Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-04-2011

SECÇÃO: Opinião

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Sinais de Alerta em Crianças - Quando devemos recorrer à Terapia da Fala?

A família e as pessoas que rodeiam e que estão inseridas nos diversos contextos de vida da criança, são de extrema importância para o desen-volvimento das capacidades comunicativas de uma criança. Deste modo, uma criança aprende e desenvolve linguagem através das interacções com os outros.
É importante que as pessoas falem com calma para a criança e que, ao mesmo tempo, chamem-nas a atenção para as diversas situações que ocorrem à sua volta. Torna-se assim fundamental que, ao longo do dia, o adulto diga à criança, o nome dos objectos, que lhe explique os sons que ouve (para que desta forma a criança associe a uma imagem), que lhe descreva tudo o que se passa à sua volta para que a criança consiga fazer as diversas assimilações necessárias para o seu desen-volvimento. Mas, acima de tudo, brinque, ria, cante, com as crianças para que o seu desenvolvimento seja o mais harmonioso possível.
Considero importante fornecer alguns pontos de referência, no sentido de alertar pais, educadores e todas as pessoas que rodeiam a criança ao nível da comunicação, linguagem / ou fala:
Dos 0 aos 3 meses: Quando não reage à voz humana e aos sons.
Dos 4 aos 6 meses: Quando não reage ao “não” ou às alterações de voz; não olha em redor à procura de sons como a campainha da porta; não balbucia sons como o ‘p’, ‘b’ e ‘c’.
Dos 7 aos 12 meses: Não reage quando pronunciamos o seu nome; não imita sons nem faz jogos vocálicos e emite padrões de entoação (lalação); apenas utiliza o choro para chamar a atenção e não manifesta intenção para obter objectos ou a atenção dos outros.
Do 1 aos 2 anos: Não compreende perguntas/frases simples; não identifica imagens e/ou objectos relacionados com o seu dia a dia (apontar); não mostra interesse quando lhe é contada qualquer coisa; não faz frases com duas palavras.
Dos 2 aos 3 anos: Não compreende/executa ordens simples; não forma frases com duas ou três palavras; não é capaz de repetir correctamente uma frase com 4 palavras (ex: tenho um cão pequenino); não sabe dizer o seu nome; não nomeia os objectos (utiliza apenas o gesto); não compreende diferenças entre noções (em cima/em baixo; alto/baixo).
Dos 3 aos 4 anos: Não exprime com palavras ou gestos as suas necessidades; não produz palavras ou frases simples e não compreende frases com 3 palavras (não responde a perguntas do tipo “onde”, “quem”); não usa plurais, pronomes possessivos, adjectivos e a negativa; não é capaz de repetir correctamente uma frase de 5 ou 6 palavras (ex: vamos comprar chocolates para a mãe); não consegue articular correctamente a maioria dos fonemas; não presta atenção a ouvir uma história; não descreve acontecimentos e a fala não se compreende (normalmente as pessoas de fora da família não percebem o que diz).
Dos 4 aos 6 anos: Não desenvolve conceitos espaciais; não compreende noções de tempo e quantidade; não faz perguntas do tipo “Porquê?”, “Como?”, Onde?”; não reproduz frases complexas, histórias ilustradas ou pequenos acontecimentos; quando existe estruturação incorrecta de frases, discurso incoerente, permanência de erros articulatórios; quando apresenta indícios de gaguez (depois dos 5 anos), rouquidão frequente (grita com muita frequência, fala muito, muito rápido e muito alto); se prefere alimentos pastosos a sólidos; “ fala pelo nariz” ou usou chupeta até muito tarde.
Especificamente em relação aos sinais de risco ao nível da fala, para estar atento e verificar se existe omissão, troca ou distorção de sons, é necessário ter em conta que no desenvolvimento normal estes surgem pela seguinte cronologia:
Aos 2 anos: /m/ (ex. mão); /p/ (ex. pato); /n/ (ex. nabo); /b/ (ex. bola); /d/ (ex. dominó); /t/ (ex. rato).
Aos 2 anos e meio: /R/ (ex. remo); /K/ (ex. carro); /g/ (ex. gato).
Entre os 3 e os 3 anos e meio: /f/ (ex. figo); /s/ (ex. sapato).
Entre os 4 e os 4 anos e meio: /l/ (ex. lapa); /v/ (ex. vela); /z/ (ex. zorro); /ch/ (ex. xaile); /j/ (ex. janela); /r/ (ex. cara/ verde/ prato).
Estes são apenas alguns aspectos a ter em conta e não devem ser considerados de forma isolada. Devemos ter em consideração o desenvolvimento global da criança. Se conhecer alguma criança que apresente algumas destas dificuldades, não hesite em recorrer à Terapia da Fala, de forma a obter informações mais concretas e precisas relativamente à criança. Esteja atento e tire as suas dúvidas em www.descobreaterapiadafala.blogspot.com

Rita Magalhães

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