Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-04-2011

SECÇÃO: Opinião

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A mudança

Dizias com olhar profundo e transparente:
“o que mudar, tem de mudar dentro de ti”.
E eu concordava, fazendo aquele aceno de cabeça confiante de que era bom acreditar nisso,
até porque as tais palavras me pareciam verdadeiras demais para estar para ali a hesitar,
Ou acrescentar o que quer que fosse.
Tudo era belo quando saia da tua boca!...
E eu ficava sempre ali em segurança bebendo as tuas palavras,
Absorvendo o teu respirar…
Porque desse modo eu não poderia falhar,
Desse modo não existiriam equívocos da minha parte…
E o caminho era só para a frente!
Mas o eco das tuas palavras cada dia me pareciam mais fortes,
E faziam um zumbido.
Um zumbido que já me começava a inquietar,
E a amarfanhar todo o meu corpo.
Passaram a ser mais do que simples palavras!...
Eram um convite a sair delas mesmas e ser qualquer coisa,
Fazer algo mais.
Transforma-las em actos de coragem e gestos pequenos
Que podem sempre ecoar para outras dimensões.
Tive de ir ver o que era.
Tive de arriscar e sair do teu colo para saber.
As palavras eram verdadeiras demais,
O teu colo também…
Mas…. Tinha de usar as mãos e sair .
Foi nesse dia em que decidi ir que percebi tudo…
Que aprendi…
Que renasci.
Porque as palavras só tinham razão de existir se as experimentásse com as mãos
E fosse capaz de fazer milagres com elas:
O milagre da existência!
Um milagre que me torna viva,
Me torna única e capaz de ser algo bem melhor e bem maior.
Foi então que tu tornaste a sorrir e a dizer as mesmas palavras:
“o que mudar, tem de mudar dentro de ti”.
E eu não acenei a cabeça como dantes.
Simplesmente sorri… e corri para os teus braços.
Porque agora eu sabia o que realmente tudo isso queria dizer.

Por: Magda Teixeira

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