci-o mais de perto há muitos anos, ainda todos nós muito jovens. Convivia muito com o meu marido, Manuel Carneiro, colegas de profissão embora, o Benício seja mais velho no curso e tenha mais três anos de idade. Eu sou mais nova do que eles os dois. Convivíamos todos, mais até por causa do futebol do Atlético. Nos primeiros anos de casada e com os meus filhos pequenos íamos acompanhando o nosso clube, nos seus tempos áureos, onde o professor Benício estava presente. O Atlético Cabeceirense tinha a vantagem de juntar a mocidade do nosso burgo e, por esse motivo, reuniam-se muito. Não só no futebol como no Clube Cabeceirense que, era só frequentado por homens. Mulheres não entravam. As mulheres só podiam chamar os maridos que estavam lá dentro cá de fora, na estrada e não podiam dar muito nas vistas para se não saber quem estava lá dentro. Perdoem-me por este aparte mas, não resisti. Hoje essa lembrança até me faz sorrir.
Manuel Carneiro (Júnior), Gi Ferreira, Rui Bastos, Pedro Vilela (Variado), Vítor Teixeira, Basto, Zi Ferreira, Joneca Pacheco, Marco Pereira (Revolta), Zé Carlos Lopes, Rui Ramos, Ricardo Bastos, Daniel Marques, Alexandra Carneiro, João Pereira, Carl
Manuel Carneiro (Júnior), Gi Ferreira, Rui Bastos, Pedro Vilela (Variado), Vítor Teixeira, Basto, Zi Ferreira, Joneca Pacheco, Marco Pereira (Revolta), Zé Carlos Lopes, Rui Ramos, Ricardo Bastos, Daniel Marques, Alexandra Carneiro, João Pereira, Carl
Na minha opinião, quando veio o 25 de Abril com a nova Democracia a única desvantagem que senti em relação à revolução dos cravos, foi que houve entre os amigos, mesmo aqueles que eram como irmãos, uma espécie de “apartheid”. Quer dizer, cada um escolheu o partido com que mais se identificava e, por isso, houve um afastamento grande. As pessoas levaram isso a peito, tanto que em campanhas eleitorais ao passarem uns pelos outros faziam de conta que se não conheciam para se não comprometerem. Só no futebol se mantiveram fieis aos seus clubes preferidos até hoje, como foi o caso do professor Benício e o meu falecido cunhado “Toninho Carneiro”. O Benício era um adepto ferrenho do Sporting Clube de Portugal e o “Toninho” era do Porto. Era nessas alturas que o professor Benício deixava de ser tão introvertido para expressar o contentamento sobre um bom resultado do seu clube ou vice-versa. Para mim sempre vi o Benício como um homem parco em palavras mas, quem o conhecesse bem, não levava a mal pelas poucas falas. Ele falava pouco mas sorria bastante quando se notava que estava bem disposto.
Foi durante muitos anos sub-delegado e depois delegado escolar concelhio. Como atrás referi, foi também dirigente do Atlético Cabeceirense no tempo em que quase toda as pessoas da nossa terra iam ver o futebol. As mulheres também. Era um frequentador assíduo do café cabeceirense mais conhecido pelo “Café do Armindo”. Praticamente o podíamos ver todos os dias sentado a ler os jornais do dia que, o Armindo mandava vir para os clientes se entreterem enquanto tomavam o cafezinho. Em virtude de ser proibido fumar dentro do café, também o víamos a ele e aos seus colegas do costume, a fumarem no passeio.
Prof. Benício de Sousa
Prof. Benício de Sousa
Digo com toda a franqueza que levei um choque pela manhã quando a minha filha telefonou para me comunicar que tinha falecido o Professor Benício. Não quis dizer ao meu marido pelo telefone. Não me atrevi. Preferi dizer-lhe pessoalmente em casa. Ficou em silêncio e com o olhar perdido ao longe mas, a vida é assim mesmo. Hoje foram eles, amanhã nós. O professor Benício tinha 68 anos. Era muito novo e com muitos anos para estar entre nós mas não está nas nossas mãos a hora e o dia que Deus nos destinou.
Tenho muita pena de todas as pessoas que morrem em que os conhecemos a todos mais ou menos bem mas, o “Joneca” pela sua juventude e o professor Benício, pela sua figura a atravessar a Praça da República para se dirigir ao “Café do Armindo” tomar a bica e ao mesmo tempo confraternizar com alguns amigos e ex-colegas também me deixam com saudade. Estas e outras mortes precoces, fazem-me lembrar que nós, não somos nada! Temos de estar preparados para “partir” como dizia muitas vezes o Padre Fernando Castro na sua homilia dominical e, também já o ouvi algumas vezes ao Arcipreste Padre Marcelino. Penso que a frase utilizada pelos senhores Padres era mais ou menos assim:
Prof. Benício entre colegas do futebol da nossa terra
Prof. Benício entre colegas do futebol da nossa terra
- “Vigiai para que não sejais apanhados desprevenidos”!

Prof. Benício com algumas caras conhecidas do seu tempo, talvez no Colégio S. Miguel de Refojos
Prof. Benício com algumas caras conhecidas do seu tempo, talvez no Colégio S. Miguel de Refojos
Muito mais haveria para falar destes dois cabeceirenses mas, não quero mexer mais na dor dos seus familiares. Neste momento, só quero apresentar o meu sincero pesar às suas famílias, pelos seus desaparecimentos prematuros.
Deus os tenha em seu eterno descanso.
Da dirª para a esqª - Dr. Juiz Amílcar Salreta, Prof. Benício, o meu compadre Carlos Carvalho (Revolta), o meu marido Prof. Manuel Carneiro, Fernanda Carneiro, falecida comadre e cunhada Fátima Carneiro, cunhadas Estela e Manuela Carneiro e a bébé Ca
Da dirª para a esqª - Dr. Juiz Amílcar Salreta, Prof. Benício, o meu compadre Carlos Carvalho (Revolta), o meu marido Prof. Manuel Carneiro, Fernanda Carneiro, falecida comadre e cunhada Fátima Carneiro, cunhadas Estela e Manuela Carneiro e a bébé Ca
fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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